Libertadores

Insaciável do início ao fim, o Flamengo detona o Tolima por 7×1, em uma de suas maiores noites de Libertadores

O Flamengo teve uma atuação irrepreensível desde os primeiros minutos e trucidou o Tolima, com Pedro anotando quatro e participando de outros dois

Maracanã lotado, lindas jogadas, chuva de gols, classificação inapelável: o Flamengo teve uma noite de completa euforia nesta quarta-feira de Libertadores. Foi, sem sombra de dúvidas, a melhor versão rubro-negra de 2022. E assegurou uma vitória daquelas que inflam os ânimos de qualquer time, com os 7 a 1 aplicados sobre o Deportes Tolima. Ao longo da campanha, o Fla vinha sendo melhor nos números do que na forma. Os resultados são muito bons, mas não necessariamente o nível de atuação. Desta vez, porém, o que se viu foi um time arrasador que impõe respeito no torneio continental. Mesmo com a vitória por 1 a 0 em Ibagué, os flamenguistas partiram com tudo. Tiveram uma atuação de gala, famintos do primeiro ao último minuto, com Pedro liderando o baile: marcou sozinho quatro gols e ainda participou decisivamente de outros dois. A equipe de Dorival Júnior ganha muita confiança para o titânico embate com o Corinthians nas quartas de final.

O ambiente no Maracanã, com a torcida inflamada, prometia uma grande partida. E o Flamengo não quis esperar para corresponder dentro de campo. Os rubro-negros tiveram um início elétrico. A movimentação do ataque era muito bem orquestrada, com inteligência na leitura dos espaços e trocas de posições. Pedro funcionava bem nesse sentido e auxiliava bastante o coletivo. Além disso, a pressão era incessante pela recuperação. Em cinco minutos, a conta estava aberta graças a esse entendimento. Pedro buscou o jogo fora da área, entregou a Arrascaeta e passou no vazio para receber o passe, definindo cruzado. O Tolima não conseguia ver a cor da bola.

O gol pareceu inflar mais a confiança do Flamengo. A equipe aproveitava especialmente as jogadas pelo lado direito. Logo depois do tento, Gabigol assustaria numa bola salva quase em cima da linha, apesar da marcação de impedimento. E os rubro-negros não paravam. João Gomes bateu para defesa do goleiro William Cuesta, enquanto a defesa precisava colombiana se desdobrar. O Tolima não conseguia construir seu jogo, entre a falta de organização e certo nervosismo. O Fla aproveitava para arreganhar os dentes. Os ataques se sucediam e o toque de bola era ótimo. O segundo gol surgiu aos 21, em nova trama. Arrascaeta encontrou Pedro, que deu de calcanhar para Gabigol. O atacante parou numa defesaça de Cuesta, mas Julián Quiñones fez contra no rebote.

A partida parecia resolvida desde já. O Flamengo estava iluminado. Cuesta evitaria o terceiro numa pancada de fora de Arrascaeta. Era muita gente disposta a deixar sua marca, mas logo os rubro-negros puderam baixar o ritmo. A equipe tinha a partida sob controle. Já o Tolima estava tão mal que realizou sua primeira alteração logo aos 28 minutos. Os colombianos tentaram adiantar um pouco mais a marcação e estancar a sangria, mas não que levasse perigo à meta de Santos, pela entrega dos flamenguistas sem a bola. Era um primeiro tempo muito acima da média. Antes do intervalo, Pedro ainda mandou uma cabeçada para fora. Além das recuperações, a criação do Fla também se sobressaía, especialmente pelo papel de Arrascaeta na organização.

O Flamengo retornou ao segundo tempo para alargar mais a sua vantagem. Aos dois minutos, já anotou mais um gol, o terceiro. Numa falta cobrada por Arrascaeta, David Luiz escorou de cabeça e Pedro teve todo o tempo para definir na pequena área. O Tolima voltou do intervalo com duas alterações, que não surtiam efeito. Ficava a festa, com a torcida cantando alto e ligando as luzes do celular. O Fla ia por mais. Everton Ribeiro desperdiçou uma chance incrível na pequena área, ao receber um presentaço de Gabigol e errar o chute. Logo depois, aos 11 minutos, o artilheiro tratou de assinalar o dele. Numa bola recuperada por Thiago Maia, Gabigol aproveitou o clarão na defesa para carregar até a área e bater no cantinho. Belo tento.

William Arão e Victor Hugo entraram na sequência, nos lugares de Thiago Maia e Everton Ribeiro. O Flamengo demorou a se acertar e tomou o gol, aos 18. Depois de uma cobrança de escanteio, Quiñones aproveitou a sobra para marcar a favor desta vez. O jogo ficava franco, com os colombianos se abrindo para descontar a diferença. Léo Pereira faria um bloqueio decisivo. Enquanto isso, o Fla também não se intimidava e encaixava seus ataques. Marcaria o quinto aos 22. Num lance com Rodinei pela linha de fundo, o lateral gingou para cima da marcação e cruzou para o desvio de Pedro na pequena área. O centroavante completava sua tripleta. Isso até que viesse uma mudança tripla nos cariocas, com Rodrigo Caio, Ayrton Lucas e Matheus França, nos lugares de Arrascaeta, Filipe Luis e Léo Pereira – este muito festejado pela boa fase.

Os substitutos também queriam ter sua pontinha no show. Matheus França, garoto da base, marcaria o sexto gol logo em sua primeira participação, aos 28. Pedro deu um lançamento sensacional para a infiltração do prata da casa, que arrematou na saída de Cuesta. O time não parava e a impressão era de que cabia mais. Willian Arão tentaria o seu, mas sem direção. O Tolima estava entregue à própria sorte, que era mínima na noite. Aos 35, viria o sétimo. Gabigol arriscou de longe e Cuesta espalmou. Pedro, em sua fantástica atuação, fez o quarto no rebote – tornando-se o primeiro jogador na história do Fla a fazer tantos tentos num jogo de Libertadores. O centroavante era a turbina do avião que decolava no Maraca. Nos dez minutos finais, mais acréscimos, ficava o espaço para a celebração coletiva da torcida. E não que os cariocas tirassem o pé, com outras investidas sem tanto sucesso. Mas a segunda maior vitória do clube na história do torneio continental já estava de excelente tamanho. O árbitro sequer deu acréscimos.

Flamengo e Corinthians avançam em estados de espírito muito diferentes nestas oitavas de final. Os alvinegros valorizam o drama na Bombonera, mas sem atuar bem. Já os rubro-negros apresentam um futebol irrepreensível e vão com a autoestima lá no alto. Time por time, o Fla está acima no papel, principalmente quando consegue corresponder em campo à badalação existente. E a exibição desta quarta está entre as maiores da história do clube na Libertadores, indubitavelmente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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