Como chegam os sete clubes brasileiros à fase de grupos da Libertadores 2019
Pelo terceiro ano seguido, o Brasil terá sete representantes na fase de grupos da Libertadores. E, com a queda do São Paulo nas preliminares, cada um com um grupo para chamar de seu. Em menor ou maior nível, todos com possibilidades de avançar ao mata-mata e, a partir daí, o céu é o limite.
Athletico Paranaense

Como se classificou: campeão da Copa Sul-Americana
Panorama do time
Como em anos anteriores, o time principal do Athletico nem se preocupou com o Campeonato Paranaense. A estreia oficial da temporada será contra o Tolima, na primeira rodada da fase de grupos da Libertadores. Tiago Nunes teve amistosos contra os paraguaios General Díaz e Guaraní para preparar a equipe, que conta com seis jogadores importantes remanescentes da campanha de 2017, quando perdeu para o Santos nas oitavas de final: Jonathan, Paulo André, Thiago Heleno, Lucho González, Bruno Guimarães e Nikão. Nunes ainda tem algumas dúvidas. Na lateral esquerda, tem as opções de Renan Lodi e Márcio Azevedo. O meio certamente terá Bruno Guimarães. Lucho González também deve jogar bastante, embora esteja fora da estreia. Camacho, Léo Cittadini e Wellington são as alternativas. O ataque tem Nikão e Marco Ruben, principal reforço da temporada. Pode ser complementado por Rony ou Marcelo.
Principais transferências
Dos principais jogadores do título da Copa Sul-Americana, o Athletico perdeu Pablo e Raphael Veiga. Fez suas principais contratações no mercado sul-americano. Marco Ruben, 32 anos, chegou do Rosario Central. Tomás Andrade, ex-Atlético Mineiro, foi emprestado pelo River Plate. E o atacante Braian Romero veio do Independiente. Além disso, o Furacão assegurou os serviços de Madson para reforçar a lateral direita e Léo Cittadini para o meio-campo.
O grupo
Pode dar trabalho. O grupo tem o Boca Juniors, atual vice-campeão da Libertadores, no começo de um novo projeto com Gustavo Alfaro, ex-Huracán, após a saída de Schelotto. O Jorge Wilstermann é o campeão do Apertura boliviano, fez o Vasco suar na fase preliminar do ano passado e foi quadrifinalista em 2017 – ganhando do River Plate por 3 a 0 na altitude moderada de Cochabamba antes de sucumbir por 8 a 0 no jogo de volta. Campeão do Apertura na Colômbia, o Tolima fecha a chave.
Palmeiras

Como se classificou: campeão do Campeonato Brasileiro
Panorama do time
O campeão brasileiro teve nove rodadas de Campeonato Paulista para se preparar. Não foi bem nos grandes testes. Perdeu do Corinthians e ficou no empate contra um Santos com muitos reservas, embora tenha criado o bastante para vencer. O título, porém, dá crédito para Felipão, o primeiro treinador desde Marcelo Oliveira, em 2016, a terminar um ano e começar o outro. Dudu renovou contrato, e Gustavo Gómez deve ser comprado em breve, duas permanências essenciais. Com a base mantida, a escalação até os volantes é conhecida: tem Mayke, Gómez, Luan ou Edu Dracena ou Antonio Carlos e Diogo Barbosa na defesa, e Felipe Melo e Bruno Henrique começando o meio-campo, com Moisés de opção. Felipão, então, tem que encaixar as outras peças. Dudu é incontestável pela esquerda, e sempre haverá um centroavante, Deyverson ou Borja – ou talvez Arthur Cabral, não inscrito no Paulista, mas disponível na Libertadores. Ricardo Goulart impressionou contra o Ituano e ganha moral para ser o meia-atacante centralizado. À direita, Felipe Pires e Carlos Eduardo, dois pontas velozes contratados nesta temporada, têm se revezado, sem agradar. Scarpa, se estiver em forma, pode ocupar a vaga, com outras características. Felipão ainda tem Lucas Lima, Hyoran e Raphael Veiga para movimentar suas peças.
Principais transferências
Depois de algumas janelas contratando em baciada, o Palmeiras começou o ano pela segunda vez seguida com contratações pontuais. Ricardo Goulart é a grande novidade de um time que manteve seus principais nomes. Felipe Pires, do Hoffenheim, e Carlos Eduardo, do Pyramids, chegaram para fornecer velocidade pelos lados. Arthur Cabral e Zé Rafael vieram na cota de destaques do futebol brasileiro, que nem sempre conseguem muitos minutos em campo no atual projeto palmeirense.
O grupo
O Palmeiras reencontra o Júnior Barranquilla, campeão do Finalización, no segundo semestre, e vice da Copa Sul-Americana. Ganhou as duas partidas na fase de grupos do ano passado, por 3 a 0 e 3 a 1, mas é sábio não subestimar os colombianos. O San Lorenzo classificou-se como terceiro colocado do Campeonato Argentino. Mas, desde então, não vem muito bem. É o lanterna da liga nacional, com apenas duas vitórias em 20 rodadas. O Melgar passou como terceiro colocado do Campeonato Peruano.
Cruzeiro

