Libertadores

Bem-vindo à altitude, Vítor Pereira: Corinthians é ineficiente e perde do Always Ready em La Paz

Aproveitando a altitude de La Paz, o Always Ready conseguiu sair em vantagem e soube administrar e ampliar diante de um Corinthians que não parecia saber o que fazer

O Corinthians estreou com derrota na Libertadores 2022, nesta terça-feira. Jogando em La Paz, na Bolívia, o alvinegro perdeu por 2 a 0 para o Always Ready, que soube aproveitar as chances, além de contar com a ineficiência dos brasileiros com a bola. Apesar do bom primeiro tempo, em que saiu perdendo em um pênalti, no segundo tempo, o Timão teve problemas e sentia, minuto a minuto, o físico pesar.

Foi a primeira experiência do técnico português Vítor Pereira com a altitude sul-americana. É um fator curioso porque não há na Europa, então o treinador precisou ouvir mais do que falar a respeito. A situação ficou ainda pior para os brasileiros porque o time boliviano conseguiu gols nos começos dos dois tempos. Os 3.600 metros de La Paz tiveram alguma participação no resultado, especialmente no segundo tempo, quando a parte física pesou mais.

Perder pontos para o Always Ready é um mau sinal para o Corinthians, que ainda tem no grupo o Boca Juniors e o Deportivo Cali, duas equipes com mais peso que os bolivianos. O Always Ready obviamente tentará ganhar todos os pontos possíveis em casa para ver como se sai, mas continua sando a sensação de ser um time mais forte apenas pela altitude. E mesmo assim, perfeitamente vencível.

Escalações

O técnico Vítor Pereira tinha alguns desfalques para a partida, sendo o principal deles o lateral direito Fagner, com uma lesão na coxa. O zagueiro Raul Gustavo, o meia Luan e o atacante Júnior Moraes todos ficaram fora também por lesão. Assim, João Pedro ganhou chance na lateral direita. Na esquerda, a opção foi pela experiência de Fábio Santos.

O meio-campo foi formado por Du Queiroz como primeiro jogador de marcação, com Paulinho e Renato Augusto mais à frente. No ataque, mais novidades: Adson foi titular pelo lado esquerdo, com Willian pela esquerda e o centroavante Jô como referência.

O Always Ready levou a campo Alejandro Chumacero, conhecido jogador local, com o veterano Juan Arce, ex-Corinthians, pela direita do ataque. O experiente argentino Marcos Riquelme comandou o ataque.

Primeiro tempo

Os primeiros minutos foram com o Corinthians tendo um bom início, tentando trocar passes e sair da pressão e do ritmo alto que o Always Ready tentava impor. Foi assim que ameaçou o gol de Arnaldo Gimenez, em um chute de fora da área de Du Queiroz. Só que o bom início não resistiu à primeira investida de verdadeiro perigo dos bolivianos.

Logo a seis minutos, o Always Ready desceu rápido pela esquerda, em um lançamento longo do goleiro para o lateral esquerdo Enrique Flores, ele avançou e, dentro da área, foi puxado por João Pedro dentro da área. O árbitro Piero Maza, do Chile, considerou pênalti e apontou a marca da cal. Marcos Riquelme cobrou firme, no alto, e marcou 1 a 0 para os mandantes no Estádio Hernando Siles. Em um pênalti bobo do lateral direito, o Corinthians saiu atrás no placar.

A reação do Corinthians foi rápida, com Renato Augusto abrindo para Willian, que rolou para trás e encontrou Du Queiroz. Desta vez, a finalização do volante bateu na defesa boliviana e saiu em escanteio. E o Corinthians ficava com a bola nos minutos seguintes, tentando dar ritmo, mas sem acelerar o jogo e cair na armadilha de se cansar.

Renato Augusto quase arrancou o empate para o Corinthians aos 32 minutos, em uma bola que ele pedalou, passou pela marcação e bateu colocado, buscando o ângulo. A bola passou perto, mas foi fora.

Segundo tempo

O Corinthians voltou com uma mudança. Saiu o ponta Adson e entrou Maycon e também saiu João Pedro e entrou Roger Guedes. Uma mudança significativa, com Du Queiroz deslocado para a lateral direita. O lateral não vinha bem e o ponta deu lugar a um jogador mais ofensivo e capaz de finalizar.

No primeiro lance do Always Ready, com um minuto do segundo tempo, os bolivianos marcaram mais um. Marcos Riquelme saiu da área, recebeu e, do lado esquerdo do ataque, fez o passe para Rodrigo Ramallo, que entrou livre na área e finalizou no canto. A bola entrou devagar e o placar aumentou para 2 a 0. A dificuldade do Corinthians alimentaria muito.

A entrada de Roger Guedes fez com que Willian, o melhor do Corinthians no primeiro tempo, mudasse de lado. Ele passou a atuar na ponta direita, com Guedes na esquerda. Foi ali, na direita, que Willian passou a ser acionado e levou perigo, com cruzamentos que eventualmente encontravam Jô.

Aos 13, o Corinthians chegou com perigo em uma bola que Renato Augusto acionou o atacante dentro da área e ele fez o girou em cima da marcação para finalizar, mas acabou travado e o chute saiu mascado. Apesar da finalização não ter levado perigo, foi uma boa jogada.

O Corinthians fez mais uma mudança aso 19 minutos. Vítor Pereira sacou Jô e Paulinho e colocou em campo Giuliano e Gustavo Mosquito. Assim, Willian voltou para a ponta esquerda, Mosquito foi para a ponta direita, com Roger Guedes pelo meio. Giuliano entrou para o meio, compondo com Renato Augusto e Maycon, este último bem mais recuado.

Apesar das mudanças, o Corinthians não melhorou. O time continuava com dificuldades de chegar ao ataque e criar oportunidades. O Always Ready parecia muito mais confortável no segundo tempo, conseguindo não só evitar os ataques corinthianos, mas também pisando mais no campo de ataque e até pressionando na marcação em alguns momentos.

Com Willian sem conseguir mais render, ele acabou substituído por Lucas Pithon, lateral de origem, mas de características ofensivas para tentar aproveitar as jogadas pelo lado do campo. O Always Ready recuava, com seus meias ofensivos descendo até a linha defensiva quando o Corinthians chegava ao ataque, o que só dificultava o jogo do Corinthians.


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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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