Libertadores

A classificação do Palestino também é a glória de Luis Jiménez em sua volta ao Chile

Luis Jiménez possui um extenso currículo no futebol italiano. Mas não que tenha deixado saudades. O chileno defendeu alguns clubes tradicionais da Serie A, como o Parma, a Lazio e a Fiorentina. Sua passagem mais lembrada é pela Internazionale e, mesmo fazendo parte de um time campeão dos nerazzurri, seu nome é ignorado por muitos torcedores. Ainda teria uma rápida estadia pelo West Ham, além de encher os bolsos como andarilho por diversas equipes no Oriente Médio. Por fim, voltou para casa no segundo semestre de 2018. No Palestino, que o formou, o camisa 10 é “El Mago”. E justifica a idolatria, participando de um momento notável dos tricolores. Depois de encerrar o jejum de quatro décadas sem títulos, também colocou seu time na fase de grupos da Libertadores. Fundamental nestas preliminares, o veterano de 34 anos abriu o caminho na vitória por 2 a 1 sobre o Talleres, em Santiago, que valeu a vaga no Grupo A.

Jiménez despontou muito cedo no Palestino. Tinha acabado de completar 17 anos quando ganhou sua primeira chance como profissional. Não disputou tantas partidas com a equipe, mas logo ganhou uma oportunidade de se transferir à Ternana e disputar a Serie B do Campeonato Italiano. Rodou pelo exterior ao longo de 16 anos, até voltar ao antigo clube. El Mago teve um bom desempenho na reta final do Campeonato Chileno de 2018, com três gols em dez partidas. No entanto, seu melhor momento aconteceu na Copa Chile. Ajudou a liderar a campanha dos tricolores e brilhou na decisão, anotando o gol do título na vitória por 3 a 2 sobre o Audax Italiano. Um golaço, aliás, no qual arrancou do campo de defesa e soltou a bomba de fora da área. A taça marcava a primeira conquista do clube desde 1978. E também dava a vaga na Copa Libertadores, objetivo neste início de 2019.

Apesar do favoritismo do Independiente Medellín na segunda fase, o Palestino avançou. Mago Jiménez marcou o gol no empate por 1 a 1 na Colômbia e converteu seu pênalti na disputa que selou a classificação. E seria igualmente importante contra o Talleres, desde o primeiro jogo, quando ajudou a comandar a reação no empate por 2 a 2 conquistado dentro da Argentina. Por fim, a confirmação de sua notoriedade veio nesta quarta-feira, no Estádio San Carlos de Apoquindo.

O Talleres flertou com a classificação, outra vez dominando o primeiro tempo. Graças a uma jogadaça de Tomás Pochettino, Dayro Moreno abriu o placar para La T aos 21 minutos. O Palestino melhorou na etapa final, embora Sebastián Palacios tenha desperdiçado uma oportunidade claríssima de ampliar aos argentinos. Já aos 26 minutos, brilhou a estrela do Mago Jiménez. Roberto Gutiérrez fez um grande trabalho como pivô e rolou ao camisa 10, aproveitando-se da marcação frouxa antes de fuzilar. A situação obrigava os visitantes a buscarem mais um tento, mas o golpe fatal saiu nos acréscimos. Outro bolão de Gutiérrez, que ajeitou de calcanhar para Cristóbal Jorquera bater de primeira e garantir a virada. Como um tento dos cordobeses ainda poderia forçar os acréscimos, eles pressionaram até os últimos segundos, mas precisaram aceitar a eliminação em Santiago.

Exaltado pela imprensa chilena, Jiménez ressaltou o tamanho da vitória à sua história: “Foi uma linda partida. Novamente começamos perdendo, não é fácil. Não baixamos nunca os braços. Antes de começar, dizia a meus companheiros que esta era a partida mais importante de minha carreira. Em pouco tempo que estou no Palestino, vivi momentos incríveis. Desde o princípio sabíamos que a gente podia se classificar. Acima do que as pessoas falam, confiamos no grupo. Somos um time muito unido e demonstramos isso”.

Tão importante quanto a classificação ao Palestino é o dinheiro que entra em seus cofres, cerca de US$3 milhões. O valor representa demais a um clube com estrutura modesta. E agora os árabes poderão representar sua comunidade na fase de grupos, tentando aprontar em uma chave com dois favoritos claros. Encararão River Plate, Internacional e Alianza Lima. A vaga à Sul-Americana é palpável e, até por aquilo que mostrou contra dois adversários relativamente qualificados, os chilenos também podem complicar a vida dos gigantes. Mago Jiménez será um nome para prestar atenção, diante de seu renascimento em Santiago.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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