Dois goleiros formados no Caju, Santos e Bento serão os últimos guardiões dos finalistas da Libertadores
Os goleiros de Flamengo e Athletico Paranaense tiveram papéis importantes na campanha que os levou à grande decisão em Guayaquil neste sábado
Um surto de Covid-19 deixou o Athletico Paranaense desfalcado. Entre infectados, estava o goleiro Santos. Abriu a porta para que o jovem Bento continuasse debaixo das traves. Sua estreia como profissional foi nas oitavas de final da Libertadores. Seu terceiro jogo, fora de casa contra o River Plate. Ele entrou em campo e segurou a barra, apesar da eliminação. Um sinal claro da qualidade da formação de goleiros do CT do Caju. Outro mais claro ainda: neste sábado, os dois estarão debaixo de traves diferentes na final da Libertadores entre o Flamengo e o Furacão em Guayaquil.
A potência financeira do Flamengo acabou atraindo Santos. A negociação foi demorada, a pedido de Paulo Fonseca. Santos insistiu para sair, e o acordo acabou fechado por € 3 milhões. Embora tenha resistido, o Athletico estava com a reposição engatilhada. Bento ganhou a posição e foi importante na campanha paranaense. Da mesma maneira, Santos chegou como titular ao Flamengo e também teve seus momentos para levar os rubro-negros a mais uma decisão da Libertadores.
Santos, 32 anos, é o goleiro veterano da final. Foi destaque da Copa São Paulo com o Porto de Caruaru e chegou às categorias de base do Athletico Paranaense. Estreou em 2011 e ganhou a posição como titular com a saída de Weverton – outro membro dessa escola de goleiros – para o Palmeiras. Ao se destacar, foi convocado à seleção brasileira principal, embora ainda não tenha estreado. Em Tóquio, com o time olímpico, foi medalha de ouro, como seu antecessor.
O Flamengo tinha Diego Alves, aproximando-se do fim do seu contrato e que provavelmente sairá do clube ao fim do ano, e o garoto Hugo Souza. Santos, porém, foi imediatamente titular na Libertadores e na Copa do Brasil, enquanto os outros dois se revezavam no início do Campeonato Brasileiro. E recompensou a confiança com segurança. Santos fez três jogos na fase de grupos e ajudou com defesas providenciais na vitória sobre o Talleres, na segunda rodada da fase de grupos, e depois também no empate na Argentina.
No mata-mata, foi importante na dura vitória apertada por 1 a 0 sobre o Tolima em Ibagué. No primeiro tempo, barrou Caicedo de fora da área, e depois apareceu em um chute sem ângulo de Luis Miranda. Em um jogo equilibrado e aberto, frustrou Lucumí duas vezes depois do intervalo para assegurar o resultado. Não teve muito a fazer em uma goleada por 7 a 1 no Maracanã que garantiu a vaga nas quartas de final. Contra o Corinthians, compareceu quando foi exigido na Neo Química Arena e fez uma grande defesa contra Adson antes que o jogo de volta pudesse se complicar. A sua história na Libertadores foi essa: se não precisou resistir a grandes bombardeios, sempre passou segurança quando foi necessário.
Bento, nascido em Curitiba, nunca conheceu outro clube. Havia sido recém-promovido a titular quando fez defesas vitais para segurar o empate por 0 a 0 com o Caracas, na estreia da fase de grupos, que poderia ter sido pior ao Furacão. Foi exigido na derrota para o Libertad e, se não teve sua melhor noite na altitude da Bolívia, apareceu quando precisou no triunfo essencial à classificação contra os paraguaios.
Fez a sua parte na suada vitória nas oitavas de final no reencontro com o Libertad e precisou praticar milagres para segurar o 0 a 0 contra o Estudiantes, principalmente em uma cabeçada de Luciano Lollo no primeiro tempo. Depois, também interveio no chute de Fernando Zuqui após uma sequência de escanteios. Teve participação para manter o Athletico Paranaense na disputa até a estrela do garoto Vitor Roque brilhar nos segundos finais.
Na Arena da Baixada contra o Palmeiras, interveio para impedir que Rony marcasse de calcanhar, efoi firme nos chutes de média distância. Até na bola parada, grande arma do time de Abel Ferreira, não se deixou intimidar. Os paulistas foram mais perigosos no Allianz Parque, onde Bento precisou aparecer várias vezes. Pegou chute de Gustavo Scarpa, barrou Dudu e fazia todas suas defesas com muita firmeza, mesmo em um palco tão importante – lembrando que tem apenas 23 anos. No segundo tempo, com o jogo cada vez mais quente, fez uma intervenção maravilhosa em bomba de Gabriel Menino. Um dos momentos decisivos da apoteótica vitória contra o time que havia vencido as últimas duas Libertadores.
O Flamengo pode ter o favoritismo no duelo deste sábado, pela qualidade do seu elenco, mas não, necessariamente, por causa dos goleiros. Nesse quesito, ambos os times contam com grandes jogadores que podem fazer a diferença na final, com a bola rolando e nos pênaltis. E os dois frutos de uma escola de goleiros que vai se mostrando cada vez mais competente.



