Libertadores

Com direito a recorde de Ângelo, o Santos se impôs contra o San Lorenzo e volta com um grande resultado da Argentina

O Peixe fez 3 a 1, com o garoto de 16 anos se tornando o mais jovem a marcar na história da Libertadores

O Santos tinha um confronto duro na última fase preliminar da Copa Libertadores, especialmente considerando a tradição do San Lorenzo. O Nuevo Gasómetro, porém, não foi suficiente para intimidar a garotada de Ariel Holan e o Peixe conquistou um resultado excelente na Argentina. Os santistas dominaram grande parte do duelo e abriram dois gols de vantagem no primeiro tempo. Até temeram o empate depois que o Ciclón descontou, mas os visitantes voltariam a pressionar no fim e assegurariam uma confortável vitória por 3 a 1. O último gol, aliás, fica para os livros da Libertadores: Ângelo marcou aos 16 anos e quatro meses, se tornando o mais jovem a balançar as redes na história do torneio. O recorde anterior, do racinguista Juan Carlos Cárdenas, perdurava desde 1962.

O Santos manteve uma equipe bastante jovem, como já tinha ocorrido contra o Deportivo Lara na fase anterior da Libertadores. Nomes como Kaiky, Vinícius Balieiro, Gabriel Pirani e Marcos Leonardo figuravam na equipe. Lucas Braga e Marinho eram duas outras opções importantes de Ariel Holan no ataque. Já Ângelo acabava como uma arma no banco para o segundo tempo, assim como Soteldo, que teve problemas ao retornar da Venezuela após dez dias no país. Do outro lado, o técnico Diego Dabove contava com várias figurinhas carimbadas no San Lorenzo. Alejandro Donatti, Ángel Romero e Franco Di Santo eram os velhos conhecidos do futebol brasileiro.

O ritmo forte do Santos durante o início da partida ajudou a construir a vitória. Depois de um abafa inicial do San Lorenzo, o jogo rapidamente virou aos visitantes. Marcos Leonardo estava elétrico durante os primeiros minutos, mas seria de Lucas Braga o primeiro gol, aos sete. Luan Peres roubou a bola na intermediária, Lucas Braga recebeu na esquerda e fintou a marcação, antes de bater firme para estufar as redes. O tento aumentava a confiança do Peixe, mantendo a postura ofensiva mesmo com a vantagem inicial. O mais importante era a maneira como os alvinegros imprimiam um ritmo forte, pressionando na marcação e acelerando a cada ataque.

Em certos momentos, até parecia que o Santos jogava em casa no Nuevo Gasómetro. Os brasileiros não abdicavam de sua ofensividade e tal domínio mantinha o jogo sob controle, sem que o San Lorenzo conseguisse responder. Lucas Braga era uma válvula de escape importante, muito participativo, enquanto Gabriel Pirani ditava o ritmo na armação. Faltava apenas criar mais chances. Já o Ciclón abusava da ligação direta e não acertava as finalizações. Os azulgranas só tiveram sua primeira boa chegada depois dos 30, mas Kaiky travou Bruno Pittón. Com o passar dos minutos, o Peixe diminuiu a velocidade de suas investidas. Mesmo assim, merecia o segundo gol e conseguiu aos 45. Marcos Leonardo sofreu pênalti do goleiro José Devecchi, que Marinho converteu.

O segundo tempo não parecia mudar de figura, com o Santos ainda superior. Lucas Braga poderia ter feito o segundo aos 12, mas Devecchi salvou sua cabeçada. O atacante também reclamaria de um pênalti que a arbitragem não deu. Apenas depois dos 15 minutos que o Ciclón começou a se soltar mais, ainda que o Peixe respondesse com a velocidade de Lucas Braga e Marinho. O momento mais difícil para os santistas aconteceria aos 25, quando os cuervos realizaram duas mudanças e logo descontaram, num instante em que Felipe Jonathan era atendido e deixava os alvinegros com um a menos. Nicolás Fernández, que acabara de sair do banco, aproveitou o espaço e cruzou pela esquerda. Pará errou na marcação e Ángel Romero definiu.

O Santos sentiu o baque e o San Lorenzo se mostrava pronto ao empate. O segundo gol poderia ter saído com Franco Troyansky, mas João Paulo salvou em cima da linha, antes que Óscar Romero mandasse para fora o rebote. João Paulo também conteve Juan Ramírez. A resposta de Ariel Holán viria com três trocas de uma só vez: Soteldo, Ângelo e Bruno Marques, renovando o fôlego no ataque. Seria um xeque-mate do treinador para pressionar novamente e recuperar a vantagem no fim. O Peixe voltou a martelar nos acréscimos. Devecchi parou Soteldo e quase tomou um frango ao rebater um chute de Ângelo. E o gol da vitória seria do garoto de 16 anos, aos 49. Soteldo passou para Madson, que bateu para defesa de Devecchi. No rebote, Ângelo marcou seu primeiro gol como profissional. Um gol para facilitar a vida santista e entrar para a história da Libertadores.

O resultado é importante não apenas pelo peso que possui, ao encaminhar a classificação fora de casa. A maneira como o Santos atuou é bastante positiva e indica, além do talento à disposição, a capacidade de seu treinador. O Peixe jogou pela vitória na Argentina, quis buscar um placar mais amplo a todo momento e, na maior provação, as alterações permitiram que os alvinegros dessem a volta por cima. Noite para colocar a fase de grupos no horizonte, e com uma pitada de história graças a mais um menino da Vila a estourar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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