Libertadores

Cavani estreou, mas Romero é que virou o herói na classificação do Boca nos pênaltis

Boca Juniors e Nacional de Montevidéu proporcionaram um grande jogo na Bombonera, em que os uruguaios não desistiram, mas os argentinos avançaram com méritos

Edinson Cavani é uma das grandes atrações nos mata-matas da Libertadores. O centroavante voltou à América do Sul após uma carreira vitoriosa na Europa e os torcedores do Boca Juniors o trataram feito um ídolo logo no desembarque. A estreia do uruguaio aconteceu nesta quarta-feira, em La Bombonera, no segundo duelo entre Boca e Nacional do Uruguai pelas oitavas de final continentais. Foi um jogaço, no qual o artilheiro se tornou mero coadjuvante. Cavani ficou 70 minutos em campo, mas, fora de ritmo, perdeu ótimas chances. Valentín Barco e Luis Advíncula é que conduziram os boquenses, que foram melhores e ficaram duas vezes em vantagem no placar. Contudo, o valente Nacional não desistiu e forçou o empate por 2 a 2, depois do 0 a 0 em Montevidéu. A definição seguiu para os pênaltis e, então, Sergio Romero brilhou na sua especialidade. O goleiro falhou no tempo normal, mas deu a classificação argentina com dois penais defendidos, no triunfo por 4 a 2.

O técnico Jorge Almirón colocou Cavani ao lado de Miguel Merentiel no ataque, com dois homens de área. A escalação do Boca reunia várias figurinhas carimbadas, sobretudo na defesa, com Sergio Romero, Marcos Rojo, Luis Advíncula e Frank Fabra. No meio, mais juventude com Valentín Barco, Alan Varela e Cristian Medina. No papel, o Nacional era bem mais limitado e dependia de sua força coletiva. Entre os nomes mais conhecidos, os rodados Gonzalo Castro e Diego Polenta.

Nacional tentou aprontar no primeiro tempo

A partida manteve o nível de intensidade visto na ida, mas com mais capacidade dos times na criação. O Boca Juniors tomava um pouco mais de iniciativa e não demorou para Cavani apresentar seu cartão de visitas, aos oito minutos. Numa tabela pela esquerda com Valentín Barco, o centroavante recebeu o passe para a finalização, mas pegou torto na bola. O momento positivo dos xeneizes se refletiu em gol aos 11 minutos. Foi uma jogada rápida pela direita, com a escapada de Luis Advíncula. O cruzamento pintou perfeito no meio da área, para Merentiel desferir a cabeçada indefensável.

Um dos méritos do Nacional foi a resposta imediata. O empate saiu aos 16 minutos, também num lance pela lateral. Gabriel Báez passou com espaço pela esquerda e cruzou. Alfonso Trezza escapou da marcação de Frank Fabra para definir. O Boca sentiu o empate e quase tomou a virada, numa chance que Bruno Damiani desperdiçou diante de Sergio Romero. O primeiro tempo seguiu pendendo aos uruguaios. A marcação estava encaixada e os visitantes criavam mais perigo. Só nos acréscimos é que os xeneizes esboçaram o segundo. Barco teve uma batida por cima e Alan Varela seria travado na área.

Cavani perde lance inacreditável

O Boca Juniors aproveitou o intervalo para botar a cabeça no lugar. Os argentinos voltaram bem, sob a condução de Barco pelo meio. O segundo gol veio logo aos dois minutos, a partir de uma boa jogada pela esquerda. A defesa do Nacional afastou mal e a sobra ficou limpa com Advíncula. Dentro da área, o peruano apresentou sua qualidade com um tapa colocado, que saiu do alcance do goleiro Salvador Ichazo e entrou no canto. Os boquenses continuaram em cima depois do tento.

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Aos nove minutos, uma grande confusão desatou no gramado. Barco virou o rosto na hora do passe e os jogadores do Nacional ficaram possessos. O árbitro Anderson Daronco distribuiu cartões, inclusive a Barco. Aos 14, Merentiel deixou o campo para a entrada de Marcelo Weigandt, com os xeneizes num 5-4-1. Cavani era o homem de referência sozinho no ataque e perdeu grande chance aos 17. O uruguaio pegou uma bola espirrada na pequena área e, de forma inacreditável, bateu para fora. Advíncula desperdiçou outro bom lance depois, num chute para fora quando poderia centrar o passe.

Boca era melhor, mas Nacional marcou

Cavani deixou o campo muito aplaudido, ao lado de Marcos Rojo, com 25 minutos. O ataque do Boca Juniors ganhou o ídolo Darío Benedetto para jogar de referência. Do outro lado, Emanuel Gigliotti e Juan Ignacio Ramírez tentariam salvar o Nacional. Contudo, o domínio ainda era dos anfitriões. Por muito pouco o terceiro gol xeneize não veio na sequência, com uma batida limpa de Medina que explodiu no travessão. Os argentinos jogavam com muita facilidade e chegavam como queriam na frente, mas com dificuldades para converter as oportunidades em gol. Barco parou em Ichazo, antes de Medina isolar na sobra. Os erros custaram caro.

O novo empate do Nacional aconteceu num lance isolado, aos 30 minutos, na primeira finalização dos uruguaios na segunda etapa. Numa bola excelente esticada por Diego Zabala pela direita, Leandro Lozano passou com muita liberdade e fez o cruzamento rasteiro. Sergio Romero rebateu mal e a sobra ficou limpa com Ramírez, decisivo logo após deixar o banco. Depois do gol, o Boca Juniors tentou recobrar o prejuízo. Os portenhos aumentaram o abafa, mas com dificuldades de encontrar brechas para mais um tento. Benedetto tentou sem sucesso e foi melhor quando criou, com grande passe para Weigandt aos 43. O chute rasteiro parou em Ichazo. A arbitragem ainda deu sete minutos de acréscimos. Nem isso ajudou os anfitriões.

Romero volta a ser o tapa penales

Nos pênaltis, Romero se redimiu do erro com bola rolando e relembrou a fama de “tapa penales”, que o consagrou na Copa do Mundo de 2014. O goleiro do Boca Juniors pegou logo a primeira cobrança do Nacional, de Ramírez, e também salvou o tiro de Daniel Bocanegra, o terceiro do Bolso. Do outro lado, o Boca acertou os três primeiros. Benedetto, marcado pelos erros contra o Corinthians na Libertadores, desta vez cravou uma pancada no meio da meta. O erro viria no quarto tiro xeneize, quando Pol Fernández isolou. Por fim, coube a Barco decretar a vitória por 4 a 2 e a classificação, com a tranquilidade de quem foi o melhor em campo.

O Boca Juniors aguarda agora seu adversário nas quartas de final, que será conhecido nesta quinta-feira. Racing e Atlético Nacional se enfrentam em Avellaneda, mas os colombianos partem com uma ótima vantagem após a vitória por 4 a 2 em Medellín. Os xeneizes sofreram, mas passam com sua dose de mística e de experiência. A jornada de Cavani no torneio continental se estende por pelo menos mais duas partidas.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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