Libertadores

A velocidade do Flamengo atordoou o Olimpia e a goleada encaminha a classificação já na ida em Assunção

Flamengo jogou muito bem com seus ataques diretos e a impressão era de que o placar poderia ter ido além dos 4 a 1

O Flamengo abre uma excelente vantagem contra o Olimpia em busca das semifinais da Libertadores. Após o baque contra o Inter no Brasileirão, os rubro-negros deixaram a goleada para trás e focaram no torneio continental para conquistar uma vitória confortável em Assunção. O ataque do Fla teve momentos fulminantes e assegurou o triunfo por 4 a 1. Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol brilharam no Estádio Manuel Ferreira, com direito a um segundo tempo massacrante, no qual o placar até poderia ter se dilatado mais. O VAR ainda teria papel central na noite, ao reverter a expulsão de Filipe Luís por conta de um pênalti sobre Arrascaeta, que deu aos flamenguistas o segundo tento. O Flamengo pode perder por até dois gols de diferença no reencontro da próxima semana que avançará.

A partida seria difícil para o Flamengo durante os primeiros movimentos. O Olimpia apertava a marcação e aplicava um ritmo forte, que dificultava as saídas dos rubro-negros. Quando surgiu um pouco mais de espaço, Gabigol estava impedido. E os olimpistas assustavam com seus cruzamentos. Aos dez minutos, foram duas batidas rasteiras que atravessaram a pequena área rubro-negra sem que ninguém completasse. Isla ainda precisaria travar Roque Santa Cruz para neutralizar o lance. Os anfitriões pareciam mais propensos ao primeiro gol.

Se o Olimpia marcava em cima, porém, também deixava espaços nos contragolpes. E foi assim que o Flamengo encontrou o caminho para o primeiro gol, tocando a bola com velocidade e precisão. Everton Ribeiro daria o primeiro aviso, ao completar para fora o cruzamento de Filipe Luís. Já aos 15 minutos, De Arrascaeta inaugurou o marcador. Num lance vertical, Gabigol foi fundamental ao proteger a bola no meio e descolar a enfiada. Bruno Henrique acelerou e, dentro da área, só rolou para Arrascaeta concluir às redes com enorme tranquilidade. O Fla era melhor e teria outras oportunidades. Bruno Henrique carimbou o goleiro Alfredo Aguilar, que também pegou firme uma cabeçada de Gustavo Henrique aos 21.

Na sequência, o jogo sofreria uma longa paralisação. Em um choque com Arrascaeta na lateral de campo, Víctor Salazar recebeu uma pancada na altura do rosto. O jogador do Olimpia precisou ser retirado de ambulância, após dez minutos de atendimento médico. Segundo boletim posterior, ele perdeu a consciência e teve uma convulsão. Constatado um traumatismo craniano, Salazar se recupera no hospital e passará a noite em observação. Sérgio Otálvaro entrou em seu lugar.

Quando a partida voltou, as duas equipes aumentaram a pegada e alguns lances mais duros se repetiam em campo. E o Flamengo respirou aliviado quando Diego Alves se recuperou de uma besteira enorme. Após uma cabeçada fraca de Walter González, o goleiro escorregou e salvou a bola no susto. No rebote, Santa Cruz ainda precisou ser travado dentro da área.

Mais truncado, o duelo se resumia a cruzamentos e cartões. O Flamengo não conseguia encaixar os contragolpes como antes. O Olimpia ameaçava mais, com uma cabeçada de Santa Cruz para fora e outra (em impedimento) que Diego Alves pegou. Por conta do atendimento a Salazar, os acréscimos se estenderiam a princípio por 11 minutos. E ocorreria um lance capital aos 52. Arrascaeta caiu na área pedindo pênalti e, no contra-ataque, Filipe Luís recebeu o segundo cartão amarelo. Porém, quando o árbitro Fernando Rapalini revisou a jogada no monitor, viu um pisão no uruguaio. Anotou o pênalti e cancelou a expulsão. Gabigol cobrou a penalidade e só deslocou Aguilar para ampliar.

Diante da confusão, o primeiro tempo se estenderia um pouco mais. Com isso, o Olimpia teve tempo de descontar. Mais uma vez o Flamengo apresentou sua fragilidade na bola aérea. Otálvaro cruzou, a bola passou por Ramón Sosa e Iván Torres apareceu sozinho no segundo pau para completar. Diego Alves ainda tocou na bola, mas não evitou que ela entrasse mansa. No fim da primeira etapa, os rubro-negros denunciaram ofensas racistas contra seu banco de reservas, vindas das arquibancadas. Os alto-falantes pediram para que os ataques parassem na volta do intervalo, mas não houve atitude além.

O Olimpia até começou o segundo tempo ativo, mas logo o Flamengo mostrou como estava mais ligado e anotou o terceiro gol. Bruno Henrique arrematou na entrada da área e bateu cruzado. A bola chegou limpa para Gabigol, que não titubeou diante da meta franjeada. O Olimpia voltaria a ficar mais com a bola, sem criar tantos lances de perigo. Do outro lado, o Fla trocaria seus laterais, ambos amarelados, pelos garotos Ramon e Matheuzinho. E os rubro-negros eram melhores quando tinham a bola. Everton Ribeiro tirou tinta do travessão, antes que Bruno Henrique invadisse a área e chutasse por cima. Já a melhor chegada veio numa tabela de Arrascaeta e Gabigol, mas o uruguaio conclui mal.

As principais tentativas do Olimpia se resumiam a chutes de média distância, que o Flamengo conseguia neutralizar. E mais um contragolpe poderia ter rendido o quarto gol aos 25. Bruno Henrique deu um passe açucarado para Everton Ribeiro, que chegou batendo na área, mas Aguilar rebateu à queima-roupa. Os paraguaios até pareciam ter desistido da partida, com os rubro-negros lamentando os lances desperdiçados em sequência. Arrascaeta quase marcou um golaço de falta, em tiro que passou próximo do ângulo. Já aos 30, Matheuzinho e Gabigol insistiram dentro da área, mas a bola de novo passou raspando a trave.

O Flamengo ganhou mais velocidade com Michael, antes que Vitinho e Thiago Maia também saíssem do banco. A reta final do jogo virou uma trocação, mas a linha defensiva do Fla não permitia infiltrações e o Olimpia não apresentava qualquer organização para se proteger, com suas substituições piorando o time. Assim, o quarto gol dos cariocas parecia mais próximo do que o segundo paraguaio. Gabigol veria outra vez a bola chegar limpa em seus pés aos 44, mas bateu por cima. Seria com o atacante fazendo o papel de garçom que a goleada se completaria em Assunção. Num contra-ataque completamente aberto, Gabigol invadiu a área sozinho e, diante do goleiro, só rolou para Vitinho cutucar. Quase deu para Michael marcar um golaço no fim.

Flamengo e Olimpia se enfrentam novamente na próxima quarta-feira, em Brasília. Os rubro-negros podem empatar ou perder por dois gols de diferença, enquanto uma vitória franjeada por 3 a 0 também será dos flamenguistas. Nas semifinais, o vencedor deste confronto pegará Fluminense ou Barcelona de Guayaquil.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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