Como se classificou: campeão da Copa do Brasil
Panorama do time
O Cruzeiro teve apenas o Campeonato Mineiro para se testar e se preparar para a estreia da Libertadores, contra o Huracán, o que nunca é um bom parâmetro para medir o atual estado da equipe, entre partidas contra adversários de baixo nível e pouca motivação. Em oito rodadas, foram quatro vitórias e quatro empates, um deles no clássico contra o Atlético Mineiro, grande jogo da temporada até agora. O artilheiro do time é Fred, com quatro dos 14 gols marcados. O time não difere muito do ano passado. Fábio defende a meta, atrás de Edilson, Léo, Dedé (suspenso para a estreia) e Egídio. O meio-campo conta com Henrique e Lucas Romero na contenção e uma linha de armadores que perdeu Arrascaeta, mas foi reforçada com Rodriguinho e Marquinhos Gabriel, além de Robinho e Thiago Neves, provavelmente desfalque na estreia. Fred é o comandante do ataque de Mano Menezes, que cobrou a chegada de um atacante de velocidade porque, no momento, conta apenas com David para a função.
Principais transferências
O Cruzeiro perdeu alguns jogadores importantes, como Barcos, decisivo na Copa do Brasil, Arrascaeta, negociado com o Flamengo, e Manoel e Rafael Sóbis, que não vinham jogando tanto. Trouxe Rodriguinho e Marquinhos Gabriel para o setor de criação, além do volante Jadson, em troca com o Fluminense que envolveu Bruno Silva. Levou também os laterais Orejuela (direita) e Dodô (esquerda) para fazer sombra aos titulares.
O grupo
O Huracán passou como quarto colocado do Campeonato Argentino e, atualmente em sétimo lugar, pode ser o principal adversário do Cruzeiro, embora não passe por grande fase. Está há cinco jogos sem vencer. O Emelec credenciou-se com o vice-campeonato do Campeonato Equatoriano, por ter feito a melhor campanha do segundo turno e chegado à final, na qual foi derrotado pela LDU. Na tabela agregada, foi apenas o terceiro colocado. Desde 2013, alterna, ano sim, ano não, classificações às oitavas de final com a lanterna dos seus grupos. Caso você seja supersticioso, pode querer saber que os equatorianos ficaram em último na edição passada, com apenas um ponto no grupo do Flamengo e do River Plate. O Deportivo Lara foi vice-campeão do Venezuelano, mas levando uma pedrada na decisão: 1 a 1 na ida e depois 4 a 0 na volta contra o Zamora.
Flamengo

Como se classificou: segundo colocado no Campeonato Brasileiro
Panorama do time
O Flamengo ainda busca o grande título com o qual seu novo poder de investimento faz o torcedor sonhar. A Libertadores é uma boa pedida, até para reverter um histórico de campanhas decepcionantes desde o título de 1981. Grandes jogadores foram contratados, agora sob o comando do experiente Abel Braga. Apesar de vitórias folgadas nas últimas rodadas do Carioca, a pressão cresceu pela derrota para o Fluminense, um dos poucos testes de verdade este ano, nas semifinais da Taça Guanabara. Abel parte de Cuéllar e Willian Arão no meio-campo e, então, chega a um quebra cabeça: mantendo dois volantes, Diego, Vitinho, Bruno Henrique, Arrascaeta, Éverton Ribeiro e Gabriel Barbosa brigam por quatro vagas. E ainda tem Berrío e Uribe. O treinador deixou em aberto a possibilidade de usar apenas um jogador de contenção no meio-campo e Diego mais recuado, mas acredita que a equipe ainda não está nesse estágio.
Principais transferências
O Flamengo não poupou esforços para reforçar o seu elenco. Trouxe três importantes jogadores de meio e ataque: Arrascaeta, do Cruzeiro, Gabriel Barbosa, artilheiro do Brasileirão pelo Santos, e Bruno Henrique, que oscilou momentos ótimos e nem tão ótimos assim desde que voltou ao Brasil. A defesa ganhou Rodrigo Caio, ex-São Paulo.
O grupo
Os 3,7 mil metros de altitude de Oruro, casa do San José, fazem com que os 2,8 mil de Quito, onde mora a LDU, pareçam um passeio na praia. Os efeitos do ar rarefeito serão assunto na campanha do Flamengo. Ao nível do mar do Rio de Janeiro, o vencedor do Clausura do Campeonato Boliviano e o campeão equatoriano não devem causar grandes problemas. O time que pinta como principal rival do Flamengo é o Peñarol, experiente e atual campeão uruguaio.
Internacional

