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Guia da Libertadores 2022 – Grupo H: Flamengo, Universidad Católica, Sporting Cristal e Talleres

Flamengo terá adversários tradicionais no Grupo H, mas todos com um início de ano também instável

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O Flamengo é o franco favorito no Grupo H, mesmo que seu momento não inspire confiança. Afinal, os concorrentes também vivem entraves parecidos, mesmo com potencial de incomodar. A Universidad Católica que domina o Campeonato Chileno não começou bem a busca do penta, assim como o Sporting Cristal tropeça bastante no Campeonato Peruano. São elencos qualificados e com treinadores respaldados, mas que não engrenaram nestes primeiros meses de 2022. O Talleres, apesar de preservar parte dos destaques no último Campeonato Argentino, perdeu seu comandante. E já trocou de técnico em consequência do mau início na Copa da Liga. Em teoria, todos brigam pela segunda vaga. Resta saber quem vai se acertar primeiro e aproveitar também as indagações que existem no Rio de Janeiro sobre os primeiros passos com Paulo Sousa.

Flamengo

O Flamengo chega como candidato ao título da Libertadores por seu retrospecto recente. Conquistou o troféu em 2019, seria vice-campeão em 2021. Também é o atual vice-campeão do Brasileiro. A questão é que nem tudo inspira confiança sobre os rubro-negros neste momento. O clube atravessa sua transição com Paulo Sousa e o treinador custa a emendar uma boa sequência no início do trabalho. As rusgas parecem expostas depois do vice no Campeonato Carioca e não há um rumo tão claro quanto em outros momentos imponentes dos flamenguistas nos últimos anos, até pelas mudanças táticas que ocorrem. A própria relação interna preocupa, com relatos de rachas nos vestiários e pouco entendimento entre parte dos jogadores. O desafio do Fla, a princípio, será botar ordem na casa com a Libertadores e o Brasileirão já em andamento. Por nomes, o Flamengo permanece como um dos melhores elencos da competição. Os heróis de Lima permanecem quase todos lá, por mais que alguns indiquem o declínio de suas carreiras. De qualquer maneira, não se diminui o protagonismo especialmente da linha de frente que pode contar com Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta e Everton Ribeiro. Há outras alternativas valorosas entre os que já estavam no grupo, como Pedro e Thiago Maia. Além disso, o clube se mexeu no mercado de transferências desde a virada do ano, com adições do peso de Marinho e Pablo, além das vindas mais recentes de Santos e Ayrton Lucas. No papel, repetir a decisão não surpreenderia. A equação, todavia, está na capacidade de Paulo Sousa e na própria relação de vestiários para fazer que as ambições se cumpram.

A Católica comemora (Foto: Universidad Católica)

Universidad Católica

A Universidad Católica vive seu melhor momento na história do Campeonato Chileno. Os Cruzados emendaram um histórico tetracampeonato nacional, feito único ao clube e também de muito peso no contexto da liga local. O ciclo teve constantes mudanças de técnicos e o troféu até parecia escapar em certo momento em 2021, mas o antigo assistente Cristian Paulucci foi promovido ao cargo principal e conseguiu uma guinada incrível para selar a taça. O problema é o começo instável do time em 2022, com direito a quatro derrotas consecutivas no Campeonato Chileno até que o clássico com a Universidad de Chile trouxesse um pouco de alívio. A Católica ocupa apenas a oitava posição na liga, o que parece pouquíssimo para brigar na Libertadores. Apesar dos quatro troféus nacionais, somente em 2021 o clube passou às oitavas da competição continental neste período recente. O goleiro Sebastián Pérez foi uma das figuras no último título, assim como o atacante Fernando Zampedri acumula gols. Nomes rodados como Alfonso Parot, José Pedro Fuenzalida, Felipe Gutiérrez, Luciano Aued e Diego Buonanotte são outras opções. Vale mencionar ainda, dentre os mais jovens, o atacante Diego Valencia, o ponta Clemente Montes, o meia Marcelino Núñez e o volante Ignacio Saavedra – todos jogadores de seleção. Alternativas para a montagem da equipe não faltam, embora isso não resulte numa estabilidade atualmente. E os reforços não parecem garantir um salto, apesar de apostas no ataque, com Lucas Melano e Yamil Asad. Até pelas dificuldades recentes do futebol chileno no cenário continental, ficar com a segunda posição estaria de ótimo tamanho.

