Libertadores

Grupo A: Palmeiras, Defensa Y Justicia, Independiente del Valle e Universitario

O grupo do atual campeão é bem encardido

O time a ser batido no grupo

O atual campeão costuma ser o time a ser batido. Não é tão diferente neste caso. Mas é um pouco porque o começo de temporada do Palmeiras não tem sido bom. Há explicação para isso, como o excesso de jogos da temporada passada, a ausência de pré-temporada, três decisões, um clássico e o Botafogo de Ribeirão Preto em menos de dez dias. O que não quer dizer que a queda de rendimento não exista. Embora os paulistas comecem o grupo como favoritos, haverá um equilíbrio muito grande entre as três principais forças. Uma delas é o mesmo Defensa Y Justicia que levou a Recopa Sul-Americana à disputa dos pênaltis e a venceu. A outra, o Independiente del Valle, eliminou o Grêmio e tem um dos melhores projetos de longo prazo do continente – justamente por causa dele, talvez a troca recente de treinador não pese tanto.

A possível surpresa

Se o Universitário, vice-campeão peruano, ficasse com uma das vagas nas oitavas de final, seria uma grande surpresa. Não parece possível, logo, não atende aos requisitos desta categoria. Por outro lado, nenhuma configuração que tenha os três outros times nas três primeiras colocações seria de fato surpreendente. O Palmeiras em terceiro lugar seria inesperado, mas não chocante por todo o contexto deste começo de temporada e pela dificuldade dos adversários. Por eliminação, como o atual campeão da Libertadores e o atual campeão da Sul-Americana raramente são surpresas, ficamos com o Independiente del Valle. É um time que chegou das fases preliminares e acabou de trocar de treinador. O Defensa Y Justicia também, mas já sabe o que esperar de Becaccece, ao contrário de Renato Paiva, experiente na formação de jogadores do Benfica, inexperiente à frente de times profissionais. Mas também, a esta altura, só se surpreende com o Del Valle quem quer.

O jogão

Qualquer combinação entre Palmeiras, Defensa Y Justicia e Independiente del Valle entregará um jogo interessante. A repetição da final da Recopa seria uma escolha óbvia, mas, no fundo, se tudo correr dentro do equilíbrio esperado, o jogão do grupo pode ser o Defensa x Del Valle da última rodada, talvez valendo a sobrevivência na competição, talvez valendo a liderança.

O desafio geográfico

Temos um time de São Paulo, um da província de Buenos Aires, outro de Lima e outro dos arredores de Quito. Não é o melhor grupo para quem tem espírito aventureiro. A altitude de Quito é chata, mas, em cerca de 2.800 metros do nível do mar, não é uma das mais desafiadoras da Libertadores.

Señor Libertadores

Marcos Rocha, do Palmeiras (Foto: Adalberto Marques/Imago/One Football)

Não é raro encontrar um torcedor do Palmeiras que torça o nariz para Marcos Rocha. Cabe melhora na lateral direita, tanto que Gabriel Menino já foi improvisado por ali e a posição é um dos alvos deste mercado. Mas não é possível descartar a experiência de Marcos Rocha. Aos 32 anos, caminha para disputar a Libertadores pelo nono ano seguido. Cinco pelo Atlético Mineiro, com um título. Cinco pelo Palmeiras, com um título. São 58 jogos pelo torneio continental. Na última campanha, entrou em campo nove vezes e foi um dos destaques da final contra o Santos.

O técnico

Renato Paiva, a nova aposta do Del Valle (Foto: Carlos Costa)

O projeto do Del Valle se baseia muito no desenvolvimento das categorias de base e na integração das pratas da casa ao time principal. Sem Miguel Ángel Ramírez, que o conduziu com maestria, era necessário buscar um perfil que também se adequasse a esse tipo de trabalho. Poderia haver algum nome melhor do que quem passou mais de 15 anos preparando jogadores para o Benfica? Vale lembrar duas coisas: os Encarnados estão entre os melhores formadores da Europa; a última geração portuguesa é uma das melhores da Europa. Aos 51 anos, Renato Paiva terá sua primeira experiência à frente de um time profissional, sob pressão para conquistar o primeiro título equatoriano do Del Valle o e para manter o nível do trabalho de Ramírez, mas o casamento parece promissor. É um discípulo de Juanma Lillo, uma das grandes influências (e atualmente auxiliar) de Pep Guardiola, outro apaixonado pela seleção brasileira de 1982 e combatente do resultadismo. Vale a pena ler suas palavras e ideias nesta entrevista ao Tribuna Expresso. Destaco uma boa frase sobre análises sem contexto, como cobrar vitórias de crianças que ainda estão aprendendo a jogar bola: “Ninguém vende radiadores no deserto e ninguém vende gelo no polo norte”.

O repatriado

Matías Rodríguez começou carreira no Boca Juniors, mas logo colocou a mochila na costas e começou a rodar o continente. Defendeu o Barcelona e o Aucas do Equador, o Nacional, do Uruguai, e o Grêmio (do Brasil). Também teve passagens pela Europa, no LASK Linz, da Áustria, e na Sampdoria, da Itália, antes de se firmar de vez na Universidad de Chile. Teve duas boas passagens, uma no começo da década e outra entre 2015 e o ano passado. Na primeira, ganhou a Copa Sul-Americana naquele time que tinha Eduardo Vargas, Aranguíz e Marcelo Díaz, treinado por Jorge Sampaoli. Quinze anos depois de deixar a Argentina, está de volta para vestir as cores do Defensa Y Justicia.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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