Como se classificou: terceiro colocado do Campeonato Brasileiro
Panorama do time
Odair Hellmann conseguiu dar uma rara estabilidade ao cargo de treinador do Internacional. No começo de março, completou 15 meses, desde que foi efetivado, no fim de 2017, e é o técnico mais longevo do Colorado em dez anos, desde a saída de Tite. Com o time que havia acabado de subir da Série B, fez uma grande campanha no Brasileirão e se prepara para estrear na Libertadores. O Inter perdeu duas das três primeiras rodadas do Campeonato Gaúcho, mas se recuperou com quatro vitórias seguidas, antes da pausa de duas semanas. Está em segundo lugar, a quatro pontos do Grêmio. O time tem sido montado com Zeca, Rodrigo Moledo, Víctor Cuesta e Iago na defesa. O meio-campo tem um trio de jogadores. Sempre Edenílson e Rodrigo Dourado ao lado de Patrick ou Nonato ou D’Alessandro, que passou um mês com poucos minutos em campo e deve ser reserva na estreia contra o Palestino. O ataque conta com William Pottker e Nico López, às vezes Neilton ou Tréllez, com o jovem Pedro Lucas à frente. Ou Rafael Sóbis, caso Hellmann queira mais experiência internacional para a Libertadores.
Principais transferências
O Internacional perdeu os atacantes Leandro Damião e Rossi e trouxe outros: Tréllez, do São Paulo, Neilton, do Vitória, Guilherme Parede, do Coritiba, e Rafael Sóbis, que volta ao Beira-Rio. O meio-campo recebeu Lindoso, do Botafogo, e Matheus Galdezani, emprestado pelo Coxa, mas, machucado seriamente no dia da sua apresentação, ficará sete meses se recuperando. Também chegou o lateral direito Bruno, do Bahia.
O grupo
O Internacional tem um óbvio rival pela classificação no River Plate, atual campeão sul-americano, e dispensado de maiores apresentações. Poderia ter se dado pior caso o São Paulo tivesse passado pelo Talleres e depois pelo Palestino. Não passou. Os chilenos superaram os argentinos e completaram o grupo. Estão na Libertadores pelo título da copa porque ficaram apenas em 13º lugar no campeonato nacional do ano passado. O Alianza Lima é o outro integrante. Foi vice-campeão peruano, mas levando um sonoro 7 a 1 do Sporting Cristal no placar agregado da final.
Grêmio

