Libertadores

Gallardo: “O melhor remédio para uma boa vitória é a derrota”

Marcelo Gallardo é um treinador acima da média no atual futebol sul-americano. Fiel a seu estilo, o treinador enfrenta os mesmos problemas que todos os treinadores do continente sofrem, como o calendário ruim, a perda de jogadores para a Europa e a insegurança do cargo de treinador. E ainda assim, El Muñeco tem feito história à frente do River Plate. Atual campeão da Libertadores, o técnico concedeu uma entrevista ao site oficial da Conmebol, abrindo ao público um pouco da mente por trás de uma das equipes mais vitoriosas do continente na última década.

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Gallardo demonstra a cada palavra que é um apaixonado pelo que faz. “Eu acho que é uma profissão que continua me pegando como no primeiro dia, quando eu comecei a fazer minha experiência de técnico. Continuo gerando ilusões de poder continuar aprendendo. Resolvendo problemas. Encontrando respostas. Tudo isso a profissão de treinador dá”, disse o comandante milionário, que filosofou sobre a linha tênue entre a glória e a decepção com um par de frases de efeito. “Quando você perde, é aí que você realmente aprende. É o momento em que você fica frustrado, no qual você se decepciona, é aquele que você mastiga. Isso tem a ver com a derrota. Geralmente, analisa-se muito pouco a vitória. As derrotas lhe dão um banho tremendo de humildade. O melhor remédio para uma boa vitória é uma derrota. Esse é o antídoto. E nós temos que viver ganhando e perdendo o tempo todo”.

As derrotas, pelo visto, tem dado a Gallardo um importante ensinamento. Embora perder seja parte do jogo, só os resultados mantém um projeto a longo prazo. E foram as conquistas dos diversos títulos entre campeonatos argentinos, Copa Sul-Americana e Libertadores, que mantiveram o treinador de pé, podendo praticar um futebol vistoso e intenso. “Projetos são geralmente respeitados enquanto você ganha. É assim tão fácil e claro. Não creio que existam projetos de dois, três, quatro ou cinco anos para serem realizados se não se vencer”, afirmou, explicando também a opção por ter um estilo de jogo mais propositivo, mesmo em um futebol tão equilibrado como o sul-americano. “Dentro dos momentos favoráveis, gosto de tomar a iniciativa e, quando tomo a iniciativa, parece-me que o caminho para a vitória é muito mais curto”.

Em meio aos desafios da atual Libertadores, Gallardo relembrou o jogo que lhe deu o título mais importante de sua carreira, ao derrotar o Boca Juniors na final continental disputada no Santiago Benabéu por 3 a 1, depois de um empate em 2 a 2 em La Bombonera. “O jogo de volta ocorreu em uma situação muito delicada porque se perdeu o foco depois de tudo que aconteceu. Ir jogar na Espanha, no Santiago Bernabéu, onde não se conhece bem o campo, onde havia muita tensão entre as duas equipes, então não houve boa distribuição da bola, estabilidade, não houve posse de qualidade, o que não nos permitiu avançar na primeira parte. E então, mesmo com o resultado contra, quando os nervos foram acalmando, a equipe tomou as rédeas do jogo”, analisou o treinador, que na próxima quarta-feira vai até o Chile para enfrentar o Palestino, pela quinta rodada do grupo A da Libertadores. Caso vença, Gallardo garante o time na próxima fase e mantém vivo o desejo pelo bicampeonato continental. A equipe ainda não encontrou o melhor futebol, mas segue invicta na competição, não deixando de lado a insistente pecha de favorito.

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