Libertadores

Guia da Libertadores 2022 – Grupo D: Atlético Mineiro, Independiente del Valle, Tolima e América Mineiro

O campeão brasileiro não terá vida fácil na fase de grupos - embora ainda seja um dos favoritos ao título

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O Atlético Mineiro entra na Libertadores como um dos três brasileiros mais fortes e candidato ao título, mas terá alguns obstáculos na fase de grupos. Terá um duelo familiar com o América Mineiro, contra o qual domina o confronto direto, sem perder desde 2016. Mas às vezes rola um empate aqui e ali. Seu grande rival será o Independiente del Valle, recém-coroado campeão equatoriano pela primeira vez. O Tolima, com um estilo de jogo de forte defesa e contra-ataque, também pode complicar. É favorito para passar, até em primeiro lugar, mas não será um passeio.

Atlético Mineiro

Após conquistar o Brasil, agora é a América do Sul e talvez o mundo. Não falta ambição ao projeto do Atlético Mineiro, que conta com um dos elencos mais estrelados do continente. Esportivamente, todo o investimento dos últimos anos foi pago com a temporada passada, na qual conquistou a histórica dobradinha, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Foi uma eliminação dura para o Palmeiras nas semifinais da Libertadores, confronto para o qual era teoricamente favorito. Mas a Libertadores é assim mesmo. Você a ganha quando a disputa várias vezes em sequência até encontrar uma campanha em que tudo se encaixa. E o Atlético Mineiro chega de novo como um dos favoritos. Com novo técnico. Cuca saiu para mais um sabático “por motivos pessoais” e deu lugar a Antonio “El Turco” Mohamed, que conquistou a Copa Sul-Americana com o Independiente e foi especialmente vitorioso no futebol mexicano, no qual levou o título nacional com três clubes diferentes (Tijuana, América e Monterrey). Começou no Galo com uma campanha dominante no Campeonato Mineiro, líder da primeira fase e sem problemas no mata-mata, inclusive na final contra o Cruzeiro. Não foi à toa. O Galo tem muita qualidade em seu elenco, começando pela defesa, com Júnior Alonso, a experiência de Réver e Diego Godín e o ótimo Nathan Silva. Guilherme Arana é um dos melhores laterais do Brasil. Allan, Jair e Tchê Tchê sustentam o meio-campo. Nacho Fernández foi um grande reforço para a criação, e Matías Zaracho teve ótimos momentos. E quando a bola chega ao ataque, reforçado por Ademir, destaque do América Mineiro, há muitas opções para colocá-la para dentro. Nenhuma melhor que Hulk, o craque da última temporada do futebol brasileiro.

O Independiente del Valle campeão equatoriano (Foto: Liga Pro)

Independiente del Valle

Foi um ano de reformulação para o Independiente del Valle. E de fazer história. Miguel Ángel Ramírez saiu, Renato Paiva chegou. Ex-treinador das categorias de base do Benfica, Paiva conseguiu uma ótima classificação na fase preliminar da Libertadores, contra o Grêmio, mas foi eliminado na fase de grupos – em uma chave forte, com Palmeiras e Defensa Y Justicia. Na Copa Sul-Americana, não passou das oitavas de final, eliminado pelo Red Bull Bragantino. Mas o ápice viria no Campeonato Equatoriano. Melhor time do segundo turno, o Del Valle garantiu vaga na decisão e se impôs contra o Emelec para conquistar o seu primeiro título da liga nacional. Feito marcante para acompanhar as boas campanhas que vinha fazendo no cenário internacional. Na Libertadores em si, no entanto, está devendo. Não emplaca uma grande participação desde que foi finalista em 2016, com apenas uma oitavas de final. A escolha por Paiva para seu primeiro trabalho em um time principal foi uma aposta, mas fazia sentido. Um profissional com histórico nas categorias de base de um dos melhores formadores da Europa poderia cair como uma luva em um projeto que valoriza bastante os jovens. O time que conquistou o Campeonato Equatoriano teve Junior Sornoza, de volta, puxando as cordinhas, mas também um contingente de garotos, como José Hurtado, negociado com o Red Bull Bragantino, o também lateral Jhoanner Chávez e o goleiro Moises Ramírez. Mateo Carabajal foi contratado ainda ano passado para ajudar Richard Schunke na defesa, e Pedro Perlaza dá mais opções pelas laterais. Se a bola chegar à frente, a chance de gol é alta: Jonathan Bauman foi o artilheiro do Campeonato Equatoriano, com 26 gols.

Daniel Cataño (esq), do Tolima (Foto: RAUL ARBOLEDA/AFP via Getty Images/One Football)

Tolima

Fez um ano muito bom no Campeonato Colombiano. Ganhou o Apertura e chegou à decisão do segundo turno, derrotado pelo Deportivo Cali. No combinado, foi o time que mais somou pontos na temporada nacional. Decepcionou no cenário continental. Na Copa Sul-Americana, caiu no grupo do Red Bull Bragantino, que chegaria até a final, mas foi eliminado como lanterna, com três empates, três derrotas e nenhuma vitória. Não está na chave mais fácil para emplacar oitavas de final, mas pode ser um problema aos adversários com sua forte defesa e bola parada eficiente. Hernán Torres comanda o Tolima desde 2020, um trabalho relativamente longo para os padrões sul-americanos. Técnico experiente que também conquistou títulos com o Millonarios e o Melgar, do Peru, e estava no banco de reservas do Tolima na famosa vitória sobre o Corinthians em 2011. O goleiro Álvaro Montero saiu para o Millonarios e foi substituído por Alexander Domínguez. O zagueiro Sergio Mosquera é uma ameaça no ataque, sinal de como a sua bola parada é forte, com 13 gols pelo Campeonato Colombiano e Copa Sul-Americana ano passado. David Ríos é uma engrenagem importante no meio-campo, e parte da criação fica por conta do meia Daniel Cataño, um camisa 10 habilidoso à moda antiga.

Jaílson, do América Mineiro (Foto: RODRIGO BUENDIA/AFP via Getty Images/One Football)

América Mineiro

Estreando na Libertadores, se a campanha do América Mineiro terminasse agora, já seria épica. As classificações nas fases preliminares, com viradas, gols no fim e duas disputas de pênalti, contra Guaraní e Barcelona de Guayaquil, equipes mais acostumadas com a competição e que fizeram boas campanhas em anos recentes, enchem o torcedor do Coelho de orgulho. Mas não é hora de se contentar. É hora de sonhar mais alto e tentar brigar por vaga nas oitavas de final ou pelo menos continuar na Copa Sul-Americana. Se no meio do caminho der para atrapalhar o Atlético Mineiro, melhor ainda. O oitavo lugar no Brasileirão, logo depois de conseguir mais um acesso, valeu a vaga na Libertadores, um ano depois de uma campanha histórica na Copa do Brasil, chegando às semifinais com vitórias sobre Corinthians e Internacional. Momento especial para o América, agora treinado por Marquinhos Santos, contratado em outubro para o lugar de Vagner Mancini, que havia saído para tentar salvar o Grêmio do rebaixamento. Técnico jovem, mas com muita rodagem. O veterano Jaílson foi o grande destaque na terceira fase preliminar, com defesas excepcionais enquanto a bola rolava e depois nas cobranças de pênalti. O também veterano Wellington Paulista ainda consegue fazer suas coisas no ataque, reforçado por Aloísio, ex-São Paulo, repatriado após cinco anos no futebol chinês. VEJA MAIS DO GUIA DA LIBERTADORES: 


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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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