Libertadores 2026

Dinizismo funciona, e Fluminense vence o Colo-Colo no sufoco na Libertadores

Fluminense joga sem zagueiros na zaga e volantes no meio-campo no segundo tempo, sofre, mas vence o Colo-Colo e vira líder na Libertadores

Ousado desde o apito inicial, o Fluminense jogou melhor que nas últimas partidas e voltou a vencer. A vitória por 2 a 1 sobre o Colo-Colo, no Maracanã, com gols de Marquinhos e Cano, entretanto, foi no sufoco. Sem zagueiros de origem em todo o segundo tempo, o Dinizismo Tricolor somou mais três pontos na Libertadores e dá sinais de uma nova formação para o time.

Muito superior tecnicamente, o Flu só pecou em apostar mais na sorte que no juízo no Maracanã. Fernando Diniz, entretanto, dá de ombros aos dogmas do futebol. O técnico busca seu melhor Fluminense, nem que não utilize nenhum defensor para tal.

O que de melhor aconteceu no jogo?

  • Fluminense começa sufocando Colo-Colo, e Marquinhos faz golaço;
  • Vantagem dura pouco, e Tricolor sofre empate bobo dos chilenos;
  • Diniz mexe, e Fluminense joga todo o segundo tempo sem zagueiros e com quatro atacantes;
  • Germán Cano volta a marcar após cinco jogos, encerra jejum e dá vitória ao Fluminense;
  • Ex-Flamengo, Vidal é xingado; Weimberg é expulso e Colo-Colo termina com menos um, mas dá sustos no Fluminense.

Fluminense joga melhor com Martinelli na zaga, mas toma empate bobo

Ainda não era uma atuação brilhante, mas com Martinelli na zaga e Lima no meio-campo, o Fluminense começou o jogo melhor do que as últimas partidas. Também, aos cinco, o Tricolor já estava na frente do placar. Em um ataque rápido — o que só aconteceu porque a defesa estava mais veloz com a bola —, Arias fez boa jogada e achou Marquinhos na ponta-direita. O canhoto balançou na frente do marcador, cortou para dentro e bateu no ângulo para marcar um golaço no Maracanã.

Na frente, o Flu passou a trabalhar melhor a bola e criou chances. O time parecia reencontrar aos poucos sua forma mais agressiva. Mas o outro problema não foi resolvido: a inconsistência defensiva. Se Martinelli ia bem na zaga, Lima não jogava bem no meio, que tinha muitos espaços. Um contra-ataque do Colo-Colo virou escanteio, e na cobrança, aos 17, Paiva subiu sozinho nas costas de Lima para empatar o jogo. Um gol muito bobo sofrido pelo Tricolor.

Sem zagueiro de origem, Fluminense vai para cima do Colo-Colo no segundo tempo

Não dá para dizer que alguém no Maracanã ficou surpreso quando a placa anunciou, na volta do intervalo, que Lelê entraria na vaga de Felipe Melo. Como começou com Martinelli na zaga, o Fluminense entraria no segundo tempo sem zagueiros de origem e com dois volantes no setor.

No meio-campo, os ofensivos Ganso e Lima eram os jogadores responsáveis pelo setor. Marquinhos e Arias desciam mais, e Lelê fazia companhia a Cano. A presença no ataque melhorou e o Tricolor começou a pressão. Não demorou para que a superioridade técnica aparecesse: aos seis, Marquinhos, o melhor em campo, recebeu na direita e colocou na cabeça de Germán Cano. O argentino não perdoou.

Até os 25 minutos, a ideia de Fernando Diniz funcionava. O Fluminense tinha a bola, atraia o Colo-Colo e conseguia sair. Mas o time cansou e o técnico, insistente, demorou a mexer, contando mais com a sorte que com o juízo. Aos 29, Zavala contou com bate e rebate e empatou, mas o VAR anulou corretamente após toque no braço de Paiva.

Dinizismo dá certo, e Fluminense sufoca Colo-Colo para vencer na Libertadores

Fernando Diniz é um técnico único, para o bem ou para o mal. A aposta na ousadia rendeu dividendos mais uma vez, e a conta é do treinador.

Além de escalar um time com apenas um zagueiro — que era Felipe Melo, um jogador que virou profissional como camisa 10 —, Diniz aumentou o poder de fogo no segundo tempo. Ficou com André e Martinelli na zaga e uma linha de quatro com Lima, Ganso, Marquinhos e Arias. Na frente, Lelê e Cano.

No fim, o treinador colocou Antônio Carlos para controlar o resultado. A marcação na área melhorou, mas mesmo com um a mais, já que Wiemberg foi expulso, o Fluminense seguiu exposto. Deu para o gasto.

Marquinhos é o melhor na vitória do Fluminense

Autor de um golaço e de uma assistência, Marquinhos foi de longe o melhor do Fluminense no Maracanã. O ponta-direita de 20 anos foi mantido no time titular por Fernando Diniz e correspondeu. Dos pés dele saíram as melhores jogadas do Tricolor no jogo.

Além de influenciar diretamente no resultado, o jovem não deu sossego à defesa do Colo-Colo. Cansado de tanto ser driblado por ele, Wiemberg fez falta dura em Samuel Xavier no fim do jogo e acabou expulso com o segundo cartão amarelo.

Como ficou o Grupo A da Libertadores

Com a vitória do Fluminense, o grupo A da Libertadores ficou embolado. O Tricolor virou líder no saldo de gols, com o Colo-Colo na vice-liderança. Cerro Porteño e Alianza Lima se enfrentam na quarta-feira (10) em Assunção.

  1. Fluminense: 4 ponto;
  2. Colo-Colo: 3 pontos;
  3. Alianza Lima: 1 ponto;
  4. Cerro Porteño: 0 ponto.
Foto de Caio Blois

Caio BloisSetorista

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.

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