Como se classificou: quarto colocado do Campeonato Brasileiro
Panorama do time
Ao contrário do ano passado, quando o time de transição montado por Renato Gaúcho sofreu no Campeonato Gaúcho, o Grêmio, desta vez, foi impecável nas primeiras rodadas do estadual. Chegou à pausa de duas semanas com seis vitórias e dois empates, 23 gols marcados e apenas um sofrido, com o treinador administrando titulares e reservas. Tem quatro pontos de vantagem na liderança e está classificado às quartas de final, com três rodadas de antecedência. Marcelo Grohe deixou o Grêmio, substituído por Paulo Víctor. Leonardo Gomes começa a temporada na lateral direita, enquanto Léo Moura se recupera de lesão na panturrilha, ao lado de Geromel, Kannemann e Cortez. Em condições ideias, o meio deve ter Maicon e Michel, embora o segundo esteja fora da estreia contra o Rosario Central, depois de torcer o tornozelo. Rômulo tomará o seu lugar. Marinho, Luan e Everton, com Felipe Vizeu à frente, são o poder de fogo gremista, com Diego Tardelli, que ainda não estreou em jogos oficiais e está adquirindo preparo físico, certamente ocupando uma vaga pela esquerda na linha de armação ou mesmo centralizado.
Principais transferências
Algumas peças que atuaram bastante pelo Grêmio foram embora. Grohe é a mais emblemática. Douglas, a vice-campeã. Ramiro é outro desfalque sentido. Bressan e Jael não devem deixar tantas saudades quanto os outros. O clube gaúcho fez suas reposições com Júlio César, do Fluminense, para ser o reserva de Paulo Víctor; Felipe Vizeu no comando de ataque; e Rômulo, ex-Flamengo, e Walter Montoya, do Cruz Azul, no meio-campo. Tardelli chegou do Shandong Luneng para elevar o patamar do campeão sul-americano de 2017.
O grupo
Complicado. O Grêmio reencontra o Rosario Central, responsável pela sua eliminação nas oitavas de final de 2016, mas em um mau momento. O técnico Edgardo Bauza foi demitido, e o time não ganha há oito partidas do Campeonato Argentino. Tem, aliás, apenas duas vitórias em 18 rodadas. Ainda tem o Libertad, autor da terceira melhor campanha da edição passada da Libertadores, antes de ser varrido pelo Boca Juniors nas oitavas de final, e terceiro colocado na tabela agregada do Campeonato Paraguaio. A Universidad Católica, campeã chilena, fecha o grupo.
Atlético Mineiro

Como se classificou: sexto lugar do Campeonato Brasileiro
Panorama do time
O Galo esteve muito ocupado neste começo de ano. Precisou passar pelas duas fases preliminares da Libertadores para chegar à fase de grupos. Levou algum susto apenas no segundo jogo da rodada inicial, contra o Danúbio. Depois de empate por 2 a 2 fora de casa, atuando muito bem, abriu 3 a 0 em Belo Horizonte, mas permitiu que os uruguaios diminuíssem para 3 a 2, aos 13 minutos do segundo tempo. A meia hora final foi nervosa. Na segunda fase, contra o Defensor, muito mais tranquilidade: vitória por 2 a 0 em Montevidéu e empate por 0 a 0 no Independência, com Levir Culpi testando uma nova formação com três volantes, para tentar minimizar aquela insana troca de golpes que virou característica do técnico e do clube nos últimos anos e é o que torna o time atleticano um pouco instável. A escalação habitual do Atlético Mineiro tem a nova dupla de zaga formada por Igor Rabello e Réver, com Patric e Fábio Santos nas laterais, Adilson e Elias no meio-campo, com Luan, Cazares, Chará e Ricardo Oliveira, autor de nove gols até agora, no ataque. Na partida com o Defensor, Zé Welison começou jogando na trinca de volantes. Ele foi expulso e está suspenso para a estreia contra o Cerro Porteño, mantendo o mistério sobre os planos de Levir para o futuro. Com cinco vitórias seguidas, e usando muitos reservas, o Galo lidera o Campeonato Mineiro e tem uma novidade para a Libertadores: depois de 570 dias afastado, voltará a mandar suas partidas no Mineirão, dando início a um retorno gradual ao Gigante da Pampulha.
Principais transferências
O Atlético Mineiro teve um mercado relativamente modesto. Reforçou mais o seu elenco do que o time titular. Entre os onze preferidos de Levir até agora, apenas os zagueiros Réver, de volta do Flamengo, e Igor Rabello, do Botafogo, são novidades. O resto das contratações trazem algumas apostas, como Papagaio, atacante formado na base do Palmeiras, Maicon Bolt, ex-Fluminense que passou por Lokomotiv Moscou e Antalyaspor, e o volante Jair, ex-Sport.
O grupo
Há dois vice-campeões nacionais. O Cerro Porteño foi segundo colocado, atrás do Olímpia, tanto no Apertura quanto no Clausura do Campeonato Paraguaio, ano passado, e se classificou como o melhor time na tabela agregada que ainda não tinha vaga. O Nacional fez a melhor campanha do Apertura do Uruguai e ficou atrás do Penãrol no Clausura. Acabou perdendo o título no jogo decisivo entre os grandes rivais. O Zamora chega como campeão nacional da Venezuela, com direito a goleada por 4 a 0 sobre o Deportivo Lara na final. A chave pode engrossar o caldo, caso o Galo dê bobeira.



