Libertadores

Dentre os muitos motivos que fazem o rubro-negro sorrir, um dos principais é ver Everton Ribeiro de volta ao seu melhor

Everton Ribeiro passou por momentos de queda no último ano, mas é uma das razões da retomada do Flamengo

Everton Ribeiro possui um papel central no sucesso do Flamengo durante os últimos anos. Numa equipe com tantos destaques individuais, ninguém parece mais apto ao rótulo de “referência técnica” do que o meia. É o termômetro da equipe em muitos momentos. O maestro, que consegue reger o ritmo dos solistas ao redor, assim como oferece passes para os talentos individuais brilharem mais. Nesta quarta, em Guayaquil, o Fla contou com essa melhor versão de seu camisa 7, que conduziu o time durante quase todo o tempo, inclusive quando presenteou Bruno Henrique com dois gols na vitória. O momento favorável dos rubro-negros passa muito pela fase de Everton Ribeiro, de volta ao seu melhor pelo clube.

Dos nomes mais tarimbados do Flamengo, Everton Ribeiro só não é mais antigo no elenco que Willian Arão e Diego Ribas. Chegou em 2017 como um negócio de peso, mas ainda conviveu com fases nas quais o investimento não se correspondia em campo. Por mais que o craque brilhasse pontualmente, não era o que bastava. A transformação do time em 2019 deixou o camisa 7 menos em evidência, até por outros jogadores mais midiáticos ou mais decisivos. Isso não reduziu, contudo, a sua importância. E a maneira como Everton fazia o time de Jorge Jesus funcionar acabou sendo uma das chaves ao sucesso vivido naquela temporada. Passou longe de ser o mais impactante, mas permaneceu como um dos mais brilhantes. Inclusive na final de Lima contra o River Plate, quando era o cérebro que organizou o pensamento na hora da virada.

O último ano seria agridoce para Everton Ribeiro. O capitão deu sinais de declínio e a própria insistência de Rogério Ceni em não substituí-lo em jogos abaixo parecia injustificada, quando a influência do meia não era mais tão evidente na equipe. Mesmo as convocações à seleção brasileira pareciam exageradas. De novo ele contribuiu na conquista do Brasileirão e o impulso na reta final teria sua participação. Porém, ainda não era aquele maestro incontestável das campanhas anteriores. Algo que se recupera de maneira crescente nos últimos meses, sobretudo na Libertadores.

Ausente da equipe em junho por causa da Copa América, Everton Ribeiro voltou muito bem. Sua retomada coincidiu com a chegada de Renato Gaúcho, numa equipe que contava novamente com o florescimento de suas individualidades. Nada melhor, então, que desfrutar da capacidade técnica do camisa 7, jogando bem mais solto. Assim como em 2019, o meia deixa o estrelato para outros companheiros do setor ofensivo, mas tem uma contribuição inquestionável por sua leitura de jogo. Os gols não são dele, assim como não são muitas das assistências. Mas o passe que quebra as defesas e facilita a conclusão das jogadas tantas vezes sai de seus pés. A própria Seleção se aproveitou dessa crescente na última Data Fifa.

Contra o Barcelona, em Guayaquil, Everton Ribeiro aproveitou o jogo para se colocar sob os holofotes. Não explosivo como Bruno Henrique ou Diego Alves, mas com uma importância ao resultado tão grande quanto e um conjunto da obra até melhor. Num Flamengo que precisou administrar mais as situações e quebrar o ímpeto dos adversários, o camisa 7 conseguiu organizar a sua equipe. Chamou a responsabilidade e trabalhou bem os passes. E quando o time acelerava, tantas vezes era o seu toque o diferencial.

A primeira assistência para Bruno Henrique, a que abriu a classificação, é um exemplo da visão de Everton Ribeiro. A enfiada cirúrgica explorou a velocidade do companheiro e pegou a zaga adversária aberta, culminando num gol até fácil do atacante. Já o lance do segundo tento é de uma generosidade imensa do camisa 7. Acionado por Gabigol, ele saiu em velocidade e teve muita frieza diante do goleiro. Mas não quis resolver sozinho, já que o gol ficaria aberto a Bruno Henrique. O artilheiro da semifinal aproveitou mais um presente.

O nome de Everton Ribeiro não é o que estampa mais manchetes, não é o mais gritado pela criançada, não é o mais discutido nas mesas redondas. Sua importância no Flamengo, em compensação, é reconhecida por cada torcedor e evidenciada em dezenas de partidas ao longo dos últimos anos. Quando o time não estava tão bem, os rubro-negros sabiam como a queda do camisa 7 tinha seu peso. Nesta recuperação recente, e nesta classificação para a final da Libertadores, resta agradecer pela volta do craque e mais uma vez aplaudi-lo pela forma como contribui para que este time jogue tão bem.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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