Libertadores

Dá gosto de ver Rodrygo jogar, em um Santos que se aproxima da classificação

Quem nunca cabulou uma aula para jogar bola? Mas não como Rodrygo. Não para disputar uma Libertadores e, mais do que meramente participar do jogo, ainda ser protagonista. Enquanto dá os seus primeiros passos no profissional do Santos, o atacante segue os seus estudos. É um menino de 17 anos, no terceiro ano do Ensino Médio, que concilia os treinos de dia com as aulas à noite. Só que nas últimas semanas, algumas de suas noites acabam ocupadas com outros compromissos – e não estou falando da preparação ao Enem. Primeiro, ele se tornou o brasileiro mais jovem a balançar as redes pela competição continental. Já nesta terça, recebeu o prêmio de melhor em campo ao azucrinar a defesa do (ironia do destino) Estudiantes na vitória alvinegra por 2 a 0, que encaminha a classificação do Peixe aos mata-matas.

É um tanto quanto irresistível a eclosão de uma promessa. Ver um jogador de talento evidente dar os seus primeiros passos no profissional, e já se destacando desta maneira. Aos santistas, aliás, esta costuma ser uma das sensações mais prazerosas, em um clube predestinado a ser destino de fenômenos precoces. Pois em seu olhar clínico quanto aos prodígios, os torcedores alvinegros geralmente sabem quem são aqueles com um quê a mais. Parece ser o caso de Rodrygo. A maneira como o atacante vem encarando a fase de grupos da Libertadores é um negócio fora da curva.

Nesta terça, o Santos testou novamente a sua superioridade contra o Estudiantes, algo evidente já no primeiro encontro entre os clubes, na Argentina. Tecnicamente, o Peixe está bem acima desta equipe pincharrata. E jogando com velocidade, o time da casa era mais perigoso na Vila Belmiro. Copete deu seu aviso logo no primeiro minuto, com uma bola no travessão. A movimentação da linha de frente facilitava as transições. Já do outro lado, os alvirrubros dependiam basicamente de Juan Ferney Otero para ameaçar a meta de Vanderlei, sem muito sucesso na empreitada.

Rodrygo fazia um bom primeiro tempo, buscando o jogo e dando bons passes. O lance do primeiro gol, de qualquer maneira, dependeria de outros destaques da noite – dois jogadores criticados nos últimos tempos. Aos 43, Copete deu um baita lançamento para Gabigol, que partiu em velocidade pela direita, tocando na saída do goleiro. Um alívio ao camisa 10, que vinha de oito partidas sem marcar. Um gol importante para dar tranquilidade ao Peixe e também para demarcar o estilo do time de Jair Ventura.

A situação do Santos melhorou ainda mais no início do segundo tempo. Jean Mota cobrou falta e Lucas Veríssimo apareceu na área para emendar às redes. E Rodrygo acabaria em evidência, primeiro por sua persistência. O garoto recebeu um chute involuntário no abdome, chegando a vomitar na beira do campo. Apesar da recomendação para ser substituído, seguiu em frente. Permaneceu como uma das principais alternativas ofensivas e quase foi premiado com um gol de placa aos 28. O domínio por si já era deslumbrante, matando a bola dentro da área. Depois, ludibriou o marcador com uma finta e tentou bater por cima de Mariano Andújar, mas mandou para fora. Pouco tempo depois, Jair Ventura substituiu o prodígio, aplaudidíssimo pela Vila. E nos minutos finais, haveria tempo para Vanderlei fazer uma de suas grandes defesas.

Obviamente, a promoção de um jogador tão talentoso como Rodrygo depende de planejamento e pés no chão. De qualquer maneira, vai ser difícil poupar a promessa, diante da consistência que o adolescente tem apresentado, com várias atuações boas em um curto espaço de tempo. Além do mais, o atacante se mostra centrado para continuar o seu desenvolvimento. Não indica vaidades, algo exemplificado por sua permanência na escola. Os professores certamente perdoarão estas faltas, que tendem a aumentar um pouco mais na sequência do ano.

O Santos lidera o Grupo 6 da Libertadores, com nove pontos. Depois do susto inicial contra o Real Garcilaso, a campanha se ajeitou e os alvinegros venceram os três compromissos consecutivos. No atual cenário, um ponto a mais já deve valer a classificação. Em segundo, o Estudiantes tem quatro pontos. Real Garcilaso também tem quatro, mas com um jogo a menos. Enfrentará nesta quarta o Nacional do Uruguai, que tem dois pontos, no Parque Central.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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