Libertadores

Em meio às controvérsias, o Vélez se valeu da vitória na ida e eliminou o River com o empate no Monumental

A partida no Monumental teve várias controvérsias envolvendo a arbitragem, com gol anulado do River Plate após cinco minutos de revisão e uma reclamação de pênalti ignorada

Numa chave repleta de argentinos, o River Plate se colocava como sério candidato às semifinais da Libertadores. É o atual campeão nacional, fez uma boa fase de grupos, possui um histórico recente inquestionável no torneio. Dentro de campo, porém, os millonarios não foram melhores que o Vélez Sarsfield. Amargam a eliminação logo nas oitavas de final, com o empate por 0 a 0 dentro do Monumental de Núñez, após serem derrotados por 1 a 0 em Liniers – numa diferença que saiu barata. O time de Marcelo Gallardo teve suas chances nesta quarta, assim como contou com Armani. A história do jogo, todavia, gira sobre a anulação de um gol de Matías Suárez e a controversa intervenção do VAR. No fim, são os velezanos que avançam às quartas de final, na qual encararão o Talleres. Fica um gosto de fim de ciclo a Marcelo Gallardo e uma apática despedida a Julián Álvarez.

O River Plate poderia ter aberto seu caminho logo aos dois minutos. Numa grande jogada coletiva, Braian Romero escapou sozinho diante do goleiro Lucas Hoyos. Tentou mandar no canto e bateu rente à trave. Apesar do susto inicial, o Vélez respondeu logo depois. Buscava os chutes de longe e deu trabalho a Franco Armani, com boas defesas diante de Walter Bou e Lucas Janson. O duelo era aberto, com estilos de jogo bastante distintos, mas chegadas de ambos os lados. Isso até que o controle da bola se tornasse maior aos millonarios, mas sem claridade para definir diante da bem postada marcação velezana.

O segundo tempo se tornou mais tumultuado. O Vélez voltou a exigir de Armani durante os primeiros minutos. Enquanto isso, aos 15, Marcelo Gallardo acionaria o banco para as entradas de Matías Suárez e Juan Fernando Quintero. O time cresceu e Nicolás de la Cruz roçou a trave aos 18. Todavia, os espaços seguiam escassos para os millonarios, diante da marcação mais encaixada dos velezanos. O time de Cacique Medina apostava nos contragolpes e Armani mantinha a sobrevida de sua equipe, com outra intervenção vital diante de Abiel Osorio no mano a mano.

O lance mais controverso da noite aconteceu aos 33. Ezequiel Barco fez o cruzamento e Matías Suárez desviou para as redes. O gol foi validado no primeiro momento, até que o VAR comandado por Rafael Traci chamasse o árbitro Roberto Tobar. O chileno permaneceu cinco minutos diante do vídeo analisando as imagens e chamou um bandeira para ajudá-lo na interpretação, até que anotasse um toque no braço de Matías Suárez após a cabeçada. A reclamação do River Plate era de que, pela demora, os ângulos não eram conclusivos e, por isso, a decisão de campo deveria ter sido mantida. Entretanto, há realmente uma leve mudança de direção na bola que indica o toque e, portanto, a irregularidade – mais clara em fotografias divulgadas posteriormente, mas às quais a arbitragem não tinha acesso. Vale lembrar que Rafael Traci é o mesmo árbitro de vídeo do recente Botafogo x Internacional, que resultou em sua suspensão na CBF.

Com a retomada da partida, o River Plate tentou pressionar na reta final. Ia para cima e buscava o gol que rendesse os pênaltis. O Vélez se plantava na defesa e contou com a estreia de Diego Godín. O uruguaio, aliás, teve uma disputa pelo alto em que deixou o braço no adversário – os millonarios reclamaram bastante de um pênalti, que o VAR sequer recomendou a revisão. Em meio ao enfado, o River permaneceu lutando e buscando as jogadas na área. Não conseguiu seu milagre, ficando fora da Libertadores. Ao apito final, Gallardo e seus jogadores cercaram a arbitragem cobrando explicações. Deixaram o campo aplaudidos pela torcida.

Esta é a pior campanha do River Plate na Libertadores desde a chegada de Gallardo. Sempre os millonarios passaram das oitavas de final. O clube fez contratações interessantes nos últimos meses, mas não conseguiu manter a toada vista no último Campeonato Argentino e chegou num mau momento para os mata-matas. Paga com a eliminação. Já o Vélez, mesmo com as queixas sobre a arbitragem, fez por merecer a classificação. Foi bastante superior na ida e deu trabalho a Armani na volta. Sobrevive em meio às polêmicas, mas com chances de representar bem a Argentina, agora em sequência diante do Talleres.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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