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Empurrado pela pulsante Olla Azulgrana, o Cerro Porteño volta a vencer e tira o Fortaleza da Libertadores

Depois da vitória no Castelão, o Cerro Porteño de novo foi mais contundente em Assunção e mandou o Fortaleza à Sul-Americana

O Fortaleza tinha uma missão bastante difícil nesta quinta-feira. Depois de perder para o Cerro Porteño dentro do Castelão, o Leão do Pici precisaria buscar o resultado dentro de uma pulsante Olla Azulgrana. Não deu certo, e os tricolores ficam pelo caminho na Libertadores, redirecionados agora à fase de grupos da Copa Sul-Americana. O Fortaleza teve seus momentos no primeiro tempo em Assunção e Jean voltou a trabalhar, mas João Ricardo também salvou os visitantes, até o Ciclón abrir o placar antes do intervalo. Já no segundo tempo, a contundência dos azulgranas abriu o resultado com um golaço e o time até flertou com o terceiro. Foi só no fim que os cearenses descontaram, eliminados com a derrota por 2 a 1. O Cerro vai à fase de grupos da Libertadores.

O Cerro Porteño deu um grande susto no Fortaleza logo de cara. Numa bola alçada na área, Diego Churín saltou para a cabeçada e forçou uma defesaça de João Ricardo, que voou no canto para espalmar. A resposta do Fortaleza não demorou, aos seis minutos. Juan Martín Lucero cabeceou e Jean salvou o Ciclón, antes de abafar também o rebote de Thiago Galhardo. Era um começo de partida aberto, mas o Leão do Pici tomava um pouco mais a iniciativa e dava sinais de evolução em relação à primeira partida. Lucas Crispim também ameaçaria numa cobrança de falta por cima.

O Cerro Porteño melhorou depois dos 20 minutos. Foi quando voltou a apresentar mais volume ofensivo e a rondar. João Ricardo seguia essencial, também com uma boa defesa em batida de Claudio Aquino. Os azulgranas passaram a pressionar um pouco mais, sem uma resposta à altura do Fortaleza do outro lado. A definição do Leão do Pici não funcionava. E o gol do Ciclón saiu aos 38, num momento de superioridade dos anfitriões no fim do primeiro tempo.

Num cruzamento venenoso do Cerro Porteño, Marcelo Benevenuto quase marcou contra e foi salvo pela trave. O problema é que a sobra ficou limpa para Federico Carrizo guardar e aumentar a vantagem dos paraguaios no confronto. Nem contra-ataque funcionou para o Tricolor no fim, com Thiago Galhardo barrado pelo goleiro Jean na última tentativa, em tiro que não saiu tão forte. E os brasileiros ainda se safaram quando uma revisão de pênalti no final não beneficiou os azulgranas.

O Fortaleza voltou para o segundo tempo com Yago Pikachu no lugar de Romarinho. O Cerro Porteño administrava a vantagem, mas o Leão do Pici chegou perto do empate aos nove. Numa grande jogada de Lucas Crispim, o cruzamento passou na frente da área e Pikachu mandou prensado para fora. O tempo passava e a pressão aumentava sobre a equipe visitante. Que teria outro golpe duro a engolir aos 17, com o segundo gol do Cerro. Numa falta cobrada pela direita, Aquino recebeu o cruzamento livre e pegou na veia, com um voleio que entrou direto na gaveta. Golaço que fazia a Olla Azulgrana explodir.

Juan Pablo Vojvoda botou Calebe no lugar de Hércules como resposta, para tentar ganhar mais força ofensiva. O primeiro sinal de vida do Fortaleza veio numa enfiada de Galhardo para Lucero, mas Jean realizou mais uma boa defesa diante do atacante. Já o Cerro buscava os contra-ataques e ainda tinha capacidade de incomodar. Foram alguns lances perigosos por volta dos 30, em que o Leão do Pici correu o risco do terceiro. Braian Samúdio tirou tinta da trave num chute de longe aos 32.

O Fortaleza começou a dar sinais de que não acreditava mais. O Cerro Porteño passou a ficar mais tempo no campo de ataque e era mais concreto em suas ações. A esta altura, depois dos 35, conseguir uma reviravolta por três gols parecia realmente difícil de se conseguir ao Leão do Pici. João Ricardo voltou a trabalhar aos 38, numa cabeçada de Damián Bobadilla, e o gol impedido de Robert Morales no rebote foi anulado por impedimento. Logo depois, Fernando Fernández partiu sozinho no contra-ataque e também viu outro tento anulado pela arbitragem.

Somente no fim é que o Fortaleza tentaria descontar. Junior Santos bateu por cobertura, mas a bola saiu por cima do travessão. O gol solitário dos tricolores surgiu nos acréscimos, em contragolpe no qual Júnior Santos escapou em velocidade pelo lado direito e rolou para Guilherme Augusto definir diante da meta escancarada. Mas já era tarde para qualquer reviravolta.

A eliminação do Fortaleza é amarga, mas também precisa ser contextualizada. O Leão do Pici pegava um time tradicional no continente como o Cerro Porteño e, mesmo sem fazer apresentações tão vistosas, também parou no goleiro Jean. Méritos maiores foram do Ciclón, mas efetivo ao longo do confronto e que aproveitou a queda anímica dos tricolores neste segundo tempo. Leva sua camisa à fase de grupos da Libertadores. E se o Tricolor terá que se contentar com a Copa Sul-Americana, chega logo como candidato para chegar longe. O trabalho de Vojvoda, de uma maneira geral, permite esse pensamento.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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