Fluminense terá reunião para evitar troca de ingressos em semi da Libertadores
Fluminense fez reunião para evitar que ingressos da Libertadores comprados online tenham de ser trocados por ticket físico
O Fluminense terá na segunda-feira (18), às 15h (de Brasília), na Ferj, uma nova reunião com os órgãos de segurança do Rio de Janeiro para tentar evitar a troca de ingressos para o jogo de ida da semifinal da Libertadores contra o Internacional.
A partida está marcada para o dia 27/09 (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília), e o Tricolor adiou o início das vendas “para que houvesse a conclusão das tratativas sobre o uso de e-ticket e da carteirinha de sócio como modalidades de acesso ao estádio”, segundo nota divulgada na noite desta sexta-feira.
A venda para não-sócios começa no dia 22, online. No dia 23, as entradas estarão disponíveis nas bilheterias, seguindo a ordem de prioridade estabelecida pelo clube. Sócios da torcida visitante e não-sócios poderão fazer a compra das entradas nos dias 20 e 22, respectivamente.
Ver esta publicação no Instagram
Reuniões de praxe foram feitas com Polícia Militar, Polícia Civil, Governo do Estado, Prefeitura, Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, Corpo de Bombeiros e Ministério Público.
A Trivela apurou que partiu do MP estadual o pedido para a troca de ingressos, que foi apoiado pelas forças policiais. A medida desagrada ao Fluminense, bem como aos outros clubes em partidas deste tipo.
Por que o Fluminense tenta evitar troca de ingressos na Libertadores
O Fluminense tenta evitar que exista necessidade de trocas por ingressos físicos. Além de exigir um esforço adicional de sócios, sócio-torcedores, público geral e visitantes, a medida não é bem vista pelos clubes.
Isso porque, dentre outras coisas, aumenta o risco da prática de Crime contra a Economia Popular, ferindo a Lei 1.521/51, ou seja, facilitar a venda de ingressos ilegal com valores acima do normal, ação popularmente conhecida como “cambismo”.
Ver esta publicação no Instagram
Recentemente, o Flu modificou a política de marcação de presença nos jogos, chamada de check-in. Até o mês passado, sócios com prioridade poderiam, além de marcar seus próprios ingressos, comprar outros.
A partir de setembro, a prioridade será de apenas um ingresso por CPF, mais uma prática para tentar coibir a ação de cambistas.
Além disso, por força de regulamento da Libertadores, não é permitido haver troca de ingressos na data do jogo. Isso forçaria torcedores das duas equipes a retirar ingressos físicos até a terça-feira (26/09).
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Polícia pede troca de ingressos, mas não conseguiu evitar invasões no passado
A Polícia discorda nesse ponto. O BEPE/PMERJ prefere uma área de isolamento maior, com entrada permitida apenas para pessoas que apresentem o ingresso físico, como foi feito em grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
O protocolo, entretanto, não se mostrou eficaz em decisões de futebol. Apesar de exigir as mesmas condições, as forças de segurança não evitaram tentativas (até bem sucedidas) de invasões ao Maracanã nos últimos anos.
Mais um registro da invasão de torcedores do Flamengo no Maracanã. pic.twitter.com/W6F3aIEQ7N
— Venê Casagrande (@venecasagrande) July 14, 2022
Episódios se repetiram na final da Copa Sul-Americana de 2017 entre Flamengo e Independiente e nas semifinais da Libertadores de 2019, entre Flamengo e Grêmio, das quartas de final da mesma competição em 2022, entre Flamengo e Corinthians, e outro confronto entre as duas maiores torcidas do país pela final da Copa do Brasil de 2022.
Há o entendimento das forças policiais de que, apesar de não haver histórico de invasão pela torcida do Fluminense, é necessário prevenir as ações. A final da Copa do Brasil de 2023, entre Flamengo e São Paulo, terá troca de bilhetes físicos.
Partida é considerada de alto risco pelas autoridades
De acordo com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre os grandes clubes do Rio de Janeiro e autoridades públicas, o jogo entre Flu x Inter é considerado de “bandeira vermelha”, ou seja, alto risco de segurança pública.
Diversas variáveis são analisadas pelos órgãos para a definição. Além da quantidade de público, histórico de confrontos, tamanho esportivo do jogo, horário, local e outras questões são analisadas.
As medidas fazem parte de esforços do poder público junto aos clubes para evitar episódios como invasões ao estádio, brigas entre torcedores e demais crimes à ordem pública.
A reportagem entrou em contato com os integrantes do TAC, mas nenhuma das autoridades respondeu às perguntas feitas. O espaço está aberto para Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.



