Em jogo movimentadíssimo, Martínez foi trunfo do Racing e pesadelo do Cruzeiro

Quando aconteceu o sorteio da Copa Libertadores, o dia 27 de fevereiro deveria ser marcado no calendário, e não apenas por abrir a fase de grupos da competição. A data já guardava um jogaço: Racing x Cruzeiro, certamente decisivo aos rumos de uma das chaves mais difíceis desta edição. E os times celestes não ficaram devendo em termos de intensidade, com uma partida eletrizante no Cilindro. Noite de seis gols, embora os erros defensivos também tenham preponderado. Pior para a Raposa. Os cruzeirenses sofreram com seus desfalques defensivos e acabaram derrotados na visita a Avellaneda. Oportunista e letal, Lautaro Martínez aproveitou as brechas da defesa para anotar uma tripleta. Garantiu o importante triunfo à Academia por 4 a 2.
Sem Fábio, Edílson e Léo, o Cruzeiro nem parecia sentir as ausências ou mesmo o clima da torcida no Cilindro durante os primeiros minutos. Os mineiros começaram partindo para cima, pressionando os anfitriões quando estes tinham a bola e buscando espaços no ataque. O problema veio aos seis minutos, quando Fred se lesionou e precisou sair de campo. Rafael Sóbis entrou tentando manter o ritmo do time, mas as expectativas dos torcedores não se mantiveram. Aos 15 minutos, Lautaro Martínez abriu o placar. Neri Cardozo cobrou falta em direção à área e o prodígio se antecipou à marcação para desviar livre, sem chances para Rafael.
O Racing melhorou após o gol. Passou a se impor mais no campo de ataque, mesmo não criando tantas chances. O Cruzeiro parecia não encontrar mais o fio da meada. Ainda assim, buscou o empate aos 29. A partir de uma roubada de bola na intermediária, os mineiros pegaram a zaga adversária desguarnecida. Robinho lançou Egídio, que dominou na linha de fundo e cruzou para De Arrascaeta, cabeceando na pequena área. E não seria surpreendente a virada, diante do pandemônio que a Raposa instaurou à Academia logo na sequência. Foram três chances consecutivas, em meio a um bombardeio. Quando o goleiro Juan Musso não salvou, contou com a trave. Susto tremendo aos argentinos.
Depois disso, o Racing voltaria a controlar mais a partida. Anotaria o segundo gol antes do intervalo, em uma jogada ensaiada que contou com a colaboração da zaga cruzeirense. Neri Cardozo bateu rasteiro e achou Lautaro Martínez ao lado da barreira. O lance foi travado no primeiro momento, mas a bola sobrou ao próprio garoto, sozinho, batendo de primeira. Vantagem importante ao time da casa, que não fazia a partida mais brilhante, mas viu funcionar uma das virtudes do trabalho de Eduardo Coudet: as bolas paradas.
No início do segundo tempo, o Cruzeiro voltou disposto ao empate. Tentava sair mais ao ataque e, apesar da falta de lucidez no passe final, teve uma chance claríssima aos oito minutos. Sozinho, Rafinha carimbou o travessão e a bola ainda quicou próxima à linha antes de ser neutralizada pela zaga. O Racing apostava na movimentação de Lautaro Martínez e Ricardo Centurión. Quando o camisa 10 fez Rafael trabalhar, em grande defesa para desviar chute rasteiro para escanteio, a Raposa reviveu seu pesadelo no jogo aéreo. Na cobrança, Lautaro apareceu livre no primeiro pau e completou de cabeça, finalizando sua tripleta aos 17. Um tento para oferecer tranquilidade.
Thiago Neves entrou logo depois e o Cruzeiro esboçou uma reação aos 24, diminuindo a desvantagem em falta muito bem cobrada por Robinho. Mas faltava agressividade aos mineiros. Mesmo não sendo o time mais seguro na defesa, o Racing permanecia sem grandes sustos. Já aos 31, sacramentou a vitória. Augusto Solari saiu do banco e, após receber passe de Centurión, bateu por baixo de Rafael para anotar o quarto. Depois disso, a partida esfriou. Lautaro Martínez deixou o campo, sob amplos aplausos. E sem pernas para qualquer reviravolta, os cruzeirenses quase sofreram o quinto tento, em escanteio de Neri Cardozo que carimbou a trave. Ao final, confusão apenas na expulsão de Renzo Saravia, recebendo o vermelho direto após entrada dura.
Na saída de campo, os jogadores do Cruzeiro demonstravam certa resignação em suas análises. Falavam que os méritos do Racing pesaram mais que os seus. Realmente, foi um jogo bastante movimentado, com a Raposa tentando trabalhar os passes. Mas os mineiros precisam colocar a mão na consciência, pelos erros que se repetiram, tanto na defesa quanto no ataque. São três pontos “perdíveis” na conta do Grupo 5, mas que já apertam os cálculos para as cinco rodadas restantes. O Racing, por sua vez, desfruta do bom momento, mesmo sem impressionar tanto. Uma noite definida por Lautaro Martínez, extremamente decisivo quando apareceu para incomodar.



