Libertadores

Grêmio atravessou uma montanha-russa contra o Guaraní, mas empate saiu em conta

É difícil ser muito enfático sobre o jogo do Grêmio, nesta quinta, pela Copa Libertadores. O Tricolor atravessou uma montanha-russa de 90 minutos no Defensores del Chaco, na visita ao Guaraní. Por um lado, a sensação geral leva a crer que o empate por 1 a 1 saiu de bom tamanho. Os gremistas jogavam fora de casa, tiveram um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo, viram Grohe se agigantar. E, principalmente, porque Renato Gaúcho decidiu priorizar o estadual e entrou com um time recheado de reservas. Por outro lado, as falhas no ataque também impediram os brasileiros de saírem com o triunfo. Foram vários gols perdidos e bolas que não entraram por um triz. De qualquer maneira, o ponto conquistado é bem útil na campanha. Mantém os tricolores na liderança do Grupo 8, com os mesmos sete pontos que o Cacique, e já quatro de vantagem na zona de classificação.

Apesar de não contar com suas principais peças no ataque, o Grêmio começou o jogo melhor. Trabalhava bem a bola e encontrava espaços para finalizar, principalmente pela disposição de Fernandinho e pela organização de Arthur. O problema era Lucas Barrios, que não acertava o pé. Além disso, as duas equipes reclamaram (com razão) de pênaltis não marcados pela arbitragem. O Guaraní cresceu a partir dos 25 minutos, criando suas chances de abrir o placar. Parou em três excelentes defesas de Marcelo Grohe, voando sob as traves, assim como em uma bola salva no último momento por Bruno Cortez. Os paraguaios tiveram um tento bem anulado, pouco antes de outra jogada ótima desperdiçada por Barrios.

No segundo tempo, o Guaraní começou pressionando e se impondo no campo de ataque. A vitória parecia ganhar contornos, especialmente depois que Michel perdeu a cabeça e recebeu o segundo amarelo, aos 16, por deixar o braço em Hernán Novick. Pouco tempo depois, aos 27, o Cacique conseguiu inaugurar o marcador. Em boa trama coletiva, Marcelo Palau passou para Rodrigo López completar quase em cima da linha. Os tricolores precisavam repensar a sua estratégia, o que Renato fez ao mandar a campo Pedro Rocha e Everton, nos lugares de Lincoln e Barrios.

Para alegria dos gremistas, o empate saiu apenas oito minutos depois. Muito bem no meio de campo, Arthur deu lindo passe para Pedro Rocha aparecer como elemento surpresa e bater cruzado, em finalização difícil. O Guaraní poderia ter retomado a vantagem pouco depois, em defesaça de Grohe e erro de Carlos Rolón na sobra. Da mesma forma que, do outro lado, Pedro Rocha acertaria a trave ao bater de bico. Mas, nos minutos finais, os paraguaios estiveram mais próximos do tento. Os gaúchos conseguiram se segurar.

Renato tomou uma decisão bastante arriscada e passível de críticas ao mandar os reservas a campo. Acabou sendo feliz. Por fim, o sabor do empate é agridoce, mas bem aceitável diante das circunstâncias. Completada metade da fase de grupos, o Tricolor já encaminha a sua classificação, com dois jogos em casa ainda por fazer. A vaga nas oitavas não deve ser problema.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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