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Guia da Libertadores 2022 – Grupo F: River Plate, Colo-Colo, Alianza Lima e Fortaleza

A chave merece atenção pela força do River Plate e também pela estreia do Fortaleza no torneio continental

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O Fortaleza abre sua história na Copa Libertadores com futebol para chegar longe. E será interessante ver a resposta do time de Juan Pablo Vojvoda, voando baixo desde o ano passado, contra níveis diferentes de adversários no Grupo F. O Colo-Colo deve ser o oponente mais direto pela classificação, enquanto o Alianza Lima exigirá mais do trabalho ofensivo dos tricolores. Já o grande desafio fica para o River Plate, mais uma vez o time de fora do Brasil melhor credenciado para brigar pela taça. A equipe de Marcelo Gallardo costuma levar a fase de grupos em ritmo lento, mas os embates com o Leão do Pici deverão ser exigentes e já exibirão parâmetros aos outros clubes brasileiros que podem encarar os millonarios.

River Plate

Nenhum outro clube estrangeiro da Libertadores merece mais respeito que o River Plate. Os millonarios acabaram frustrados por brasileiros nas últimas três edições. Mesmo assim, não se nega a forma como os portenhos reduzem diferenças financeiras com um trabalho competentíssimo sob as ordens de Marcelo Gallardo – que, afinal, continua mesmo com os rumores de que o comandante não renovaria seu contrato. Um respiro importante veio com a conquista recente do Campeonato Argentino, que tanto fazia falta na vasta galeria de troféus ostentada por Muñeco. Um dos méritos do comandante, aliás, é saber reinventar seu trabalho mesmo com as saídas de jogadores importantes e manter a sede por novos feitos. Por enquanto, o início de 2022 é positivo em Núñez, por mais que a campanha na Copa da Liga acabe ofuscada pelo Racing e pela derrota em casa durante o Superclássico. Qualidade com a bola nos pés, de qualquer forma, não se perde. O River Plate fez um de seus mercados mais ativos desde a chegada de Gallardo. Esequiel Barco e Juan Fernando Quintero são os grandes talentos que surgem no ataque, mas a defesa também inclui várias peças novas – como Leandro González Pírez, Marcelo Herrera, Elías Gómez e o recontratado Emmanuel Mammana. Outro “reforço” até o meio do ano é a permanência de Julián Álvarez, mesmo já vendido ao Manchester City. O garoto, aliás, continua gastando a bola e permanece na artilharia dos millonarios. Também será a primeira campanha na Libertadores sem o capitão Leo Ponzio desde o início da reconstrução na segundona. Ídolos como Franco Armani, Milton Casco e Enzo Pérez continuam formando a espinha dorsal. Outro que merece menção especial é o ótimo Agustín Palavecino, que se afirmou no recente título. De qualquer forma, o mérito da etapa atual do trabalho é a forma como novas revelações da base ganham espaço. Santiago Simón na ponta e Enzo Fernández no meio são outros ótimos pupilos de Gallardo.

Brayan Cortés, do Colo-Colo e da seleção (ALBERTO VALDES/POOL/AFP via Getty Images/One Football)

Colo-Colo

O Colo-Colo vive uma grande montanha-russa durante os últimos anos. Correu riscos de rebaixamento no Campeonato Chileno de 2020, mas se safou de maneira dramática na reta final. Já na edição passada da liga nacional, o Cacique parecia pronto a recuperar o título, até derrapar e permitir a ultrapassagem da Universidad Católica. Apesar de tudo isso, os colocolinos seguem confiando no técnico Gustavo Quinteros, desde outubro de 2020 no cargo. É um comandante com bagagem respeitável, com grandes trabalhos por Emelec e Católica, além do comando das seleções de Bolívia e Equador. Por enquanto, a continuidade se paga com os bons resultados no início de 2022. Os Albos conquistaram a Supercopa do Chile e, depois de um início trôpego, passaram a emendar goleadas até assumirem a liderança do Campeonato Chileno. Já na Libertadores, o desafio é superar as costumeiras frustrações nos grupos, com só uma aparição nos mata-matas durante os últimos 15 anos. Entre os jogadores que contribuem para o bom momento do Colo-Colo estão reforços recentes. O centroavante Juan Martín Lucero chegou do Tijuana já acumulando gols e ocupando a lacuna deixada pelo garoto Iván Morales, que saiu ao Cruz Azul. Também é importante na armação o meia Leonardo Gil, que estava no Al Ittihad. Há um número razoável também de jogadores pinçados na própria base dos colocolinos e outras jovens adições, a exemplo do ponta Pablo Solari, comprado em definitivo do Talleres após empréstimo. Dos nomes mais antigos, o goleiro Brayan Cortés é um ponto de confiança, em boa fase inclusive na seleção chilena, assim como o zagueiro argentino Emiliano Amor. O volante Esteban Pavez e o lateral Gabriel Suazo são outros presentes nas convocações recentes da Roja. Mais à frente, o meia Gabriel Costa acumula chances na seleção peruana e também vive um início de ano positivo com o Cacique. Os últimos meses não permitem cravar tanta coisa sobre os Albos. Mas, levando em conta a capacidade de Quinteros no geral, é time para pelo menos incomodar.

