Libertadores

A estrela de Vítor Roque brilhou em sua estreia na Libertadores, para um elétrico Furacão 2×1 Libertad

Aos 17 anos, Vítor Roque marcou o primeiro gol e participou do segundo, num jogo repleto de oportunidades para os dois lados

Vítor Roque é um talento para se prestar muita atenção. Isso estava claro desde suas primeiras aparições pelo Cruzeiro. Os últimos meses foram conturbados ao garoto, com a saída para o Athletico Paranaense, mas ele ganha sequência no novo clube. E sua estreia na Libertadores foi cheia de personalidade, para reafirmar todas as expectativas ao seu redor. Aos 17 anos, o prodígio voou baixo na ida das oitavas de final. Partiu para cima, incomodou os marcadores, arriscou. Marcou o primeiro gol e sofreu a falta para o segundo. Também perdeu boa chance, mas isso se releva pela forma como ele influenciou positivamente o resultado na Arena da Baixada. Num jogo ótimo, o Furacão venceu o Libertad por 2 a 1 e parte com boa vantagem em busca da próxima fase.

Adversários na fase de grupos, Athletico Paranaense e Libertad ofereceram uma partida de muitas chances de gol. Nenhuma das equipes seria tão cautelosa, enquanto alguns espaços concedidos na defesa permitia o festival de finalizações. O primeiro tempo ofereceu três gols, mas a segunda etapa poderia render um placar mais elástico. As individualidades do Furacão funcionaram com Vítor Roque, Terans e Cuello. Enquanto isso, o Gumarelo investia com Héctor Villalba e Lorenzo Melgarejo pelos lados, por mais que Roque Santa Cruz fosse a grande estrela no comando do ataque.

O Libertad não teria uma postura tão retraída como na visita à Baixada durante a fase de grupos. Porém, seis minutos bastaram para que o Furacão inaugurasse o marcador, num bom início da equipe. Foi uma excelente jogada, a partir de uma cobrança de lateral pela direita. Os rubro-negros trocaram passes de primeira, até Terans vislumbrar uma brecha para a arrancada de Vitor Roque. O garoto partiu para cima e mandou uma paulada no alto da meta, vencendo Martín Silva. Uma excelente maneira de estrear na Libertadores e apresentar sua estrela.

A vantagem não garantiu automaticamente tranquilidade para o Athletico, que até manteve a posse nos minutos seguintes, antes de se retrair. O Libertad passou a sair mais para o jogo e distribuía as cartas no campo de ataque. O Furacão indicava algumas dificuldades em acertar a sua marcação e sofria na saída de bola, diante da pressão dos alvinegros. As bolas paradas representavam um perigo e Lorenzo Melgarejo deu alguns avisos aos paranaenses, em tiros para fora. Aos 20 minutos, o empate surgiu numa bola que não foi totalmente afastada pela defesa. Miguel Samudio cruzou e Héctor Villalba surgiu livre no segundo pau para arrematar.

A partida seguiu pegada e aberta, sem que os times prevalecessem. O Libertad se mostrava um pouco mais azeitado, especialmente pela marcação adiantada para dificultar a conexão ofensiva do Athletico. O segundo gol dos rubro-negros aconteceu aos 32, a partir de uma bola parada. Vítor Roque de novo apareceu, ao ser derrubado na intermediária ofensiva. A cobrança ensaiada da falta permitiu que Cuello tivesse tempo para cruzar, e o argentino lançou um passe açucarado rumo à segunda trave, onde Nico Hernández apareceu para completar. A bola não saiu forte, mas Martín Silva não teve como se recuperar.

O gol fez bem ao Athletico, que recobrou sua confiança. Pouco depois, o Furacão viveu seu momento de maior abafa na primeira etapa. O bombardeio se tornou constante. Primeiro, Cuello mandou um chute venenoso de longe e quase encobriu Martín Silva, acertando o travessão. Depois, Terans deu chapéu e trivela na ponta, mas Vítor Roque cabeceou para fora quando estava sozinho. E a equipe ainda teria duas tentativas de bicicleta consecutivas, mas a bola insistiu em bater na marcação. Depois dos 40, o Libertad reapareceu no ataque. Não passou por Bento, sempre muito seguro e atento nas intervenções.

O Athletico retornou para o segundo tempo com Erick no lugar do amarelado Christian. Contudo, o Libertad retomava a iniciativa e se postava no campo de ataque. Os paraguaios perderiam Villalba, lesionado, logo promovendo as entradas de William Mendieta e Iván Franco. Já o Furacão voltou a se soltar um pouco mais depois dos dez minutos. A primeira chance da etapa complementar, mais uma vez, viria com Vitor Roque. Muito à vontade na partida, o prodígio foi para cima da marcação e chutou firme, para a defesa de Martín Silva. Logo depois, o goleiro também teve trabalho num escanteio cobrado por Terans.

A partida pegava fogo novamente, com franca trocação entre os times. O Libertad teve uma cabeçada perigosa de Alexander Barboza, antes que Lorenzo Melgarejo chutasse de fora e mandasse um foguete no travessão aos 20. A resposta do Athletico seria também num tiro de fora, com Cuello, que exigiu uma defesa espetacular de Martín Silva com a ponta dos dedos. O veterano seria decisivo de novo numa reposição errada dos paraguaios, para espalmar uma pancada à queima-roupa de Terans. E, quando tinha a mínima deixa, Vítor Roque causava pesadelos nos adversários, só parado com falta.

A quebra de ritmo viria depois dos 30, com uma série de alterações. O Athletico apostou em Agustín Canobbio, antes das entradas de Vítor Bueno e Rômulo. Vítor Roque e Terans ganharam um descanso neste momento. Já o Libertad acionou Bautista Merlini e Óscar Cardozo, este na vaga do apagado Roque Santa Cruz. Havia certa tensão nesta reta final. O Furacão tinha um pouco mais de escape, mas não podia se descuidar. Sinal disso veio quase aos 45, num avanço pela direita do Gumarelo, sem que a conclusão fosse boa. Já nos acréscimos, os paraguaios tentaram mandar a bola para a área. Houve a reclamação de um pênalti não marcado para os alvinegros, embora os rubro-negros também tenham saído na bronca com a arbitragem, por conta do apito final num momento em que os athleticanos partiam ao ataque.

O Athletico demonstra condições para conquistar a classificação. Não foi a melhor partida da equipe, mas a quantidade de chances criadas foi alta e os rubro-negros viveram bons momentos na noite. A sequência invicta de Felipão à frente do time se amplia. O desafio será corrigir os erros em Assunção e evitar a derrota que o time sofreu por lá em abril. Há motivos para acreditar em histórias diferentes, e um deles é Vítor Roque.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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