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Guia da Libertadores 2022 – Grupo E: Boca Juniors, Corinthians, Deportivo Cali, Always Ready

Dois pesos pesados como Boca e Corinthians dividem o protagonismo da chave, que tem ainda o perigoso Deportivo Cali e a altitude do Always Ready

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O Boca Juniors chega como cabeça de chave deste grupo, que traz outro campeão, o Corinthians, e um clube de tradição, o Deportivo Cali. O Always Ready é o novato e será também o azarão, já que é claramente o time mais fraco da chave. O time argentino e o brasileiro são os favoritos a avançarem, mas terão que lidar com a ameaça colombiana, além de tomar cuidado com a altitude de La Paz para não perder pontos que podem ser cruciais no caminho.

Boca Juniors

O momento do Boca Juniors é incômodo. Os xeneizes permanecem como uma camisa respeitadíssima no continente, mas lidam com as conquistas recentes do River Plate e veem o jejum continental se aproximar dos 15 anos. O time atual chega credenciado pelo título na Copa Argentina e por um bom início de campanha na Copa da Liga, incluindo a vitória no clássico. Mas acaba dependendo bem mais de um estilo aguerrido do que da imposição, sob as ordens do antigo ídolo Sebastián Battaglia, um novato no posto de treinador. Pelo menos, a classificação para as oitavas de final não tem sido um problema para os boquenses e não parece, mais uma vez, dentro do Grupo E.

O Boca Juniors não teve perdas tão expressivas neste começo de ano e trouxe algumas boas peças. O ídolo Darío Benedetto retornou de sua passagem pela Europa, enquanto Óscar Romero é alternativa na armação. Pol Fernández e Nicolás Figal ajudam a encorpar o elenco. E os xeneizes preservam protagonistas de outros momentos, com menção especial a Sebastián Villa, brilhando no início de ano. Frank Fabra e Agustín Rossi são outros que aparecem bem na defesa, escorados por medalhões como Marcos Rojo e Luis Advíncula. Olho também nos mais jovens que se firmam. Luis Vázquez entrou muito bem no ataque durante o clássico contra o River, ainda com Exequiel Zeballos convocado à seleção para ser observado na ponta. Aaron Molinas e Cristian Medina são revelações no meio.

Willian, do Corinthians (Rodrigo Coca / Agência Corinthians)

Corinthians

O Corinthians chegou à Libertadores 2022 com uma ótima campanha no Campeonato Brasileiro 2021, ainda que cheio de questionamentos especialmente ao seu técnico. O time se reforçou muito no meio da temporada passada, com nomes de peso como Willian, Renato Augusto e Roger Guedes. A queda do técnico Silvynho no começo desta temporada passou longe de ser uma surpresa e ainda há uma expectativa que o time possa render mais do que conseguiu neste início de temporada. A chegada do técnico português Vítor Pereira é uma esperança de tirar mais desses jogadores que formam um ótimo elenco.

O principal jogador do time é o meia Renato Augusto. O camisa 8 é o principal organizador do time, capaz de abrir espaços e ditar o ritmo da equipe. Willian ainda sofre com lesões, mas já mostrou que segue em alto nível. Roger Guedes conseguiu boas atuações até como centroavante. Além desses jogadores, o time contratou ainda o goleiro Iván, da Ponte Preta, que chega como reserva de Cássio, Paulinho, com história no clube, o volante Maycon e também o atacante Júnior Moraes, ambos vindos do Shakhtar Donetsk. Com esses reforços, o Corinthians espera avançar ao mata-mata, mesmo em um grupo que oferece dificuldades.

Teo Gutiérrez (dir.) do Deportivo Cali (RAUL ARBOLEDA/AFP via Getty Images)

Deportivo Cali

O Deportivo Cali encerrou 2021 num clima de redenção. Os alviverdes conquistaram o Torneio Finalización do Campeonato Colombiano e encerraram um jejum de seis anos sem o título nacional. Ainda tinham uma grande história no banco de reservas: Rafael Dudamel, ídolo nos tempos de goleiro, assumiu os Azucareros e conduziu a conquista. A chegada do novo treinador aconteceu no meio da campanha, diante do rendimento ruim, e ele mesmo não vinha de bons trabalhos. Apesar disso, a guinada na reta final levou à fase final e o time cresceu no momento certo. O problema é que, se o embalo anterior podia levar a crer um bom desempenho na Libertadores, o começo no Apertura Colombiano é tenebroso. A equipe só venceu três partidas das primeiras 14 na liga e ocupa a vice lanterna, sem qualquer chance de classificação.

Uma das explicações à queda de rendimento está na saída de protagonistas. Harold Preciado foi o principal artilheiro, com ótimo rendimento na fase decisiva, e rumou ao Santos Laguna. Também fez as malas o volante Jhojan Valencia, assim como o zagueiro Hernán Menosse. Os reforços foram muitos, incluindo Guillermo Burdisso para a zaga e Agustín Vuletich para o comando do ataque, assim como o empréstimo de Yony González. Contudo, os alviverdes perderam o fio da meada. O zagueiro Jorge Marsiglia, o volante Andrés Balanta, o meia Kevin Velasco e o interminável Teo Gutiérrez são remanescentes do título que poderiam fazer a diferença na Libertadores. Mas, diante do rendimento tão ruim no Colombiano, competir com Boca Juniors e Corinthians parece desde já difícil. A equipe precisará redescobrir virtudes, entre a defesa segura e o futebol vertical que culminaram no título recente.

Gustavo Cristaldo, paraguaio do Always Ready (divulgação)

Always Ready

O Always Ready será um time com uma grande vantagem: a altitude. O time jogará em La Paz, onde tem os 3.600 metros a seu favor. O time foi vice-campeão boliviano na temporada passada, razão pela qual se classificou diretamente à fase de grupos. Nesta temporada, o time começou mal, com duas vitórias, dois empates e três derrotas em sete jogos. O técnico do time é Eduardo Villegas, que comandou o time em 2020 e volta ao clube em 2022 para tentar fazer história. Ele estava no Blooming em 2021.

A equipe atual tem alguns nomes bastante conhecidos, tanto na Bolívia quanto no Brasil. Alejandro Chumacero, por exemplo, já esteve no Brasil atuando pelo Sport e é um nome histórico do Strongest. Aos 30 anos, foi contratado nesta temporada pelo Always Ready. O camisa 10 é Gustavo Cristaldo, paraguaio, ex-Libertad, que nada tem a ver com aquele jogador ex-Palmeiras, que é o argentino Jonathan Cristaldo e está no Newell’s. Ainda tem o atacante Kelvin, ex-Porto, Palmeiras, São Paulo e Vasco, um raro brasileiro Ono futebol boliviano. O atacante mais veterano é Juan Carlos Arce, ex-Corinthians, que esteve no clube brasileiro justamente em um dos piores anos da história do clube, em 2007, no rebaixamento. O jogador atualmente tem 36 anos e acumula passagens por Oriente Petrolero e Bolívar. Para o time boliviano, qualquer coisa para além de último lugar na chave será lucro.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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