Libertadores

Grupo F: Nacional de Montevidéu, Universidad Católica, Argentinos Juniors e Atlético Nacional

O grupo sem brasileiros é um dos mais equilibrados desta edição

O time a ser batido

Não dá para dizer necessariamente que há um time a ser batido no Grupo F. Todas as equipes parecem ter condições próximas de classificação, além de tradição no torneio. Porém, o Nacional de Montevidéu é quem carrega uma história mais rica e um histórico recente mais relevante. Os uruguaios são recordistas em participações na Libertadores, agora com uma a mais que o rival Peñarol, e possuem três títulos no currículo. Além disso, que as campanhas recentes não sejam tão retumbantes, os tricolores estiveram nos mata-matas em quatro das últimas cinco edições. Resta saber qual será a real capacidade do Bolso, depois de uma temporada bastante acidentada. O Nacional não conquistou o Apertura ou o Clausura, mas levou o título final do Campeonato Uruguaio. Além disso, foram três treinadores ao longo da campanha, até a chegada de Alejandro Capuccio (vice com o Rentistas) para 2021. O elenco possui muitos jovens da base, amparado especialmente pelo binômio formado pelo goleiro Sergio Rochet e pelo centroavante Gonzalo Bergessio. Andrés D’Alessandro, contudo, é uma baita novidade.

A possível surpresa

O Atlético Nacional não é exatamente um azarão, considerando a história de um clube que possui dois títulos da Libertadores e que, dentre os quatro concorrentes, é quem levou a taça mais recente. Ainda assim, os Verdolagas tendem a ser menos cotados por terem saído das fases preliminares. Não deveria ser assim. Os colombianos já exibiram suas credenciais nesta edição da Libertadores, ao atropelarem o Guaraní e também golearem o Libertad, depois da derrota no primeiro jogo. O time possui um bom treinador, Alexandre Guimarães, que dirigiu a Costa Rica em duas Copas do Mundo. O alagoano já tinha feito um excelente trabalho no América de Cali, encerrando um jejum de 11 anos dos Escarlatas na primeira divisão, e começa 2021 na liderança do Apertura com o Atlético Nacional. Além disso, os recursos técnicos são evidentes, sobretudo do meio para frente. O ponta Andrés Andrade gastou a bola nas fases anteriores, mas os paisas ainda contam com jogadores de renome como Jarlan Barrera e Jefferson Duque. Também contrataram Jonathan Álvez, uruguaio que virou figurinha carimbada nas últimas edições da Libertadores, com destaque maior no Barcelona de Guayaquil.

Andrade, do Atlético Nacional (Foto: Imago / One Football)

O jogão

Nacional de Montevidéu e Atlético Nacional possuem um histórico considerável nas competições continentais. São seis confrontos entre as equipes. Os gigantes se pegaram na fase de grupos da Libertadores de 2014 e também na semifinal da primeira edição da Copa Sul-Americana, em 2002, quando os Verdolagas avançaram. De qualquer maneira, os duelos mais emblemáticos ocorreram na primeira fase da Supercopa de 1989. Os colombianos tinham vencido a Libertadores meses antes, substituindo os próprios uruguaios no trono. Cada time venceu um jogo na ocasião, mas o timaço de Medellín, base da seleção nacional também treinada por Pacho Maturana, avançou no placar agregado.

Desafio geográfico

O Grupo F não possui viagens complicadas ou a cordilheira para subir. A viagem mais longa será para Medellín, com três times ao sul viajando ao norte do continente, mas sem que a altitude seja realmente um problema nos morros da Antioquia. Simbolicamente, talvez o maior desafio a se encarar esteja no coração de La Paternal, o bairro onde está localizado o Argentinos Juniors. Serão de um simbolismo imenso as partidas no Estádio Diego Armando Maradona, pela primeira vez no torneio após a morte do gênio. A casa do Bicho Colorado virou um dos pontos de peregrinação após a morte de Maradona, com várias referências ao amado ‘Pelusa’, como era conhecido o prata da casa que transformou a história do clube. Se a torcida estivesse liberada, seria também um caldeirão a mais. O Argentinos Juniors, ainda assim, possui outras credenciais na volta ao torneio após dez anos, em sua quarta participação – o campeão que menos jogou a Libertadores. Os portenhos se mantiveram entre os primeiros no Campeonato Argentino e na Copa Diego Armando Maradona, ainda que o desempenho na atual Copa da Liga seja modesto. O treinador é Gabriel Milito, que ainda tenta firmar a nova carreira.

