Libertadores

Com sonoras goleadas, River Plate e Junior deixaram ótimas impressões antes de se tornarem desafios aos brasileiros

Flamengo e São Paulo fizeram partidas decisivas às suas pretensões na Copa Libertadores da América. Enquanto a situação dos tricolores se torna praticamente insustentável, precisando de um milagre nas duas rodadas finais após a derrota por 4 a 2 para a LDU Quito, os rubro-negros se tranquilizaram ao derrotarem o Barcelona por 2 a 1 em Guayaquil, apesar dos 11 desfalques e dos riscos sofridos durante o segundo tempo. A rodada de terça, além do mais, serviu para deixar boas impressões sobre concorrentes diretos. River Plate e Junior de Barranquilla conquistaram vitórias sonoras.

O River Plate destroçou o Binacional por 6 a 0, na visita ao Peru. Os Millonarios foram ajudados pela mudança de local da partida, já que Juliaca acabou vetada por conta do número de casos de coronavírus na região. Os argentinos se livraram de uma altitude de 3,8 mil metros para atuar em Lima, que fica na costa do país. E o grande diferencial dos celestes, o ar rarefeito, não seria sentido pelo clube visitante. O resultado foi um enorme passeio do time de Marcelo Gallardo, contra um oponente inócuo e desorganizado. Apesar disso, também há méritos sobre a forma como os argentinos dominaram o meio-campo, sobretudo com a dupla central formada por Enzo Pérez e Nacho Fernández.

A um River Plate que ainda pega ritmo, após os meses de paralisação das atividades até a volta da Libertadores, a partida com ares de jogo-treino foi importante. Os três primeiros gols saíram ainda no primeiro tempo, com Nicolás de La Cruz, Matías Suárez e Julian Álvarez. Mesmo com a área lotada de jogadores celestes, os argentinos conseguiam forçar os tentos. Na segunda etapa, Nacho Fernández anotou o quarto. E os minutos finais foram aliviantes a Lucas Pratto, que carregava um jejum desde maio de 2019 sem balançar as redes por qualquer competição. O substituto guardou mais dois gols para fechar a conta. Foi a maior goleada da história do River fora de casa, bem como o maior placar agregado já aplicado na história da Libertadores, contando os 8 a 0 do Monumental.

O River Plate teve perdas pontuais neste período de paralisação, sobretudo com a iminente saída de Juan Fernando Quintero, e não trouxe reforços. Entretanto, Marcelo Gallardo possui uma base forte em mãos e vários jogadores jovens com potencial, o que se nota nesta volta da Libertadores. Também percebe-se novas adaptações táticas. Com sete pontos no Grupo D, o River precisa conter uma reviravolta do São Paulo, que corre atrás do prejuízo com três pontos atrás e a visita a Buenos Aires na próxima rodada. Pelo momento, é difícil de acreditar no necessário triunfo tricolor dentro do Monumental. Já a LDU Quito aparece na liderança com nove pontos, garantindo vitórias amplas no Equador contra seus dois maiores adversários. Uma vitória em casa contra o Binacional será a certeza à encaminhada classificação.

No Grupo A, o Flamengo precisava ficar de olho no Junior de Barranquilla x Independiente del Valle, na Colômbia. Uma vitória dos equatorianos seria benéfica aos rubro-negros, sem pensar necessariamente na primeira colocação, já que o resultado deixaria o Fla a um ponto dos mata-matas. Mas, no fim das contas, os Tiburones conquistaram uma goleada por 4 a 1 e mostraram que estão no páreo. Mesmo com a saída do histórico técnico Julio Comesaña, que deu lugar no comando a Luis Amaranto Perea (o ex-defensor, de carreira extensa principalmente pelo Atlético de Madrid), o Junior se reforçou e já conquistou a Supercopa da Colômbia na retomada do futebol no país.

O Del Valle até abriu o placar em Barranquilla, com o veterano Gabriel Torres, em lance de velocidade. Entretanto, o Junior não se abateu e contou com a fome de gols de Carmelo Valencia, que tinha perdido algumas boas chances e se redimiu de maneira inquestionável. O empate se deu aos 44 minutos, com o centroavante aproveitando um rebote. Já no segundo tempo, Valencia completaria sua tripleta com mais dois gols em pouco mais de meia hora, explorando as costas da zaga. A cinco minutos do fim, o golpe de misericórdia veio com Fredy Hinestroza, num lindo chute colocado. Os colombianos deixaram os equatorianos com os pés no chão, depois da inapelável goleada sobre o Flamengo.

Pela qualidade individual e por fazer os dois últimos jogos em casa, mesmo com o enorme risco de desfalques, o Flamengo permanece como um dos favoritos à classificação. O Independiente del Valle perdeu o embalo, embora já tenha mostrado que sabe como enfrentar os rubro-negros mais de uma vez, e requer cuidados por isto. Os dois times somam nove pontos. O Junior, por fim, aparece como franco atirador, três pontos atrás. Joga contra o Barcelona de Guayaquil em casa e se mostra um time diferente em relação ao que perdeu na estreia contra o Fla, mais agressivo. Não pode ser descartado, como a goleada desta terça bem mostrou.

Nos demais jogos, vale destacar ainda o Nacional de Montevidéu. O Bolso é o único time com 100% de aproveitamento após quatro rodadas e se tornou o primeiro classificado às oitavas de final. Tudo bem que o grupo, nivelado para baixo, ajudou. Apenas o Racing aparece em condições de competir com os uruguaios e, mesmo assim, perdeu o confronto direto realizado em Avellaneda. Nesta terça, os tricolores garantiram a tranquilidade durante a visita ao Estudiantes de Mérida. Em recuperação no Campeonato Uruguaio, o Nacional ganhou por 3 a 1 na Venezuela – dois gols de Thiago Vecino e outro de Renzo Orihuela.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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