Libertadores

Guia da Libertadores 2022 – Grupo G: Peñarol, Cerro Porteño, Colón, Olimpia

O grupo sem brasileiros é exatamente um dos mais equilibrados e ainda tem o Superclássico do Paraguai como atração

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O único grupo sem times brasileiros na Libertadores é o Grupo G. E a tendência é que seja um dos mais interessantes, pelo expresso equilíbrio. Peñarol e Cerro Porteño vêm de títulos nacionais recentes, com bons destaques para se firmarem no torneio continental. Da mesma forma, o Colón faturou a Copa da Liga na Argentina e tem peso para sonhar com uma campanha marcante, ainda mais liderada por Pulga Rodríguez. E se há um time das fases preliminares da chave, é aquele que impõe mais respeito: o Olimpia, que passou por cima de outros antigos finalistas do torneio para se colocar na fase principal. Os clássicos entre Cerro e Olimpia, aliás, estão entre as grandes atrações da fase de grupos. Se num passado distante esses embates continentais foram comuns no Superclássico, o caráter atual da Libertadores eleva a temperatura.

Peñarol

O Peñarol conquistou o Campeonato Uruguaio no último ano e também fez uma campanha de relevo na Copa Sul-Americana, ao chegar até as semifinais. Mauricio Larriera permanece como treinador e se esperava um crescimento da equipe. Não é o que se nota pelo Apertura. Nas sete primeiras rodadas, os carboneros venceram apenas duas partidas – uma delas, ao menos, o clássico contra o Nacional. Com míseros nove pontos, a equipe já atravessa um momento de desconfiança e questionamento sobre os próximos passos. Existe um processo de reconstrução do time, após diversos jogadores importantes serem vendidos. E a Libertadores não concederá muito tempo para remanejamentos, a considerar o grupo equilibrado no qual os aurinegros se inserem. A lista de destaques negociados pelo Peñarol nos últimos meses inclui vários jogadores importantes ao sucesso recente, em especial o ponta Facundo Torres. Agustín Canobbio foi outro jovem a arrumar as malas, e mesmo atletas mais rodados procuraram novos destinos, a exemplo de Jesús Trindade, Giovanni González e Gary Kagelmacher. Apesar do dinheiro entrando em caixa, a solução se voltou a atletas sem custos. Os veteranos Matías Aguirregaray e Lucas Viatri são os nomes mais conhecidos do pacotão. Ao menos, nem todos os protagonistas do último ano saíram. As responsabilidades crescem sobre o goleiro Kevin Dawson e o volante Walter Gargano, duas referências dentro dos vestiários. Já as esperanças ficam com Agustín Álvarez Martínez, autor de muitos gols importantes no último ano e que logo mais também deve arrumar as malas. As prolíficas categorias de base, aliás, é que oferecem um caminho mais confiável aos carboneros.

Cerro Porteño comemora título do Clausura (Foto: Divulgação)

Cerro Porteño

O Cerro Porteño terminou em alta o último ano, ao conquistar o Clausura do Campeonato Paraguaio. O Ciclón colhe os frutos de um dos trabalhos mais longos do continente na atualidade, dirigido por Chiqui Arce, que voltou ao clube no qual foi ídolo e está no cargo desde janeiro de 2020. O antigo craque conseguiu romper um período dominado pelo Olimpia no país e levou duas taças nacionais nestes dois anos. A Libertadores é outra fronteira, embora os azulgranas tenham feito aparições recorrentes nos mata-matas durante as últimas campanhas, com a caminhada até as oitavas em 2021 encerrada diante do Fluminense. Diferentemente de outros times erráticos neste início de ano, o Cerro começou voando o Apertura Paraguaio. São sete vitórias em oito rodadas, numa largada que só não é impecável porque a derrota ocorreu exatamente no clássico diante dos olimpistas. A virada do ano guardou as saídas de alguns jogadores do Cerro Porteño, com relevância maior a Mauro Boselli. Em compensação, o Ciclón investiu em nomes conhecidos do futebol brasileiro. O reforço mais badalado foi Marcelo Moreno, enquanto Piris da Motta chegou do Flamengo e Jean foi contratado em definitivo junto ao São Paulo. E outras apostas já estavam no elenco. O centroavante Robert Morales, de 23 anos, empilha gols neste início de temporada e acaba sendo a referência ofensiva, com o apoio pelo lado esquerdo de Claudio Aquino, importante no sucesso recente. Ángel Cardozo Lucena é um esteio no meio do campo ao lado de Rafael Carrascal, enquanto Juan Patiño e Alexis Duarte mesclam experiência e juventude na zaga. Diferentemente do que se nota em outros paraguaios na Libertadores, não há tantos medalhões assim à disposição, mas a presença de um grande técnico garante o potencial competitivo aos azulgranas.

