Libertadores

Grupo G: Flamengo, LDU Quito, Vélez Sarsfield e Unión La Calera

Flamengo enfrentará um dos grupos mais cascudos desta Libertadores

O time a ser batido

O Flamengo pode ter decepcionado na busca pela reconquista da Libertadores em 2020, num momento de altos e baixos. Ainda assim, para muita gente, conta com o melhor elenco do continente. O potencial é claro quando parte da base campeã em 2019 continua preservada. A espinha dorsal é muito parecida com a que derrotou o River Plate na épica virada em Lima, embora o nível individual de vários destaques caiu e o furor coletivo se perdeu desde a saída de Jorge Jesus. Rogério Ceni tenta desenvolver seu trabalho, sob desconfianças por muitas de suas escolhas, mas isso não parece ser suficiente para mudar o favoritismo rubro-negro. O time, afinal, continua estreladíssimo e com muitos recursos sobretudo no ataque, com reservas que poderiam ser titulares na maioria absoluta dos concorrentes. Não será, entretanto, um grupo fácil. A LDU Quito já causou incômodo em 2019, o Vélez vem com boas promessas e o Unión La Calera cresce bastante no Chile.

A possível surpresa

O Unión La Calera passa longe do peso da camisa de seus concorrentes no Grupo G. Todos os outros possuem taças da Libertadores em seu museu, enquanto os chilenos apenas farão sua estreia na competição. Ainda assim, não podem ser descartados de imediato apenas por essa falta de tradição. Os Cementeros retornaram à elite do Campeonato Chileno em 2017. Nas duas primeiras participações, fizeram boas campanhas que perderam fôlego no fim, enquanto em 2020 terminaram com o vice-campeonato. Além disso, eliminaram o Fluminense e deram trabalho ao Atlético Mineiro nas edições anteriores da Copa Sul-Americana. Um dos grandes responsáveis por esse impacto foi o treinador Juan Pablo Vojvoda, mais um que dirigiu o Defensa y Justicia. O argentino, porém, deixou os Rojos em fevereiro após comum acordo com a diretoria. O atual comandante é Luca Marcogiuseppe, argentino sem muita experiência como técnico principal, mas que trabalhou como analista de Marcelo Bielsa no Athletic Bilbao e treinou a base de clubes tradicionais em seu país – incluindo Racing e Gimnasia de La Plata. Com muitos jogadores tarimbados, o time começou bem a nova edição do Chileno.

O jogão

O duelo entre Flamengo e Vélez é o mais esperado pelo potencial dos times, assim como pela tradição. Porém, o que pesa ainda mais para atiçar interesse no reencontro entre brasileiros e argentinos é o histórico. Em 1995, os dois clubes protagonizaram uma das mais famosas batalhas campais na Supercopa de 1995, num confronto em que o Fla do “Ataque dos Sonhos” eliminou o poderosíssimo Vélez que vinha do título mundial meses antes. Depois disso, até rolaram seis jogos, dois pela própria Supercopa em 1997 e quatro pela Copa Mercosul. Mas, pela Libertadores, será a primeira vez entre flamenguistas e velezanos.

Pablo Repetto, técnico da LDU (Bruna Prado/Getty Images/OneFootball)

O desafio geográfico

A altitude de Quito, a 2.850 metros do nível do mar, é uma das mais temidas na Libertadores. A subida nem é tão grande quanto a outras cidades, como La Paz. Porém, a qualidade dos clubes equatorianos, aliada a essa dificuldade na adaptação, tantas vezes se transforma em fatal. A LDU Quito está entre os times que melhor sabem usar esse fator, com dois títulos continentais no currículo, incluindo a Libertadores de 2008. O Santos até venceu no Estádio Casa Blanca em 2020, mas os Blancos somam 35 vitórias e apenas nove derrotas em casa desde que se tornaram mais habituados à Libertadores a partir de 1999. Some-se a isso a boa tarimba do elenco atual, com nomes experientes como Adrián Gabbarini, Pablo Perlaza, Matías Zunino e Cristian Martínez Borja, além do bom Jhojan Julio. O técnico é o uruguaio Pablo Repetto, à frente da equipe desde 2017, além de vice-campeão da Libertadores com o Independiente del Valle em 2016.

Señor Libertadores

Diego Ribas atravessou quase a carreira inteira disputando competições continentais. Na Europa, a história é vasta. Foi contratado pelo Porto logo após o título da Champions, liderou o Werder Bremen à final da Copa da Uefa e também seria importante aos sucessos do Atlético de Madrid, campeão da Liga Europa e vice da Champions. Ainda assim, sua ligação com a Libertadores também é bem forte. O então adolescente seria uma das figuras no Santos que voltou à final em 2003. Já no Flamengo, virou uma liderança evidente, primeiro nas decepções e depois na glória. Diego, afinal, ajudaria a mudar a história da decisão de 2019 ao sair do banco de reservas e participar da virada em Lima. São seis edições distintas no torneio, com 11 gols anotados.

Mauricio Pellegrino, técnico do Vélez (Foto: Imago / One Football)

O técnico

Mauricio Pellegrino possui o Vélez correndo em suas veias. O zagueiro fazia parte da equipe multicampeã nos anos 1990. Seguiu como um nome notável no José Amalfitani até 1998, quando rumou para a Europa e fez sucesso sobretudo no Valencia. Tal história permitiu que Pellegrino virasse assistente de Rafa Benítez, antes de assumir os Ches. Passou por Estudiantes e Independiente, até fazer um trabalho expressivo no Alavés. Também dirigiu Southampton e Leganés. Já em abril de 2020, atendeu o chamado de volta para casa, à frente do Vélez. Substituindo Gabriel Heinze, Pellegrino realiza um bom papel. O Fortín é o líder de sua chave na Copa da Liga, com seis pontos de vantagem, mesmo depois de tomar um 7 a 1 do Boca Juniors. Dentro de campo, o técnico é conhecido pelas variações táticas e por tentar ser protagonista através das ideias ofensivas. Seu Vélez possui jogadores tarimbados como Ricky Álvarez, Federico Mancuello e Ricardo Centurión, embora a grande sensação seja o meia Thiago Almada, que possui muita qualidade técnica e é destaque aos 19 anos – numa boa fornada velezana que já vendeu outras promessas. Na frente, Juan Martín Lucero também se sobressai, depois de chegar do Tijuana.

O repatriado

Jorge Valdívia não voltou agora ao Chile, mas é certamente um dos maiores trotamundos do Grupo G da Libertadores. El Mago possui sua história mais forte com o Palmeiras, mas também rodou por vários países. Seu currículo inclui passagens por Espanha, Suíça, Emirados Árabes Unidos e México, além do Brasil. O primeiro retorno ao Chile aconteceu em 2017, quando assinou novamente com o Colo-Colo, que o projetou. O meia deixaria o Cacique em 2020, jogando no Monarcas Morelia, depois rebatizado como Mazatlán. Voltou na reta final do Chileno, para tentar evitar o rebaixamento dos colocolinos e, sem fazer muito, seguiu ao Unión La Calera para a Libertadores. O meia tem saído do banco no início do Campeonato Chileno, mas já contribuiu com um gol na boa campanha dos atuais vice-líderes.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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