Yoshimar Yotún, do Sporting Cristal (ERNESTO BENAVIDES/AFP via Getty Images/One Football)

Sporting Cristal

O Sporting Cristal terminou com o vice no último Campeonato Peruano, mas possui uma continuidade importante em seu comando. Em sua segunda passagem pelos Cerveceros, Roberto Mosquera está à frente da equipe desde fevereiro de 2020, levado após ser campeão com o Deportivo Binacional. Também ficou com a taça à frente dos celestes em 2021 e garante um estilo de jogo agressivo. Suas credenciais, porém, não parecem suficientes na Libertadores. Durante a campanha passada, o Cristal seria eliminado na fase de grupos e levou por pouco a repescagem à Copa Sul-Americana, com apenas quatro pontos. Além do mais, o excesso de empates resulta em uma campanha de meio de tabela no início da atual edição da liga nacional. O time precisa engrenar para de fato lutar pela classificação às oitavas na Libertadores. Apesar da venda do bom ponta Washington Corozo ao Pumas, o mercado do Sporting Cristal garantiu a volta de Yoshimar Yotún, um dos jogadores mais importantes da seleção peruana e cria do clube. O ponta Fernando Pacheco também voltou depois de não emplacar no Brasil, enquanto o tarimbado colombiano John Jairo Mosquera dá mais peso ao comando do ataque. Juntam-se a outros nomes importantes do elenco, muitos deles com nível da seleção local. Os meias Christofer Gonzales e Horacio Calcaterra, bem como o lateral Jhilmar Lora, frequentam as convocações. Outros como Írven Ávila e Alejandro Hohberg também vestiram a camisa da Blanquirroja, enquanto o centroavante Percy Liza pode ser um nome ao futuro. Tal qual a Católica, o conjunto está acima da média no contexto de seu país. O que não garante sucesso, já que desde 2004 os celestes não sabem o que é disputar os mata-matas da Libertadores – mesmo com 12 aparições no torneio depois disso.

Diego Valoyes, do Talleres (Hernan Cortez/Getty Images/One Football)

Talleres

O Talleres terminou o último Campeonato Argentino como uma agradável surpresa. Foi uma equipe competitiva, que se manteve na perseguição ao River Plate durante parte da campanha. Seria terceiro colocado da liga nacional e garantiu sua terceira participação na Libertadores, encerrando um hiato de 20 anos fora da fase de grupos. Todavia, também é um momento de mudança para os cordobeses. Principal responsável pela campanha, o técnico Alexander Medina saiu para o Internacional. Ángel Guillermo Hoyos durou apenas sete partidas no cargo, até que o português Pedro Caixinha chegasse em março. Ainda é uma incógnita, apesar de certo renome em clubes mexicanos como o Cruz Azul e o Santos Laguna, com títulos levantados à frente de ambos. Sua missão, a princípio, é também recuperar o péssimo início na Copa da Liga Argentina. La T somou míseros cinco pontos nas oito primeiras rodadas. Outro entrave do Talleres foram as vendas do time durante os últimos meses. Jogadores como o zagueiro Juan Komar, o lateral Nahuel Tenaglia e o atacante Carlos Auzqui acabaram negociados. O número de reforços é considerável, dentre os quais se destaca o centroavante Federico Girotti, trazido em definitivo do River Plate. As apostas se concentram em muitos jovens. Mas, apesar da rotatividade, deu para preservar boa parte dos protagonistas nos tempos de Medina. O ponta colombiano Diego Valoyes e o lateral Enzo Díaz dão enormes mostras de talento. A dupla de volantes composta por Juan Ignacio Méndez e Rodrigo Villagra também é importante, assim como a referência do goleiro Guido Herrera e do zagueiro Rafael Pérez. A experiência na Libertadores, todavia, será algo inédito a muitos desses jogadores. E a instabilidade interna em Córdoba gera desconfianças.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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