Apesar do final dramático, América Mineiro e Barcelona de Guayaquil não saíram do zero no Independência
O América Mineiro teve mais posse de bola ao longo da noite, mas se safou com um pênalti perdido pelos equatorianos nos acréscimos

O América Mineiro tinha uma partida difícil pela frente na terceira fase classificatória da Libertadores, ao encarar o Barcelona de Guayaquil. O primeiro encontro no Estádio Independência termina com sabor agridoce ao Coelho. A equipe da casa de novo controlou a posse de bola, mas com dificuldades para romper a marcação dos Canários, que também não encaixaram tanto os contra-ataques. Já no final, o drama tomou o Horto. Os equatorianos desperdiçaram um pênalti nos acréscimos, enquanto o último minuto guardou uma grande chance não convertida pelos americanos. O empate por 0 a 0 prevaleceu e deixou a definição para o reencontro no Estádio Monumental, durante a próxima semana.
O América apresentou suas credenciais logo no primeiro minuto, num escanteio fechado de Patric que deu trabalho ao goleiro Javier Burrai. O Coelho começou o jogo no campo de ataque, com mais posse de bola, de novo com muita fluidez pelas pontas. Pecava na criação, embora a marcação adiantada facilitasse as recuperações rápidas dos mineiros. Quando sobrava uma brecha mais próxima do gol, os anfitriões erravam demais nas conclusões. Só depois dos 20 minutos é que o Barcelona conseguiu se soltar mais.
A metade final do primeiro tempo ficou mais aberta e mais intensa, com bons avanços das duas equipes. O Barcelona era mais contundente em suas chegadas, na base da velocidade, e assustaria aos 27, num chute cruzado de Jonathan Perlaza que saiu ao lado do gol. A grande chance dos Canários viria nessa sequência, num giro de Gonzalo Mastriani, que exigiu uma defesa milagrosa de Jaílson. Isso acordou o América, que teria sua principal oportunidade com Wellington Paulista na área, mas o chute veio em cima de Burrai. Porém, os equatorianos cresceram na partida e incomodavam mais, com novas intervenções seguras de Jaílson até o intervalo.
O segundo tempo começou com o América mais ligado. Logo no primeiro minuto, Wellington Paulista tentaria e seria travado na área, em lance no qual os mineiros reclamaram de pênalti. O jogo se desenvolvia no campo de ataque americano, já que o Barcelona recuava bastante e via suas tentativas de partir em velocidade frustradas pela marcação adversária. Raros eram os momentos em que os Canários se aproximavam da área mineira. Ao menos, também não concediam muito ao Coelho, em minutos silenciosos, no máximo com uma batida de Everaldo por cima aos 21.
O Barcelona só voltaria a incomodar aos 24, em cruzamento perigoso na área. Já a entrada de Matheusinho deu novo gás ao ataque do América, mesmo que não surgissem chances tão claras. À medida que os minutos passavam, todavia, o duelo ficava arrastado. Os times não apresentavam muitos recursos e o desgaste se evidenciava. O Coelho tinha dificuldades para converter seu domínio territorial em finalizações. E, como na ida contra o Guaraní, o preço quase foi pago no final. Aos 43, a arbitragem marcou um pênalti de Jaílson sobre Michael Carcelén. A sorte dos mineiros é que Carlos Garcés errou a mira na cobrança e mandou para fora.
Os acréscimos, enfim, tiveram sua dose de emoção. O Barcelona ensaiou uma pressão, mas o América também ganharia uma chance de ouro no fim, com uma falta marcada na lateral da grande área. Seria a deixa para o Coelho mandar a bola para o meio do pagode. Na confusão depois do cruzamento, Felipe Azevedo apareceu livre para fuzilar. O goleiro Burrai acabou fazendo uma defesa espetacular e salvou a pele também do Barcelona, aliviado no último instante.
O empate em casa não é o melhor resultado para o América Mineiro, até pela maneira como o time teve o domínio do jogo. Porém, o Barcelona criou as melhores chances e desperdiçou uma oportunidade imensa para sair com o triunfo. O duelo permanece aberto antes do reencontro em Guayaquil. Quem sabe, para que o Coelho complete uma trajetória épica escrita desde a fase anterior.



