Libertadores

Atlético Mineiro riu demais na cara do perigo, mas, nos pênaltis, conseguiu a classificação

Com atuação fraca nos dois jogos, o Galo não saiu do 0 a 0 com o Boca Juniors e contou com Everson herói nos pênaltis para passar

Durante os dois jogos das oitavas de final, ficou a sensação de que, se o Atlético Mineiro jogasse um pouco melhor, passaria pelo Boca Juniors sem grandes problemas. Isso não aconteceu nem em Buenos Aires e nem em Belo Horizonte. E quando Marcelo Weigandt aproveitou um frango do goleiro Everson para fazer 1 a 0 na metade da segunda etapa, a vaca parecia ter ido ao brejo. Mas o gol foi anulado, o placar seguiu zerado e, nos pênaltis, Everson se redimiu com duas defesas e a cobrança final que colocou o Galo nas quartas de final.

Candidato a vilão, Everson saiu como o grande herói. Defendeu as cobranças de Sebastián Villa e Esteban Rolón e suas peripécias em cima da linha pareceram desequilibrar os batedores argentinos. Teve a frieza também de cobrar o pênalti decisivo com uma bicuda no ângulo Agustín Rossi. Um pênalti… peculiar, mas também perfeito. Indefensável.

O Atlético Mineiro começou melhor a partida. Teve três finalizações nos primeiros minutos, criando chances com uma boa marcação mais alta. No primeiro minuto, Mariano cruzou de um lado e Dodô apareceu na entrada da área. Seu chute saiu meio mascado e não apresentou dificuldades Rossi. Ao contrário, porém, Zaracho foi lançado por Tchê Tchê em transição e ficou cara a cara com o goleiro, um pouco pela esquerda. Mas bateu em cima dele, fraco, sem problemas, desperdiçando uma grande chance.

O Boca Juniors ganhou ritmo a partir da metade da primeira etapa, e o Atlético Mineiro entrou em uma dinâmica impossível em que marcava atrás demais e também não conseguia criar com a posse de bola contra a defesa postada dos argentinos. Pavón arriscou de fora da área, sem risco, mas Everson teve que fazer boa defesa em finalização de Briasco – em impedimento. No outro lado, Savarino recebeu nas costas da defesa e bateu cruzado, muito perto da trave, mas também estava adiantado.

De qualquer maneira, o primeiro tempo terminou com a sensação de que o momento do Boca era melhor. A sensação foi confirmada depois do intervalo, com o Boca próximo demais da área adversária, durante tempo demais, deixando o Atlético sujeito a qualquer imprevisto. Como uma falha crucial de Everson.

Villa cobrou falta frontal, com um levantamento, e o goleiro atleticano, ao tentar encaixar, deixou a bola escapar e Weigandt marcou no rebote. Para a sorte do Atlético Mineiro, após uma longa, longa, longuíssima revisão do assistente de vídeo, na qual nem ficou claro exatamente o que ele estava verificando, o gol foi anulado por impedimento de Diego González, que chegou a tocar Everson antes do gol.

A partida ficou nervosa depois disso. O Galo teve uma rara esticada, aos 28 minutos, finalizada por Savarino perto da trave. Everson espalmou outra falta meio nervoso e, na sequência, após erro na saída de bola do Atlético, Pavón mandou rasteiro, para fora. Mas um segundo tempo com cinco finalizações, todas para fora, não poderia mesmo evitar a disputa de pênaltis.

Hulk abriu os trabalhos acertando a trave, e Rojo colocou o Boca Juniors em vantagem. Nacho Fernández empatou cobrando no meio, e Sebastián Villa bateu tão mal, mas tão mal que parecia um dos piores pênaltis de todos os tempos, mas não seria nem o pior daquela noite. Junior Alonso cruzou para empatar, e Everson pulou bem no canto para espalmar o de Rolón.

Na hora de abrir vantagem, Hyoran escorregou, perdeu o pé de apoio e isolou. Carlos Izquierdoz também isolou, sem nem ter escorregado, e Everson furou as redes de Rossi para colocar o Atlético Mineiro na próxima fase, apesar de uma atuação bem preocupante no combinado das duas partidas. Acontece que, do outro lado, não havia um grande Boca Juniors também, incapaz de aproveitar os momentos em que esteve melhor.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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