D’Alessandro é apresentado em Montevidéu (Foto: Nacional)

Señor Libertadores

A torcida do Nacional aguarda ansiosamente a estreia de Andrés D’Alessandro. O maestro foi anunciado como reforço em janeiro, mas estaria à disposição apenas para a temporada 2021. Assim, os tricolores passaram a contar com o novo líder em seus corredores, mas não em campo. A Libertadores reabre as portas para o camisa 10 brilhar no terreno que tanto conhece. D’Alessandro soma 91 partidas pela competição continental, ocupando a sexta posição entre os jogadores que mais atuaram na história do torneio. Superar Ever Hugo Almeida, com 113 jogos na liderança, é improvável aos 40 anos. Porém, com mais cinco atuações, parece viável a D’Ale entrar no pódio. São 11 Libertadores no currículo do maestro, a primeira em 2001 com o River Plate, mas a mais importante em 2010, quando foi um dos protagonistas no bicampeonato do Internacional. Uma das últimas grandes atuações da lenda colorada no Beira-Rio, aliás, aconteceu exatamente contra o Nacional, nas oitavas da Libertadores de 2019.

O técnico

Dentro do próprio país, a Universidad Católica é o clube que mais tem acumulado sucessos entre os membros do Grupo F. Os Cruzados são tricampeões chilenos, um feito inédito consumado em 2020. Todavia, tal impacto doméstico não repercute na Libertadores e a Católica não alcança as oitavas desde 2011. Uma das razões são os grupos duros, em especial em 2020, ao lado de Inter e Grêmio. Além do mais, as trocas de treinadores têm sido uma constante. Cada um desses títulos foi levado por um técnico diferente – Beñat San José, Gustavo Quinteros e Ariel Holan, o último a sair ao aceitar a proposta do Santos. Agora a direção é de Gus Poyet. O antigo meio-campista da seleção uruguaia não chegou a disputar a Libertadores, fazendo carreira na Europa, sobretudo com Zaragoza e Chelsea. E o trabalho como técnico também se concentra no futebol europeu. Poyet começou muito bem no Brighton, levando as Gaivotas à Championship, e depois ganhou uma chance no Sunderland. A partir de então, as experiências seriam mais curtas, em AEK Atenas, Betis, Shanghai Shenhua e Bordeaux. A Católica foi inteligente em sua observação para substituir Holan e traz o charrua à primeira empreitada na América do Sul. A equipe levou a Supercopa do Chile e começa bem na liga. É um elenco rodado, calcado em jogadores como Matías Dituro, José Pedro Fuenzalida, Luciano Aued, Diego Buonanotte, Edson Puch e Fernando Zampedri.

O repatriado

A maior parte dos reforços do Argentinos Juniors nesta temporada se concentra no ataque. E o Bicho Colorado resolveu apostar num argentino que vinha fazendo história na própria América do Sul, o centroavante Emanuel Herrera. Formado pela base do Rosario Central, o atacante nunca jogou profissionalmente pelos rosarinos e rodou um bocado a partir de 2011, quando deixou a Argentina. Jogou no Chile, na França, no México e no Equador, até desembarcar no Peru. Chegou a ter números razoáveis por Montpellier, Emelec e Unión Española, mas nada comparado ao que produziu no Sporting Cristal. Herrera marcou 70 gols em 94 partidas pelos celestes, com dois títulos e duas artilharias. Em 2018, quebrou o recorde de gols em uma edição do Campeonato Peruano, com 40 tentos. Já em 2020, foi eleito o melhor jogador da liga, antes de aceitar a proposta do Argentinos Juniors. Por Libertadores, tem 13 gols em 30 partidas. Em La Paternal, por enquanto, é reserva com Gabi Milito.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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