Libertadores

A festa no Castelão foi bonita, mas o Fortaleza se frustrou na estreia pela Libertadores com a derrota para o Colo-Colo

O Fortaleza fez um primeiro tempo muito abaixo e, após se recuperar, não conseguiu arrancar o empate contra o Colo-Colo

O Castelão se preparou para a festa nesta quinta-feira, com a estreia do Fortaleza na Copa Libertadores. As arquibancadas estavam abarrotadas e até mosaico permanente a torcida realizou. Dentro de campo, contudo, o Leão do Pici sentiu o peso do duelo contra o Colo-Colo, um antigo campeão do torneio. A estratégia de Juan Pablo Vojvoda não deu certo no primeiro tempo fraco de sua equipe e, na volta para a segunda etapa, o Cacique já abriu dois gols de vantagem. O Fortaleza melhorou com as alterações, conseguiu descontar e botou pressão no final. Mas um lance inacreditável nos acréscimos não impediu a derrota por 2 a 1. Ficou a frustração, numa atuação em que os tricolores não conseguiram repetir a boa forma do último Brasileirão.

O Colo-Colo estava bem mais solto em campo durante os primeiros minutos e se manteve no ataque. Leonardo Gil exigiu uma defesa segura de Max Walef logo de cara e o Cacique aproveitava as jogadas pelo lado direito. Porém, foi a partir do outro lado que veio a primeira grande chance, aos nove minutos. Pablo Solari pegou com espaço na área e chutou forte. A bola tinha endereço certo, não fosse a cabeçada salvadora de Marcelo Benevenuto, que saltou e cortou espetacularmente em cima da linha. O Fortaleza respirava aliviado, ainda que tenha demorado a reagir.

A melhora do Fortaleza se deu a partir dos 25 minutos. Foi quando o time conseguiu melhorar sua construção e ficou mais tempo no campo ofensivo. As principais jogadas vinham pelos lados, mas os cruzamentos, pelo alto ou por baixo, não tinham continuidade. Faltava caprichar um pouco mais e Sílvio Romero, por mais que aparecesse, acabava não conectando as finalizações. Contudo, neste momento em que a balança pendia ao Leão do Pici, o Colo-Colo abriu o placar aos 38. Num avanço pela direita, Gabriel Costa deu um tapa na medida e Juan Martín Lucero apareceu na área para definir. O tento caiu mal e os tricolores não reagiram até o intervalo.

O Fortaleza precisava mudar e, para o segundo tempo, Felipe entrou na vaga de Hércules. O Leão do Pici demonstrou seu ímpeto nos primeiros instantes, com algumas tentativas no ataque. Se ainda faltava precisão, a agressividade era importante. Até por isso, o balde de água fria seria ainda maior quando o Colo-Colo ampliou aos quatro minutos, num contra-ataque. A cobertura tricolor falhou de novo pela direita e, depois de Lucero abrir com Léo Gil, o cruzamento rasteiro chegou fácil para a conclusão de Solari.

A primeira boa chance do Fortaleza saiu aos oito minutos, num lance em que Lucas Lima seria bloqueado pelo goleiro Brayan Cortés. Já aos 11 minutos, o Leão do Pici foi prejudicado pela arbitragem. Num contra-ataque livre, Moisés invadiu a área e foi claramente empurrado pelas costas. Sem VAR, o erro crasso não pôde ser corrigido. Mas, apesar desses avanços, o Tricolor não tinha encaixado totalmente seu jogo. A pressão se tornou crescente a partir dos 15. Primeiro, Moisés encontrou uma brecha na área e finalizou mal, pelo lado de fora da rede. Logo depois, Juninho Capixaba soltou a bomba para boa defesa de Cortés, sem que ninguém entre os cearenses aproveitasse o rebote.

No momento em que o Fortaleza crescia, o Colo-Colo tentou ganhar tempo e uma enorme confusão se desencadeou dentro de campo, com empurrões entre os jogadores. Moisés deu até uma cabeçada leve, mas o árbitro aliviou com apenas amarelos. Logo o Leão do Pici realizou três mudanças, com as entradas de Ceballos, Lucas Crispim e Renato Kayzer. O efeito seria imediato, com o gol tricolor aos 25. Zé Welison deu uma enfiada de bola magistral. Pikachu disparou nas costas da zaga e, diante de Cortés, rolou para Kayzer concluir na dividida, mesmo com a marcação tentando cortar. O duelo se reavivava.

Entre substituições e paralisações, o Colo-Colo conseguiu esfriar o momento do Fortaleza. As alternâncias voltaram a acontecer e o Cacique também não abdicava do terceiro tento, com suas chegadas. Mesmo assim, a necessidade era do Fortaleza e, aos 37, Felipe colocaria Cortés para trabalhar num chute de longe espalmado para escanteio. Só que, mesmo com a posse de bola no fim, o Leão do Pici acabaria contido pelas linhas de marcação colo-colinas.

Aos 46, o Colo-Colo ficou com um a menos, numa solada de Emiliano Amor que rendeu o segundo amarelo ao zagueiro. O Fortaleza ganhou uma falta perigosíssima na lateral da área nesse momento. Após o cruzamento de Lucas Crispim, Benevenuto emendou a cabeçada na trave e, com a bola pingando na pequena área, o zagueiro desperdiçou um gol inacreditável no rebote. Não era a noite dos estreantes, que precisaram encarar a derrota. No último lance, quase os chilenos ainda fizeram o terceiro. César Fuentes soltou o canudo de fora da área e acertou o travessão. Fim de uma noite de tristeza no Castelão.

Na outra partida do Grupo F, nesta quarta, o River Plate venceu por 1 a 0 o Alianza Lima no Peru. O próximo jogo do Fortaleza será exatamente contra os argentinos, dentro do Monumental de Núñez. Antes disso, a equipe ainda encara o Cuiabá na abertura do Brasileirão. Será uma sequência dura ao Leão do Pici, até pelas viagens. E a derrota desta primeira rodada coloca uma pressão pela melhora em Buenos Aires.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo