O está na final da Libertadores. Esse é um fato e ele é enorme. Será a primeira vez desde 2000, a quinta na sua história. A maneira como chegou lá não foi tão elogiável. Não porque apelou, ou porque trapaceou, mas porque simplesmente não conseguiu jogar bola no Allianz Parque. Era necessária uma tragédia para que fosse eliminado, e ela ficou próxima demais para o conforto até mesmo de uma torcida calejada por muitas tragédias. Com uma atuação histórica do goleiro e um árbitro que, com o auxílio do VAR, acabou acertando os lances capitais, o se limitou a apenas 2 a 0 na Pompeia, e o Palmeiras aguarda Boca Juniors ou na final marcada para o Maracanã.

Ainda mais em jogo único, o Palmeiras tem chances reais de ser bicampeão sul-americano. O susto passou, está classificado, e a campanha inteira havia sido impecável. Ainda segue vivo em três competições e Abel Ferreira pode coroar o seu ótimo início de trabalho com uma temporada histórica. Houve momentos de bom futebol desde a chegada do português e até mesmo de maturidade, mesmo para um time tão jovem, mas será necessário fazer um profundo diagnóstico para descobrir por que nada disso apareceu em campo no jogo mais importante que esse grupo encarou até agora.

Parte tem a ver com o Palmeiras. Outra parte tem a ver com o River Plate. Talvez o Palmeiras não esperasse tudo que o adversário colocou em campo e tenha ficado assustado. Toda a experiência, a concentração, a intensidade, a técnica e a tática de um time único. Mas deveria ter esperado. Marcelo Gallardo e seus comandados não dominaram o continente nos últimos anos à toa. É claro que, se caíssem, cairiam de pé. Ainda mais mordidos depois de terem levado 3 a 0 em casa na primeira partida.

O River Plate pressionaria. Não havia outra escolha. A chave do jogo seria como o Palmeiras reagiria caso o adversário abrisse o placar relativamente cedo. Aconteceu aos 30 minutos e, até aquele momento, as coisas estavam mais ou menos sob controle. Rony recebeu de Gabriel Menino nas costas da defesa, tentou driblar Armani, mas foi desarmado. Logo na sequência, Borré exigiu a primeira das dez defesas que Weverton teve que fazer para classificar o Palmeiras à final.

Outra saiu em uma batida de Paulo Díaz de fora da área. No escanteio gerado por esse lance, De La Cruz cruzou e Rojas cabeceou firme para fazer 1 a 0. O Palmeiras ainda teve chance de empatar pouco depois, com uma batida colocada de fora da área de Zé Rafael que não passou muito longe, mas seria a última vez em que o time da casa se assemelharia a um time de futebol até o apito final do árbitro. O River Plate fez o segundo ainda antes do intervalo. Outro cruzamento de De La Cruz, desvio de Matias Súarez na primeira trave, e Borré empurrou de cabeça, quase debaixo das traves.

O Palmeiras foi ao intervalo cheio de problemas. Havia sido dominado pelo River Plate. Perdia todas as segundas bolas, todas as divididas, não ficava com a bola, nem tinha contra-ataque. A saída de Gustavo Gómez, machucado, aos 41 minutos, o havia deixado ainda mais vulnerável às bolas aéreas dos argentinos. Era incrível pensar dessa forma, mas o River Plate sentou para tomar uma aguinha nos vestiários do Allianz Parque como o favorito para ficar com a vaga, pelo que estava acontecendo em campo, após apenas 45 minutos de bola rolando.

Ainda precisava de um gol. E ele não saiu, mas não foi por falta de tentativa. E foi por causa de Weverton. Aos cinco minutos, caiu para agarrar a batida de De La Cruz. E pouco depois sofreu enquanto o assistente de vídeo demorava para revisar o gol de Montiel. Outro cruzamento da esquerda para o lateral direito chegar batendo de primeira no canto. O assistente de vídeo, porém, identificou impedimento de Borré no início da jogada. Aqueles que apenas o VAR consegue identificar.

A anulação do gol tirou um pouco do embalo do River Plate. Seguiu dominando, seguiu criando, mas não havia mais tanto um ar de inevitabilidade em relação ao seu terceiro gol. Não satisfeito em parar os chutes do River Plate, Weverton também se esticou para evitar o gol contra de Luan, após cruzamento de Montiel. A sobra ainda ficou com De La Cruz, que mandou no lado de fora da rede. Aos 16 minutos, Nacho Fernández arriscou de fora da área. Outra defesa de Weverton.

Geralmente quando um time tem um jogador expulso, o outro se encontra em uma situação mais confortável. Não foi isso que aconteceu com o Palmeiras. Rojas recebeu o segundo cartão amarelo por matar um contra-ataque que se desenhava para Rony, talvez a decisão importante mais discutível da partida, mas não causou nenhum efeito à superioridade do River Plate. Aliás, ele chegou até a ter um pênalti marcado a seu favor logo na sequência. Com a ajuda do assistente de vídeo, porém, o árbitro Esteban Ostojich voltou atrás: Matías Suárez começou a cair antes de encostar na perna de Alan Empereur.

Como o Palmeiras ainda não havia sofrido o terceiro gol? Essa fica para os Deuses do futebol. Falando neles, Weverton fez mais uma linda defesa para barrar a cabeçada de Enzo Pérez em uma cobrança de escanteio. O lance seguinte foi a evidência mais forte de que o Palmeiras, de alguma maneira, sobreviveria. Borré estava impedido, não valeria, mas ainda assim, a centímetros do gol, ele conseguiu mandar o rebote na trave.

Nada estava funcionado para o Palmeiras. Absolutamente nada. No único contra-ataque que teve para matar o jogo, Rony puxou pelo meio e tinha duas opções. Soltou com Breno Lopes, que se atrapalhou com a bola e permitiu que Armani a recolhesse. Ostojich deu nove minutos de acréscimo, depois de tanta paralisação para usar o assistente de vídeo. Todos eles preenchidos por pressão do River Plate e outro lance de pênalti. Esse mais discutível, mas também houve um impedimento no começo da jogada que nos livrou de interpretá-lo.

Foi a última chance do River Plate. A última reza do Palmeiras. Não fez muito mais do que isso, com exceção de Weverton, para evitar o empate dos argentinos. Mas conseguiu sobreviver. E agora que está vivo, tem a chance de marcar a história. Isso, independentemente das circunstâncias, tem muita importância.

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