Libertadores

Conmebol divulga diálogos do VAR e admite erro no gol anulado de Boselli, do Cerro Porteño, contra o Fluminense

Entidade divulgou o vídeo com toda a revisão e o áudio do VAR, que desconsiderou um jogador que tornava a posição de Boselli legal

A Conmebol admitiu que o gol anulado de Mauro Boselli, do Cerro Porteño, no jogo contra o Fluminense foi um erro de arbitragem. Mais do que isso: um erro do VAR. No seu site, a entidade divulgou um vídeo com o áudio da conversa do VAR e escreveu que os profissionais desconsideraram, erroneamente, um jogador do Fluminense que tornaria a posição de Boselli legal. O Fluminense venceu o jogo por 2 a 0, em Assunção. O lance despertou a ira do técnico do técnico do Cerro Porteño, Francisco Arce, que disse que a arbitragem roubou o time em sua casa.

O erro descrito pela própria Conmebol é absurdo e inadmissível para árbitros profissionais. É o tipo de erro que coloca toda a arbitragem sul-americana em descrédito. A única coisa que merece elogio é que a Conmebol divulgou os áudios rapidamente, além de ter admitido que foi um erro.

O árbitro em campo foi Facundo Tello, da Argentina. Os assistentes, também da Argentina, foram Cristian Navarro e Julio Fernández. O árbitro responsável pelo VAR, o grande responsável por essa lambança que vimos em campo, foi Cesar Deishler, do Chile. É de se esperar que ele não apareça nas próximas escalas.

Arce: “Nos roubaram na nossa casa”

O erro tem uma influência enorme e, por isso, o técnico Francisco Arce foi duro nas críticas. “Acredito que foi um erro muito grande, muito evidente, é impossível que as pessoas que estavam no VAR não tenham se dado conta, também o assistente levantou a bandeira muito rápido. Se investe tanto, nos convidam para participar de palestras, mas nos roubaram na nossa casa”, declarou o treinador, em entrevista coletiva logo depois do jogo.

“Começamos a partida com eles encontrando espaços e, passados 20 minutos, mudamos o jogo e da nossa maneira fomos superiores, criamos chegadas. Não voltamos bem para o segundo tempo, eles aproveitaram para converter em gols”, continuou Arce.

“Houve momentos que nos primeiros minutos de ambos os tempos que eles pareceram mais ágeis, pode ser porque eles vêm jogando seguidamente, mas trabalhamos bem, temos que nos recuperar e corrigir os nossos erros. Vamos buscar fazer os gols lá e que a arbitragem seja imparcial”, continuou o técnico.

“Não ficamos decepcionados, e sim irritados por algo tão evidente e fácil de determinar, vários profissionais que são pagos para isso, mas não conseguiram ver, oito ou dez câmeras, tivemos as imagens em seguida nos nossos celulares. Evidente que afeta um pouco, podia ter mudado a forma de encarar o segundo tempo, agora já foi, não podemos fazer nada, nos metem a mão aqui e também em jogos de seleções”.

Boselli: “Hoje fizemos um gol válido”

O atacante Mauro Boselli também comentou sobre o lance depois do jogo. “No começo, temos que analisar a partida que fizemos, o confronto não está terminado, acredito que hoje fizemos um gol válido, tivemos as chances e temos que ir jogar no Rio de Janeiro com essa atitude”, disse o centroavante na coletiva de imprensa.

“Nos afetou o gol anulado, tendo o VAR lá em cima, uma pessoa sentada na frente do televisor e todo o tempo não se justifica. Entramos para jogar o segundo tempo sabendo que algo que aconteceu não foi justo”, disse ainda o camisa 9. “Temos que assimilar a derrota com tudo que carrega, a partir de amanhã temos que pensar como reverter o confronto sabendo que antes temos uma partida importante pelo torneio local, depois pensamos no que faremos para ir ao Rio e buscar os gols”.

“O erro não é do árbitro, há o VAR e segue uma interpretação, ele pode se equivocar como nós fazemos no campo. O erro é do VAR”, declarou ainda o argentino. “Claro que fizemos coisas ruins, por isso levamos esse resultado conosco, mas o professor com certeza vai modificar as coisas para ir ao Rio buscar um resultado favorável”.

Chilavert vai além: “O Brasil maneja o VAR e protege suas equipes”

O ex-goleiro José Luis Chilavert foi mais um a criticar a atuação do VAR e foi além: acusou os brasileiros de usarem a ferramenta para favorecerem seus próprios clubes. “O Brasil maneja o VAR na Corrupbol e protege suas equipes. Aqui o roubo ao Cerro Porteño e também ao Boca Juniors, assim matam o futebol”, disse o ex-jogador no Twitter. Vale lembrar que o presidente da Comissão de Arbitragem da Conmebol é o brasileiro Wilson Seneme, ex-árbitro.

Cerro Porteño e Fluminense voltam a se enfrentar na próxima terça-feira, no Rio de Janeiro, e os paraguaios precisam de uma vitória de ao menos dois gols de diferença para seguirem vivos na competição. Caso vençam por 2 a 0, a partida ir para os pênaltis. Se vencerem por dois gols de diferença marcando ao menos três gols, avançam pelos gols fora de casa.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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