Libertadores

Mais do que o gol, a luta incessante de Ábila liderou o ataque do Boca Juniors

Ramón Ábila retornou à Argentina no meio do ano passado. Ficou alguns meses no Huracán, clube que o projetou, antes de se apresentar ao Boca Juniors, pouco depois da lesão de Darío Benedetto. Ele havia sido especulado no passado, quando Carlos Tevez o elogiou publicamente, antes da transferência para o Cruzeiro. Os dois são amigos. Compartilham interesses, têm origens parecidas e posturas similares dentro de campo, ou pelo menos a que Carlitos tinha em seu auge: a disposição de brigar por cada bola como se fosse a última. E foi esse o maior mérito de Wanchope, como Ábila é conhecido, no empate por 2 a 2 contra o River Plate, no jogo de ida da final da Libertadores.

Claro que Ábila também teve o mérito de ter marcado o primeiro gol. Mérito muito grande, aliás. Ele trouxe pela esquerda e abriu para a perna direita. Armani defendeu como conseguiu, praticamente apenas colocando o corpo para barrar o foguete do atacante do Boca Juniors. O rebote voltou para ele, quase sem ângulo. Em vez de desferir a finalização cruzada para a segunda trave, Ábila surpreendeu Armani com outra bomba, no canto que era defendido pelo goleiro do River, que não conseguiu intervir pela segunda vez seguida.

Havia sido de Ábila também a primeira chegada de perigo do Boca Juniors, naquela vez pela direita, indícios da movimentação constante do atacante do time da casa. Ainda mais com a entrada de Darío Benedetto, no lugar de Cristián Pavón, machucado, ambos revezaram-se abrindo espaços e ajudando na criação. Ele deu 37 toques na bola, índice alto para um centroavante, apenas dez dentro da área, e oito dribles, mais do que qualquer outro em campo. Finalizou três vezes, também líder nesse quesito, ao lado de Izquierdoz, pelo lado do Boca, Lucas Martínz e Pratto, pelo do River Plate.

E o gol da vitória quase saiu dos seus pés. Quer dizer, no fim, o árbitro marcou impedimento na sua jogada de pivô para Tevez, na intermediária, mas a finalização do amigo de Ábila assustou bastante Armani.

Ábila ficou aproximadamente um ano no Cruzeiro e, embora colocasse seu nome no placar com alguma frequência, foi embora no momento em que virou reserva, sob o comando de Mano Menezes. No Boca Juniors, atua com regularidade e contribui bastante. Fez quatro gols nesta Libertadores, inclusive o importantíssimo primeiro contra o Palmeiras no jogo de volta no Allianz Parque. Emendou uma sequência de cinco em três rodadas na reta final do último Campeonato Argentino, conquistado pelo Boca. Com algumas lesões, atuou pouco no começo da atual edição do torneio nacional.

Como centroavante preparador de jogadas ou finalizador, puxando a marcação ou driblando para ajudar os companheiros, dando carrinho e pressionando para atrapalhar o River Plate, Ábila deixou tudo que tinha no gramado da Bombonera, fato que a torcida do Boca Juniors não costuma deixar passar batido.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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