Longe de empolgar, o Galo administrou sua vantagem e carimbou a classificação

Em um início de temporada penoso a todos os brasileiros nas competições continentais, o Atlético Mineiro está no direito de comemorar sua classificação à fase de grupos da Libertadores. No entanto, o Galo também precisa estar consciente de que jogou abaixo de seu potencial nestas preliminares. Exceção feita ao jogo de ida contra o Defensor, no qual venceu por 2 a 0 em Montevidéu e poderia ter feito mais, o time de Levir Culpi derrapou em todos os outros compromissos. E se não sofreram grandes riscos desta vez, até pela vantagem confortável construída sobre os violetas, os atleticanos não arrancaram suspiros no Estádio Independência. O empate por 0 a 0 garantiu a passagem à próxima etapa, outra vez apresentando as carências da equipe.
Levir Culpi optou por uma formação mais resguardada, ao trocar Chará por José Welison. E o Galo começou empolgando a torcida no Horto, com uma bola na trave logo aos quatro minutos. Cazares desferiu um de seus chutes venenosos de fora da área e ficou a um triz de balançar as redes. De qualquer maneira, não seria um bom primeiro tempo dos atleticanos. O Defensor, sem muita qualidade para trazer uma proposta ofensiva, preferia se precaver atrás e tentar arriscar alguma bola vadia. Travava o jogo do Atlético no meio-campo, enquanto os mineiros careciam de mais velocidade na construção. Raras eram as oportunidades, limitadas a passes espetados que o goleiro Gastón Rodríguez abafava.
Entre os atleticanos, Luan aparecia bem no ataque, se movimentando bastante e tentando criar. Ainda assim, era insuficiente para destrancar a área do Defensor. Mesmo Ricardo Oliveira não conseguia prevalecer desta vez, precisando recuar um pouco mais para participar do jogo. Do outro lado, os violetas se continham a bolas longas, vez ou outra assustando Victor. Nada suficiente para inaugurar o placar em um primeiro tempo sonolento. As melhores chances só vieram antes do intervalo, com Fábio Santos parando no goleiro e Cazares cobrando uma falta por cima do travessão. E pior seria à beira do campo, em mais uma cena patética da Conmebol. A placa que indica substituições e acréscimos não foi levada ao estádio. Assim, o quarto árbitro precisou levantar uma folha em branco marcada com caneta para esboçar as sinalizações.
Se o primeiro tempo só valeu pela maneira como o Galo administrou a diferença, o segundo conseguiu ser mais delicado. Logo aos dez minutos, José Welison recebeu o segundo amarelo e deixou o time com um a menos. Elias ainda poderia ter aberto o placar na sequência, mas parou no goleiro Rodriguez. De resto, era tentar controlar o jogo e buscar o contragolpe em um lance ou outro. A sorte dos atleticanos é que o Defensor foi um adversário inócuo. Mesmo com as substituições realizadas na etapa final, para tentar a classificação, os violetas mal aprontaram no ataque. Victor estava seguro. Os únicos sustos vieram em duas bolas de longe. Primeiro, uma bomba de Martín Rabuñal que o arqueiro rebateu e Patric travou o rebote. Depois, em uma cobrança de falta de Joaquín Piquerez, que quicou no gramado e Victor conferiu desviando para fora. Não foi uma exibição de encher os olhos, mas valeu a classificação.
No papel, o Atlético Mineiro tem um bom time. As individualidades do ataque, sobretudo, são excelentes. Só que falta aproveitar melhor esse potencial – seja pelas chances perdidas, seja pela lentidão nas transições, seja pelas oscilações ao longo dos jogos. O Defensor esteve abaixo do Danubio nestes confrontos e mal testou o sistema defensivo do Galo. E, mesmo com o controle de ambas as partidas, aguardava-se uma postura mais incisiva dos alvinegros. O que se viu em Montevidéu não se repetiu em Belo Horizonte, faltando até mesmo ousadia, diante dos momentos em que os alvinegros preferiram recuar. Porém, independentemente disso, a fase de grupos é o próximo passo. Nacional, Cerro Porteño e Zamora serão os adversários em uma chave acessível, mas na qual não se pode descuidar. Há margem de evolução, de qualquer forma.