Alianza Lima comemora o título peruano de 2021 (divulgação/Alianza Lima)

Alianza Lima

Se a vida do Colo-Colo mudou bastante ao longo da pandemia, a situação do Alianza Lima é ainda mais extrema. Os Potrillos foram rebaixados no Campeonato Peruano de 2020, em fracasso causado muito mais por erros de planejamento e futebol ruim do que necessariamente por uma situação mais preocupante nos bastidores. Uma virada de mesa possibilitou a permanência na elite e, quem diria, o próprio Alianza seria o campeão nacional em 2021. Tal salto corresponde à aposta em jogadores mais tarimbados e também no técnico argentino Carlos Bustos, de carreira que possui momentos relevantes em clubes do México e também equipes menores do Peru. Foi ele quem assumiu a bucha em janeiro de 2021 e possibilitou tamanha renovação de ares aos blanquiazules, com um time pragmático. A questão é que o início de 2022 volta a se tornar claudicante, com apenas uma vitória nas primeiras seis rodadas do Campeonato Peruano e um modestíssimo 15° lugar. Emplacar na Libertadores seria um salto, até porque o Alianza não chega às oitavas desde 2010. Os nomes que mais chamam atenção no Alianza Lima estão no ataque. O ídolo Jefferson Farfán voltou para liderar tal renascimento, mas emenda lesões. Outra figurinha carimbada é o centroavante Hernán Barcos, que foi o artilheiro da equipe na campanha passada. Ainda há na defesa a presença do zagueiro Christian Ramos, trazido nesta temporada e com uma bagagem respeitável na seleção. O zagueiro Pablo Míguez e o volante Josepmir Ballón terminam de compor essa ala de destaques acima dos 33 anos. Porém, dentro do contexto continental, é difícil imaginar os Potrillos brigando. As dificuldades de renovação são expressas e mesmo a vinda de Cristian Benavente, meia que estava no Pyramids, parece insuficiente para trazer boas perspectivas. Garantir uma vaga na Copa Sul-Americana já seria mais que satisfatório aos blanquiazules.

O Fortaleza comemora

Fortaleza

O Fortaleza irá apenas estrear na Copa Libertadores, mas certamente será das equipes que mais merecerão atenção no torneio continental. Há uma empolgação clara ao redor do Leão do Pici, o que se fez visível mesmo na curta participação anterior na Copa Sul-Americana. O sucesso se consolida ainda mais desde a chegada do ótimo Juan Pablo Vojvoda e, no último Brasileirão, os tricolores colecionaram atuações vistosas. Mais importante, o time segue bastante competitivo e já teria outro motivo para comemorar neste final de semana, com a conquista da Copa do Nordeste. A crescente dos cearenses durante os últimos anos torna essa classificação para a Libertadores um passo muito merecido e será a vez de consolidar o nome do clube além das fronteiras, sobretudo numa chave com tantos adversários tradicionais. Mesmo assim, os estreantes são candidatíssimos à classificação para os mata-matas. O impacto do Fortaleza no último Campeonato Brasileiro resultou em uma série de vendas. A lista extensa de jogadores que deixaram o Tricolor inclui Éderson, Bruno Melo e David, além de veteranos que já vinham sem a mesma unanimidade, como Osvaldo e Wellington Paulista. Marcelo Benevenuto, Titi, Tinga e Matheus Jussa oferecem uma continuidade, enquanto Yago Pikachu e Lucas Crispim são fundamentais na ligação. A diretoria também se mexeu bastante para garantir vindas de jogadores já entre as principais opções, como Renato Kayzer, José Welison e Juninho Capixaba. Também houve uma clara procura por atletas estrangeiros para a competição internacional, a exemplo de Anthony Landázuri, Silvio Romero e Ángelo Henríquez. Vojvoda parece o nome certo para seguir esse processo de encaixe e potencialização de seus jogadores. Com um estilo de jogo agressivo e que não teme a camisa do adversário, o Leão do Pici vem de um bom teste de fogo no Brasileirão e tem ótimas condições de emplacar também na Libertadores.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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