Corinthians sobreviveu como pôde e contou com o herói Cássio para chegar às quartas de final
Após defesas importantes em Itaquera, Cássio defendeu dois pênaltis, e o Corinthians eliminou o Boca Juniors na Bombonera
Cássio tem 35 anos. Não é uma idade proibitiva para um goleiro, mas também não é mais o auge. Começaram algumas críticas, houve até ameaças. Ele, porém, fez defesas importantes na Neo Química Arena no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores e defendeu dois pênaltis para colocar o Corinthians nas quartas de final, após dois 0 a 0 contra o Boca Juniors. Não é mais o mesmo? Talvez. Mas ainda tem capacidade de ser o grande herói alvinegro.
Extremamente desfalcado, o Corinthians sobreviveu como pôde durante 180 minutos. Em Buenos Aires, não tinha Maycon, Paulinho, Renato Augusto, Fagner, Adson, Gustavo Silva e Júnior Moraes. Se teve um pênalti desperdiçado por Róger Guedes em Itaquera, na Bombonera finalizou apenas uma vez, para fora. Defendeu, brigou, sofreu, se agarrou ao que dava e levou à disputa de pênaltis, na qual sabia que poderia contar com um dos seus grandes ídolos.
Darío Bendetto também contribuiu. No tempo normal, perdeu um pênalti para o Boca Juniors, enchendo o pé na trave. Na disputa, com a cobrança decisiva para colocar o time argentino na próxima fase, bateu um dos cinco piores pênaltis de todos os tempos e eu juro que não é exagero. Fica na conta dele a eliminação e também na falta de criatividade dos donos da casa, que dominaram a partida, mas não criaram mais do que uma ou outra oportunidade – Cássio não precisou fazer uma defesa no segundo tempo.
No primeiro, precisou. Frustrou Sebastián Villa logo aos cinco minutos. Fabra mandou de fora da área, com perigo, por cima do travessão. Advíncula mandou o rebote de um escanteio em cima do goleiro corintiano e um contra-ataque terminou com Benedetto pegando de primeira, completamente livre, na pequena área. Para a sorte dos brasileiros, a bola chegou um pouco para trás e o centroavante isolou.
Perto da meia hora, Raul Gustavo subiu com o braço aberto e acertou o rosto de Pol Fernández. Após a checagem do assistente de vídeo, o árbitro Andrés Matonte marcou pênalti. Benedetto, porém, soltou a perna na trave esquerda. A pressão dos donos da casa não diminuiu. O Boca seguiu em cima, conseguindo escanteios e encurralando o Corinthians. Benedetto chegou a ter outra boa finalização, que passou perto, apesar de desvio da defesa brasileira.
O Corinthians continuou tentando sobreviver. Não produziu mais nada no ataque. Lançava a bola à frente, ninguém a mantinha. Róger Guedes era nulo, e os desfalques limitavam as opções de Vítor Pereira. A sorte é que o Boca Juniors, mesmo com tanta presença no campo de ataque, também não exigiu defesa de Cássio depois do intervalo. O lance mais perigoso foi uma escapada de Benedetto nas costas da defesa. Ele tentou por cobertura, mandou por cima. Estava impedido de qualquer maneira.
Marcos Rojo abriu os trabalhos com um chute muito tranquilo, deslocando Cássio. Fábio Santos respondeu na mesma moeda. Izquierdoz e Cantillo não tiveram dificuldades para converter, mas Villa bateu muito mal, aquele chute cruzado pouco cruzado, à meia altura, e Cássio fez a defesa. Raul Gustavo, porém, foi todo nervoso à bola e parou nas mãos de Rossi. Pol Fernández fez 3 a 2 para o Boca Juniors, antes de Rossi defender a batida de Bruno Melo – que nem foi tão ruim assim.
Benedetto teve a chance de se redimir. E, assim, não se redimiu, não. Piorou. Bateu de uma maneira tão torta e displicente que é até difícil entender o que pretendia – uma bomba alta com a parte de fora do pé? A bola subiu ao segundo anel da Bombonera e nunca mais foi vista com vida. Róger Guedes, sendo sincero, não correu menos riscos, mas sua bomba entrou no ângulo. Golaço.
Lo que hace este tipo no tiene nombre pic.twitter.com/lu5Gh9YrfX
— Me quiero matar (@BenedettoHater) July 6, 2022
Tudo igual. Alternadas. Romero começou batendo no meio, e Cássio quase defendeu com a ponta da chuteira. Roni chutou com raiva e empatou. Varela deu aquele pulinho antes de jogar no canto ao qual Cássio não pulou, e Lucas Piton contou com a sorte porque Rossi chegou a tocar na bola. Juan Ramírez deu menos sorte. Bateu aberto de perna esquerda, e Cássio foi buscar. Era só o Corinthians acertar o próximo pênalti que estaria nas quartas de final.
Gil não bateu bem. Cruzou rasteiro de perna direita, e Rossi foi atrás. Chegou a tocar na bola, mas não a agarrou. Espalmou contra o próprio gol, e o Corinthians está nas quartas de final.



