Libertadores

Lá e cá a maioria do tempo, Flamengo e Racing fizeram um grande jogo – que terminou empatado

Nem sempre o confronto entre dois clubes tradicionais e com bons times rende grandes jogos, mas Racing e Flamengo conseguiram entregar um, equilibrado na maioria do tempo, até a expulsão de Thuler no segundo tempo, com boas chances para os dois lados e três gols anulados. O empate por 1 a 1 é melhor ao Flamengo, que pode até empatar por 0 a 0 no jogo de volta – embora uma nova atuação oscilante da defesa passe pouca esperança de que, se passar, será pelo empate sem gols.

Pouca coisa aconteceu nos primeiros dez minutos. Os times “se estudaram”. O Flamengo entrou em um 4-2-3-1, com Bruno Henrique pela esquerda, Éverton Ribeiro pela direita, Arrascaeta pelo meio e Gabigol mais à frente. Não subiu tanto a marcação, ao contrário do Racing, que começou a partida pressionando alto a saída de bola rubro-negra. A fase dos argentinos não é boa: ainda não venceu nos quatro primeiros jogos da Superliga Argentina.

Quem quebrou o impasse foi Fabricio Domínguez. Foi uma jogadaça. Ele dominou ainda no meio-campo, passou por Gerson e Filipe Luis, foi rápido demais para a tentativa de desarme de Léo Pereira e cruzou rasteiro para o desvio de Fértoli na primeira trave, por baixo de Diego Alves.

Maior evidência de que foi um primeiro tempo muito igual é que o Flamengo respondeu imediatamente e na mesma moeda. Pelo lado brasileiro, foi Bruno Henrique quem disparou pela esquerda, deixou a marcação comendo poeira e cruzou para Gabigol completar ao gol vazio na segunda trave.

E aí o jogo pegou fogo. Arias defendeu em dois tempos a tentativa de Gabigol e, cinco minutos depois, Lisandro López se jogou para cabecear com firmeza em direção ao canto rasteiro de Diego Alves, que caiu para fazer a defesa. Léo Pereira afastou. López não marca há mais de 1.300 minutos, espalhados por 19 jogos e um ano – o último tento do veterano foi no começo de outubro do ano passado.

Bruno Henrique, em um primeiro tempo inspirado, quase fez um golaço. Recebeu pela esquerda, passou por Fabricio Domínguez e mandou colocado. Na trave.

O equilíbrio se manteve depois do intervalo, enquanto os dois times tiveram 11 jogadores de cada lado. O Racing voltou melhor. Lisandro López chegou a quebrar o seu jejum, completando o cruzamento de Mena, mas a arbitragem identificou falta do lateral em Éverton Ribeiro no início da jogada. Em seguida, lance muito parecido. Mena cruzou, Léo Pereira não conseguiu o corte, e López, na boca do gol, mandou por cima.

A defesa foi o calcanhar de Aquiles do Flamengo nesse jogo, especialmente o lado direito (e a bola aérea). Renê, improvisado, teve dificuldades, ainda mais porque Éverton Ribeiro nem sempre (quase nunca) conseguiu acompanhar Mena. Mas depois desse susto nos primeiros minutos, conseguiu tomar um pouco mais as rédeas da situação.

Vitinho conseguiu ficar impedido duas vezes em um minuto. Recebeu o passe de cabeça de Bruno Henrique e fez uma bela jogada antes de rolar para o gol de Arrascaeta, anulado pela posição irregular do ponta. Logo na sequência, Bruno Henrique roubou a bola no campo de ataque e deixou com Renê, que cruzou fechado. Vitinho tentou raspar de cabeça, e Arias fez uma grande defesa. Mas, novamente, Vitinho estava adiantado.

O Flamengo chegou outras duas vezes, com uma cabeçada de Éverton Ribeiro e uma batida de Vitinho, e o Racing teve outro gol anulado, agora por impedimento, antes de o panorama da partida mudar. Thuler deu uma entrada muito dura em Lisandro López e recebeu o cartão vermelho. Para piorar, o reserva Natan também foi expulso, mesmo no banco de reservas por escalação.

Ceni colocou Diego, mais capaz de cozinhar o jogo e prender a bola, no lugar de Arrascaeta, e o volante Gomes na vaga de Ribeiro – na ausência de um zagueiro na reserva. E aí foi se segurar, se segurar e se segurar. Durante todos os nove minutos de acréscimos dados por uma arbitragem que, se não cometeu erros capitais, foi muito confusa, não conseguiu sinalizar o que estava apitando, parecia até meio tímida.

E se segurou. Não foi uma ótima atuação do Flamengo, mas houve oportunidades de conseguir um resultado melhor, e a mesma coisa pode ser dita em relação ao Racing. De qualquer maneira, foi um bom empate para levar ao Maracanã.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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