Libertadores

Ladislao Mazurkiewicz, o elo que liga Atlético-MG e Peñarol, rivais na Libertadores

Considerado um dos melhores goleiros da história, Mazurkiewicz deixou o Peñarol para atuar no Atlético na década de 70

Invicto na Copa Libertadores, o Atlético-MG entra em campo nesta terça-feira (14) para tentar manter os 100% de aproveitamento. O Galo vai ao Uruguai, onde encara o Peñarol, um dos times mais tradicionais das Américas e do Mundo. Os dois clubes tem uma ligação histórica através do goleiro Ladislao Mazurkiewicz, aclamado como um dos melhores da história e que atuou em ambos os lados.

Filho de poloneses, por isso o nome diferente do que estamos acostumados, Mazurkiewicz nasceu no Uruguai em 1945 e se tornou jogador profissional em 1963, no Racing de Montevidéu. Mesmo com menos de 180 cm de altura, se tornou um dos maiores e melhores goleiros da história do futebol uruguaio e mundial.

De 1965 a 1971, defendeu as cores do Peñarol, clube que ele mais atuou na carreira, se tornando um ídolo. O goleiro foi pentacampeão nacional, além de conquistar uma Libertadores e um Mundial em 1966, contra River Plate e Real Madrid, respectivamente, ano também em que foi titular do Uruguai na Copa do Mundo, com grandes atuações.

Mazurkiewicz era tão especial, que recebeu das mãos do também lendário Lev Yashin, então melhor goleiro do mundo, as luvas do seu jogo de despedida, em 1971. Um ano antes, o uruguaio foi protagonista de um dos maiores lances da história do esporte, o famoso “quase gol mais bonito do mundo”, que Pelé não fez na Copa de 70, após driblá-lo sem sequer encostar na bola.

Naquela Copa, inclusive, Mazurkiewicz já tinha o status de melhor goleiro do mundo por tudo que havia feito com a camisa do Peñarol e da Seleção Uruguaia, e essa alcunha foi confirmada após a grande participação dele no Mundial, que lhe rendeu o prêmio de melhor arqueiro do torneio.

O melhor do mundo chega ao Atlético

No fim de 1971, o Atlético anunciou a contratação de Mazurkiewicz vindo do Peñarol — algo que revoltou os torcedores uruguaios, que acusaram o goleiro de ser mercenário. A Revista Placar da época registrou a chegada do uruguaio a Belo Horizonte, recebido por uma multidão: “Os gritos da torcida do Galo comemoravam a chegada de um dos maiores goleiros do mundo, que já é seu novo ídolo”. Ele estreou pelo Galo em 72, na Libertadores, mas não conseguiu levar o clube muito longe na competição.

Ao todo, Mazurkiewicz atuou em 89 partidas pelo Atlético nas três temporadas que teve pelo clube, sofrendo apenas 67 gols. Acabou tendo algumas lesões que atrapalharam a passagem, como uma mão quebrada, mas que não deixaram ele se tornar um ídolo e símbolo do clube. Apesar de não ter sido campeão com o Galo, o uruguaio teve grandes atuações e conquistou a torcida atleticana.

Galo homenageou família de Mazurkiewicz

Na partida de ida entre Atlético e Peñarol, na Arena MRV, com vitória atleticana por 3 a 2, o Atlético fez questão de prestar homenagens à família de Mazurkiewicz, que faleceu em 2013. Os filhos e o neto do ex-goleiro estavam junto da delegação uruguaia e foram presenteados com uma placa em agradecimento aos serviços prestados por ele, além de camisas do Galo, inclusive uma de goleiro com o nome de Mazurka nas costas.

Depois do Atlético, Mazurkiewicz ainda atuou por Granada (ESP), Cobreloa (CHI), América de Cali (COL) e novamente no Peñarol, onde encerrou sua carreira em 1981.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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