Libertadores

Foi com drama, mas também com muita vibração, que o Fortaleza conquistou sua primeira vitória na Libertadores

O Fortaleza martelou muito até conseguir o primeiro gol e, depois de sofrer o empate, arrancou uma vitória na unha diante do Alianza Lima

O começo do Fortaleza na Copa Libertadores passou longe de atender as expectativas da torcida. O Leão do Pici estreou com uma amarga derrota para o Colo-Colo em casa e não seria páreo diante do River Plate fora. Assim, a necessidade de vitória era imensa nesta terceira rodada, dentro do Castelão. O Alianza Lima, um adversário que não havia vencido os 25 compromissos anteriores pelo torneio continental, pelo menos era mais acessível. E os tricolores finalmente conquistaram a primeira vitória de sua história na Libertadores, com doses de drama, mas também com uma linda festa de seus torcedores na comemoração. O Fortaleza dominou o primeiro tempo e criou um punhado de ocasiões, sem aproveitar. Quando abriu o placar no segundo tempo, acomodou-se e cedeu o empate. Restavam mais 20 minutos no relógio e o tento decisivo pelo menos não tardou. Triunfo por 2 a 1, que finalmente faz jus aos sonhos da torcida tricolor na competição e mantém o time vivo.

O Fortaleza não demorou a tomar o domínio da partida. Buscava o campo de ataque e se movimentava bem, mas demorou um pouco para que a primeira chance de gol surgisse. Aos 18, após escanteio, Marcelo Benevenuto cabeceou e a bola desviou em Titi, antes de sair com muito perigo. O Leão do Pici foi se soltando com o passar dos minutos e contava com bom apoio pelos lados de campo. O Alianza Lima mal conseguia chegar ao campo de ataque e logo os tricolores começaram a martelar.

A partir dos 30 minutos, o Fortaleza emendou oportunidade atrás de oportunidade. Começou com uma pancada de Matheus Jussa que o goleiro Ángelo Campos rebateu. Aos 33, seria a vez de Moisés fazer um carnaval na área e chutar sem tanta qualidade, em cima de Campos. Pikachu e Moisés teriam outras finalizações para fora nessa sequência. Quando o Alianza Lima assustou, foi por culpa de Benevenuto, que recuou em uma cabeçada arriscadíssima e viu Max Walef salvar sua pele. Mas o jogo era do Leão do Pici, que insistia no quase. Antes do intervalo, Silvio Romero recebeu de Moisés e tentou bater por cima, mas exagerou na força. Depois, Titi também cabeceou assustando. Era impressionante como o gol não saía.

O segundo tempo recomeçou com o Fortaleza ainda no ataque. Aos dois minutos, Moisés chutou de fora da área e Campos rebateu, sem que Romero chegasse a tempo no rebote. Pouco depois, seria a vez de Pikachu aparecer com espaço pela direita e errar o alvo por muito. O gol do Leão do Pici, apesar disso, estava maduro. Finalmente saiu aos cinco minutos. Numa jogada pela direita, Lucas Lima deu um lindo giro na marcação e tocou para Pikachu, na passagem. O ala rolou para trás e Romero finalizou de primeira. Um chute manso, mas suficientemente bem colocado para beijar a lateral da rede.

O Fortaleza não poderia se acomodar e isso ficou evidente aos oito minutos. Num erro dos tricolores, o Alianza já deu o contragolpe e Hernán Barcos chutou raspando a trave. O Leão do Pici pôde cadenciar mais a partida e o ritmo caiu, mas os Potrillos cada vez mais conseguiam ocupar o campo de ataque. O gol de empate surgiu aos 25 minutos, num lance de desatenção da defesa. Yordi Vilchez fez um cruzamento frontal e Pablo Lavandeira escapou da marcação, se esticando para cabecear antes da chegada de Max Walef. Era um grande banho de água fria nos cearenses.

O Fortaleza pareceu sentir o gol e não apresentava mais seu melhor futebol no jogo. O próprio Alianza Lima parecia capaz de uma virada. O Leão do Pici demorou a construir um bom lance ofensivo. Quando deu certo, aos 34, o segundo gol veio com um jogador que tinha acabado de sair do banco. A troca de passes saiu rápida pela direita e envolveu a defesa peruana. Em mais uma assistência de Pikachu, Hércules armou o chute e não pegou em cheio, mas viu o tiro sair do alcance de Campos e entrar no cantinho, triscando a trave antes de entrar.

Com o gol, o Castelão se inflamou ainda mais. E isso manteve o Fortaleza acordado, para que não repetisse os mesmos erros. O Alianza Lima já não teria a mesma iniciativa para buscar a reação. O Leão do Pici permaneceu no campo de ataque, entre o tempo gasto e algumas estocadas. Se fosse para sair mais um gol, o terceiro dos tricolores era mais provável. Nos acréscimos, quando os Potrillos subiram ao ataque, o Tricolor poderia ter matado o jogo nos acréscimos. Valentín Depietri partiu sozinho em contragolpe e ficou de frente com Campos, mas se precipitou no chute e mandou ao lado da trave. Nada que atrapalhasse a vitória e muito menos a vibração dos torcedores nas arquibancadas ao apito final.

O Fortaleza soma os primeiros três pontos no Grupo F. A equipe permanece na terceira colocação, que daria vaga na Copa Sul-Americana. O objetivo, independentemente disso, é seguir em frente na Libertadores. Resta secar também Colo-Colo e River Plate, que se enfrentam no outro jogo da rodada.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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