Pulga Rodríguez ergue o troféu da Copa da Liga

Colón

O Colón atravessa o momento mais reluzente de sua história. A final da Copa Sul-Americana em 2019 marcou bastante, mas o grito de campeão finalmente saiu da garganta de sua apaixonada torcida na última Copa da Liga Argentina. O desempenho no Campeonato Argentino propriamente dito não seria tão reluzente, mas o sétimo lugar manteve certa toada. Já na atual Copa da Liga, depois de uma grande sequência inicial, os sabaleros perderam fôlego em março. Ainda assim, permanecem na briga pela classificação. Responsável por grandes momentos nesse atual ciclo, o técnico Eduardo Domínguez deixou Santa Fé no início do ano para dirigir o Independiente. A diretoria, então, apostou num comandante de muita história na Libertadores: Julio César Falcioni, destaque nos tempos de goleiro e que já dirigiu diversos clubes de peso, com menção ao Boca Juniors finalista em 2012. A volta da agremiação ao torneio depois de 12 anos, afinal, merecia uma grande liderança. Em campo, a classe do Colón se concentra no camisa 10: o magistral Pulga Rodríguez. O craque tinha passado recentemente pelo Gimnasia, mas voltou para a Libertadores e segue produzindo suas mágicas, mesmo aos 37 anos. Lideranças importantes nessa ascensão recente permanecem, como o goleiro Leonardo Burián, o zagueiro Paolo Goltz, o meio-campista Rodrigo Aliendro e o ponta Cristian Bernardi. Das perdas, a mais relevante foi a saída do promissor Tomás Chancalay ao Racing. No entanto, os sabaleros também investiram. Wanchope Ábila é a referência no ataque, enquanto Juan Sánchez Miño foi outro atleta rodado a chegar. De qualquer maneira, nem só de experiência é feito o time e há bons jovens para estourar de vez na Libertadores. O zagueiro Facundo Garcés e o meia-atacante Facundo Farías ganham uma ótima vitrine. Já na linha de frente, quem vem rendendo bem é Lucas Beltrán, emprestado junto ao River Plate.

Olimpia comemora classificação contra o Fluminense (Foto: NATHALIA AGUILAR/POOL/AFP via Getty Images/One Football)

Olimpia

O Olimpia dominou o Campeonato Paraguaio com um tetracampeonato, o que não necessariamente se refletia na Copa Libertadores. Porém, depois de perderem a hegemonia nacional, os franjeados até conseguiram mais destaque no torneio continental. O desempenho em 2021 foi muito positivo, com a classificação para cima do Internacional, apesar das goleadas sofridas diante do Flamengo nas quartas. E passar pelas fases prévias não foi problema dessa vez, com vitórias de muito peso para cima de Atlético Nacional e (principalmente) a virada contra o Fluminense. Os olimpistas são dirigidos desde outubro por Julio César Cáceres, ex-zagueiro do clube que também teve bons momentos com a seleção, além de rodar por equipes tradicionais entre América e Europa. Esse início na Libertadores é o que mais empolga, já que as oscilações no Apertura Paraguaio permitiram que Libertad e Cerro Porteño se desgarrassem. Alguns jogadores simbólicos no ciclo vitorioso do Olimpia fizeram as malas, com menção principal ao interminável Roque Santa Cruz, que seguiu com William Mendieta para o Libertad. E não é que os franjeados fizeram grandes movimentações no atual mercado, a exemplo do goleiro Gastón Olveira, que encarou o Flu na Libertadores. Os principais jogadores estavam no grupo. Os olimpistas não abrem mão de medalhões como Antolín Alcaraz, Richard Ortiz, Alejandro Silva, Jorge Recalde e Derlis González. Mas também há jogadores que fazem seus cartazes neste momento, a exemplo do zagueiro Saúl Salcedo, do meia Fernando Cardozo e do centroavante Guillermo Paiva. O rendimento alto de nomes menos badalados valeu bastante para que os alvinegros tirassem oponentes de tanto peso nas etapas anteriores da Libertadores, com uma equipe mais reativa e que correspondeu bem em momentos de urgência.

VEJA MAIS DO GUIA DA LIBERTADORES: 

  • Grupo A: Palmeiras, Emelec, Deportivo Táchira e Independiente Petrolero
  • Grupo B: Athletico Paranaense, Libertad, Caracas e Strongest
  • Grupo C: Nacional, Vélez, Red Bull Bragantino e Estudiantes
  • Grupo D: Atlético Mineiro, Independiente del Valle, Deportes Tolima e América Mineiro
  • Grupo E: Boca Juniors, Corinthians, Deportivo Cali e Always Ready
  • Grupo F: River Plate, Colo-Colo, Alianza Lima e Fortaleza
  • Grupo G: Peñarol, Cerro Porteño, Colón e Olimpia
  • Grupo H: Flamengo, Sporting Cristal, Universidad Católica e Talleres

  • Extra: Guia das origens da Libertadores 2022
  • Mapa: Os 224 clubes da história da Libertadores
Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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