Libertadores

Flamengo foi superior, mas, entre seus erros, acaso e os pênaltis, acabou eliminado

O Flamengo jogou melhor do que o Racing, nesta terça-feira, no Maracanã. Dizer que teve as melhores chances não é exatamente preciso porque foi praticamente o único time que teve chances. Mesmo quando ficou com um jogador a menos. Mas não conseguiu convertê-las para matar o jogo antes da expulsão de Rodrigo Caio. Os argentinos encontraram um gol em jogada de bola parada, e o Flamengo ainda teve brio para buscar o empate que levaria aos pênaltis, nos quais acabou sendo eliminado nas oitavas de final da Libertadores.

No geral, foi uma mistura entre a incompetência do Flamengo e um pouco de azar. Começando pelo segundo, quando arrancou empate por 1 a 1 na Argentina, o resultado não foi considerado tão bom assim porque a defesa estava em um momento em que era difícil acreditar que seguraria o 0 a 0. No entanto, estava mais sólida do que em muito tempo até Caio ser expulso por receber o segundo cartão amarelo, por uma falta na intermediária, aos 17 minutos do segundo tempo. Logo em seguida, Gustavo Henrique falhou, e o Racing abriu o placar antes que o Flamengo pudesse se reagrupar, em um dos seus únicos lances perigosos.

Na parte da incompetência, o Flamengo não pode continuar sendo um time que cria muitas chances e não consegue aproveitá-las. Ficou bem claro o por quê contra o Racing, também no primeiro jogo, mais equilibrado do que este. No Maracanã, os donos da casa tiveram 67% da posse de bola, chutaram 19 vezes e criaram pelo menos meia dúzia de chances mais ou menos claras – e tem que se dar o mérito também ao goleiro Arias, que apareceu bem quando foi exigido.

Ceni será criticado, com certa dose de razão, pelas substituições após a expulsão. Tirou Arrascaeta e Éverton Ribeiro em um intervalo de cinco minutos. Vitinho ficou em campo. Se esperava que o jogo mudasse, que era mais importante ter velocidade na frente do que refinamento, errou: o jogo não mudou. Mesmo depois da expulsão, quem teve a bola e a iniciativa foi o Flamengo, situação em que a qualidade de Arrascaeta e Ribeiro poderiam fazer diferença. Na verdade, até assustou a maneira como o Racing precocemente abdicou do jogo e ficou apenas esperando o tempo acabar – pelo que acabou sendo punido.

Bruno Henrique furou dentro da área, logo aos três minutos, e Gustavo Henrique desviou o escanteio cobrado por Arrascaeta com muito perigo. A dinâmica do jogo ficou clara desde o começo. No primeiro contra-ataque que conseguiu encaixar, Fértoli bateu cruzado pela direita para a defesa de Diego Alves. Sabe-se lá por que Éverton Ribeiro não quis cabecear direto ao gol, em jogada que passou de Bruno Henrique a Arrascaeta a ele, na segunda trave. Preferiu cruzar ao meio, e o Racing conseguiu afastar.

A chance mais clara do primeiro tempo foi, curiosamente, em uma rápida transição. Arrascaeta saiu pela direita e, do meio-campo, cruzou o gramado para Vitinho, com tempo e liberdade na entrada da área. Talvez ele tenha se intimidado pela saída corajosa e rápida de Arias do gol. De qualquer maneira, bateu rasteiro para fora, até perto da trave, mas deveria ter feito muito melhor.

Arias voltou a trabalhar no começo da etapa final, em uma batida de Vitinho que desviou no meio do caminho, e no momento em que o Flamengo seguia pressionando, Rodrigo Caio saiu à intermediária, fez uma falta dura e levou o segundo cartão amarelo. Dois minutos depois, uma cobrança de falta de média distância foi alçada à área. Gustavo Henrique não conseguiu o corte, e Leonardo Sigali apareceu para completar.

O jogo na prática não mudou. O Flamengo continuou em cima de um Racing perdido. Com superioridade numérica, parecia frágil demais às investidas do Flamengo que, sendo franco, vieram majoritariamente pela bola aérea. Mas foram perigosas. Aos 33 minutos, Mauricio Isla recebeu o lançamento dentro da área, com liberdade, e entre dominar, passar ou chutar, não fez nenhum dos três. Redimiu-se, na sequência, com um bom cruzamento para a cabeçada firme de Bruno Henrique. Grande defesa de Arias.

Em uma escanteio, Willian Arão começou a calibrar seu cabeceio, exigindo outra grande defesa de Arias, e quando tudo parecia perdido, desviou outro canto da primeira trave e conseguiu o empate que levou a eliminatória aos pênaltis. E aí, entrando nas lendas do futebol que não têm base científica, mas seguem acontecendo com frequência alarmante, o herói do tempo normal foi o vilão da marca do cal.

Lisandro López mandou no ângulo e fez 1 x 0 para o Racing. Filipe Luís empatou com categoria. Rojas cruzou e marcou o segundo dos argentinos. Gérson empatou, embora Arias tenha encostado na bola. Leonardo Sigali bateu muito bem, Pedro empatou, e Carlos Alcaraz fez 4 x 3 para o Racing, embora Diego Alves também tenha encostado na bola. E aí, chegou a vez de Willian Arão.

Ele não bateu bem. Soltou a bomba no meio do gol, à meia-altura, e Arias fez a defesa. A bola da classificação ficou aos pés de Fabrício Domínguez. Ele bateu lá no alto e eliminou o atual campeão da Libertadores.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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