Dois minutos transformaram o jogo e, orquestrado por Luan, o Grêmio terminou de atropelar o Tucumán

O duelo contra o Godoy Cruz na Libertadores de 2017 deixou uma lição ao Grêmio. Os tricolores saíram em vantagem no confronto pelas oitavas de final, vencendo por 1 a 0 fora de casa. Entretanto, o reencontro na Arena foi mais difícil do que se imaginava e a classificação se confirmou com uma virada, comandada por Pedro Rocha. Os gremistas certamente não queriam cometer a mesma temeridade diante do Atlético Tucumán, nestas quartas de final. A vitória conquistada na Argentina foi ainda maior desta vez, com o confortável 2 a 0. O Decano necessitaria sair mais para o jogo em Porto Alegre e realmente causou perigos nos primeiros minutos. Contudo, o mérito da equipe de Renato Gaúcho foi tomar as rédeas da partida para si. Em minutos transformadores no fim da primeira etapa, abriu boa vantagem e fechou a conta com a goleada por 4 a 0, que deixou a impressão de que até caberia mais. O desafio será maior nas semifinais, encarando o River Plate, que eliminou o Independiente também nesta terça.
O Grêmio entrou em campo com novidades. Sem Maicon e Ramiro, Matheus Henrique e Thaciano foram os substitutos. Sentindo falta de dois jogadores tão importantes em seu meio-campo, o Tricolor demorou a entrar no jogo. Viu o Atlético Tucumán dominar a posse de bola e ser mais agressivo no início da partida. Tomou alguns sustos, em arremates perigosos dos argentinos de média distância. A defesa gremista se desdobrava para evitar os perigos, enquanto o Decano não se acanhava na hora de finalizar. Acosta era o mais perigoso. Depois de um chute que passou muito próximo do travessão, exigiu uma boa defesa de Marcelo Grohe.
Depois do sufoco inicial, o Grêmio tentava causar problemas através da velocidade de seus atacantes. A partir dos 15 minutos é que os tricolores começaram a responder, com duas chances em sequência que não aproveitaram. O meio-campo gremista dava muitos espaços, mas a resposta da equipe começou a sair em contra-ataques. E foi assim que o gol dos gaúchos amadureceu. Um chute prensado de Everton, na saída de Luchetti, bateu no lado de fora da rede. Acosta deu o troco com mais um chute perigoso do outro lado, lambendo a trave de Grohe. No entanto, a partir dos 35 viria a mudança completa em um confronto que, até então, estava aberto.
Léo Moura cruzou e Thaciano não alcançou, mas Luan estava quase em cima da linha para abrir o placar. Já aos 37, em mais um ataque rápido, Luan passou para Alisson e, assim que ia driblando Luchetti, ele foi derrubado pelo goleiro. O árbitro marcou o pênalti de imediato e, após a consulta ao VAR, avaliou que o veterano não disputou a bola, foi apenas no corpo do adversário, rendendo o cartão vermelho. Cícero cobrou com segurança e ampliou. Antes do intervalo, ainda houve um gol de Thaciano bem anulado por impedimento. O Tucumán jogava por abrir o placar e tentar um milagre na Arena. O segundo tento dos gaúchos, entretanto, dilacerou as ambições do Decano.
Já o segundo tempo ganhou ares de treino. Com o Tucumán precisando se abrir para tentar qualquer coisa, o Grêmio passeava e maltratava os adversários, atuando com muita autoridade. O terceiro gol saiu aos sete minutos. Um chute de Alisson bateu e rebateu na defesa albiceleste, até acabar nas redes, creditado como tento contra de Mercier. Logo depois, o quarto poderia ter vindo em contra-ataque no qual haviam cinco contra um. Luan demorou a definir o que fazer e passou para Alisson, que tentou chutar quando a marcação aumentava e carimbou um defensor em cima da linha. As trocas de passes envolventes dos anfitriões eram um show à parte.
Sem levar sustos na defesa e jogando de maneira leve no ataque, o Grêmio logo gastaria suas alterações, poupando jogadores importantes. Jael foi um daqueles que saiu do banco, voltando de cirurgia recente. E diante da festa da torcida, entre algumas oportunidades desperdiçadas pelos tricolores por conta do excesso de preciosismo, o quarto gol saiu justamente graças ao centroavante. Jael sofreu pênalti e partiu para a cobrança, apesar dos gritos da torcida por Luan – um reconhecimento à partidaça feita pelo camisa 7, fazendo o time girar ao seu redor e dando um toque a mais de criatividade. Ainda assim, o tanque gremista conversou com o companheiro e ele mesmo chutou, num belo arremate que entrou no cantinho. Goleada digna da moleza que foram os 60 minutos finais do duelo.
O Grêmio precisa ter consciência de que deu sorte nas quartas de final. Por mais que conte com um time bem montado e viva o melhor momento de sua história, o Atlético Tucumán é inferior aos outros concorrentes na Libertadores. Bom para os tricolores, que jogaram de maneira efetiva e saem com os 6 a 0 no agregado, digno de sua superioridade no confronto. Mas o time sabe que as exigências aumentam bastante nas semifinais, contra o River Plate. Os gremistas não se mostram tão ajustados quanto na temporada passada, sobretudo pela falta de Arthur no meio-campo, mas seguem com potencial, graças às combinações no ataque e à qualidade do trio defensivo composto por Grohe, Kannemann e Geromel. Os atuais campeões continentais pegam um adversário em boa fase e com muito potencial ofensivo. Deverão ser dois jogaços, como já se prometiam em uma eventual final em 2017. Agora, com duas equipes amadurecidas.



