Conmebol tem planos de fazer final da Libertadores fora da América do Sul
Diretor da entidade explica que objetivo é aumentar interesse pelo torneio a nível global
A Conmebol cogita realizar uma final de Libertadores fora da América do Sul. Juan Emilio Roa, diretor comercial da entidade, declarou ao “The Athletic” que a possibilidade é discutida internamente e que o objetivo seria ampliar o interesse pelo torneio a nível global.
— Isso faz parte do que precisamos fazer para aumentar o interesse, então, estamos trabalhando em uma várias coisas para expandir o interesse além da América do Sul. Trabalhamos no desenvolvimento da narrativa, da experiência da marca durante a final e tentando produzir mais histórias sobre clubes e jogadores — disse Roa.
Final de Libertadores fora da América do Sul tem precedente, mas por ‘medidas de segurança’
A Conmebol já realizou mudanças na final da Libertadores antes. Em 2019, passou a vigorar a decisão em jogo único. Até então, o campeão era decidido em partidas de ida e volta.
No ano anterior, 2018, o segundo embate entre River Plate e Boca Juniors precisou ocorrer no Santiago Bernabéu em Madri, na Espanha, por “medidas de segurança”, segundo a federação explicou na época.
Dessa forma, uma final única fora dos limites territoriais do continente seria inédita no torneio, mas pode ser questão de tempo até os planos saírem do papel.
— É um tópico que está normalmente na mesa e em discussão. Posso dizer que já elaboramos um plano para os próximos anos, mas ainda está em avaliação — afirmou o dirigente.

Além de focar no alcance, a Conmebol quer aprimorar a distribuição. O processo para negociar os direitos de transmissão tanto da Libertadores quanto da Sul-Americana nos ciclos 2027-2030 na América Latina está aberto, e tem a IMG, agência de marketing esportivo, envolvida nas tramitações.
Ambas as organizações projetam aumento dos quase 1,5 bilhão de dólares na venda dos direitos de transmissão para o período 2023-2026, mas a autoridade do futebol sul-americano mais do que retorno financeiro.
— Os 90 minutos são a parte fácil. O próximo passo é a divulgação, não apenas dos jogos, mas de tudo que as emissoras farão sobre as partidas. O que queremos saber é como elas vão promover suas transmissões e jogos da Conmebol — declarou Evandro Figueira, vice-presidente de direitos da IMG na América Latina.
O duelo entre Palmeiras e Flamengo pelo título da Libertadores deste ano, em 29 de novembro, será em Lima, no Peru, e exibido em mais de 190 países, segundo o jornal. Além disso, vai começar em um horário que visa atender ao mercado europeu — 18h de Brasília, quatro horas a menos que o Central European Time (CET).
— Somos líderes na América do Sul, e a Copa Libertadores já tem presença global com um público forte, especialmente nos Estados Unidos, na Europa e, principalmente, entre as comunidades latino-americanas e os fãs de futebol internacionais — salientou Roa.
Os dirigentes afirmaram ainda que há mais interesse nos direitos de transmissão dos torneios sul-americanos para o ciclo futuro do que o que foi observado nas negociações das campanhas anteriores, de modo que as competições devem continuar com várias emissoras, e não em uma com exclusividade.
— O interesse vem de um equilíbrio entre as plataformas tradicionais de transmissão e de streaming — explicou o executivo comercial.
— Estamos avaliando planos sobre como as emissoras podem trabalhar com a gente para fortalecer ainda mais o posicionamento das marcas Libertadores e Sul-Americana, não apenas na América do Sul, mas em todo o mundo. Esta é uma decisão importante para nós e estamos priorizando uma parceria estratégica que traga inovação, expansão digital e alcance global, e não apenas dinheiro — concluiu.



