Libertadores

Aposta alta do Athletico, Vitor Roque já rendeu uma semifinal de Libertadores – e ele está apenas começando

O garoto de 17 anos, contratação mais cara da história do Furacão, fez o gol da classificação à segunda semifinal de Libertadores do clube

Duas coisas aconteceram em 2005. Vitor Roque nasceu em 28 de fevereiro, alguns meses antes do Athletico Paranaense vencer o Santos e chegar pela primeira vez às semifinais da Libertadores. Na quinta-feira, chegou pela segunda vez, graças a um gol nos segundos finais do garoto, agora com 17 anos, no qual apostou muitas das suas fichas – e já dá para dizer que o investimento está rendendo bons dividendos.

Roque trocou as categorias de base do América Mineiro pelas do Cruzeiro quando estava prestes a completar 14 anos. Foi uma transação conturbada, com o Coelho acusando a Raposa de aliciamento. Acabaram fazendo um acordo para dividir os direitos econômicos do garoto. Natural de Timóteo, em Minas Gerais, Roque ganhou suas primeiras chances no time principal celeste sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, ano passado.

Em um clube que está sendo comandado por Ronaldo Fenômeno, as comparações foram imediatas. Roque estreou aos 16 anos, mesma idade do pentacampeão mundial e de um outro atacante que passou pelo Cruzeiro chamado Tostão. Seu primeiro jogo foi em outubro, contra o Botafogo, e na virada do ano já havia sido transformado em titular. Marcou seus primeiros gols como profissional na Copa do Brasil e no Campeonato Mineiro.

O potencial era claro. Um atacante de velocidade e bom físico, que atua pelos dois lados, também como centroavante, e sabe onde fica o gol. Tão claro que Ronaldo colocou uma multa rescisória astronômica para clubes estrangeiros para ter controle de uma eventual negociação. Para os clubes brasileiros, a multa era mais baixa: R$ 24 milhões. Ainda salgada por um jogador que não pode dirigir.

Por mais potencial que tenha, o risco é alto com jogadores tão jovens, mas houve mais de um interessado em assumi-lo. O Internacional avaliou o negócio, mas quem apareceu com o dinheiro foi o Athletico Paranaense. Sem medo de ser feliz, transformou o adolescente no jogador mais caro da sua história – como se as comparações com Ronaldo Fenômeno não fossem pressão suficiente.

Roque chegou ao CT do Caju em meados de abril pedindo para usar a camisa 39 porque admira Bruno Guimarães, meia do Newcastle. Está há quatro meses no clube e a cada um deles foi mostrando que a aposta do Furacão não foi tão arriscada assim. Estreou na segunda rodada do Brasileirão, contra o Atlético Mineiro. Fez seu primeiro gol contra o Cuiabá – o mais jovem a marcar pelo Furacão no Brasileirão. Depois, foi titular em um jogo de oitavas de final de Libertadores e também deixou o seu – o mais jovem a marcar pelo Furacão na competição sul-americana.

De mais jovem a isso a mais jovem aquilo, Roque está sendo introduzido com calma ao time do Athletico Paranaense. Por exemplo, foi reserva na quinta-feira contra o Estudiantes em La Plata. Felipão preferiu Canobbio, Tomás Cuello e Pablo. “São 17 anos, gente”, disse Felipão. “Ainda tem dificuldades com alguns trabalhos técnicos porque com 15 já era profissional. Ele não aprendeu algumas coisas. De vez em quando, nos treinamentos, paramos uma jogada para orientá-lo. Mas ele tem uma vontade tão grande, uma qualidade tão grande, que supera tudo isso”.

Uma vontade tão grande que praticamente se jogou para antecipar o cruzamento de Vitinho, aos 51 minutos do segundo tempo, para evitar a disputa por pênaltis. Foi seu sexto gol em em 19 jogos pelo Furacão. No fim de semana, havia comandado a virada contra o Atlético Mineiro com mais dois. O investimento do Athletico Paranaense foi alto, mas já rendeu uma semifinal de Libertadores. E olha que Vitor Roque ainda está apenas começando.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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