Libertadores

A célebre campanha do Furacão na Libertadores de 2005 teve o Libertad como vítima, duas vezes

O Athletico Paranaense somou duas vitórias na fase de grupos contra o Libertad, ganhando impulso rumo à decisão

Athletico Paranaense e Libertad se reencontram nas oitavas de final da Copa Libertadores após dois embates recentes na fase de grupos. O passado do confronto, ainda assim, leva os torcedores rubro-negros a um ano especial em suas aventuras continentais: 2005, quando o Furacão registrou sua melhor campanha na Libertadores. Coincidentemente, o Gumarelo também estava no caminho dos athleticanos durante a fase de grupos. E aqueles confrontos servem de ótimos presságios ao time de Felipão, já que os paranaenses somaram duas vitórias para seguir em frente rumo à decisão.

Athletico e Libertad compunham o Grupo 1, numa dura disputa que também incluía Independiente Medellín e América de Cali. Num momento instável, o Furacão teve dois treinadores diferentes naqueles duelos, comandado por Casemiro Mior e depois Edinho. Já a equipe que buscava se acertar alinhava figurinhas carimbadas em todos os seus setores. Diego era um bom goleiro, em defesa que tinha à disposição Durval, Baloy, Marcão, Cocito e Danilo. Jancarlos voava na ala direita, enquanto o meio reunia Fernandinho, Rodrigo Souto, Fabrício e Alan Bahia entre as opções. Mais à frente, Aloísio Chulapa e Dênis Marques se combinavam no ataque.

O Libertad atravessava um momento importante de sua história, em que se estabelecia como uma força no Campeonato Paraguaio. Juan José López dirigia um time que mesclava talentos paraguaios e argentinos. Metade da equipe titular tinha nascido no país vizinho, com destaque a Pablo Guiñazú e Juan José Serrizuela. Já entre os locais, Carlos Bonet era um personagem de maior projeção rumo à seleção. No entanto, não seria naquela edição que os alvinegros deixariam sua marca na Libertadores.

O primeiro encontro valeu pela segunda rodada. E o Athletico conseguiu registrar sua primeira vitória naquela Libertadores, com o placar de 1 a 0 na Arena da Baixada. Dominantes no primeiro tempo, os rubro-negros criaram boas chances, mas o gol saiu apenas na segunda etapa. Rodrigo Souto deu lugar a Maciel e o atacante correspondeu à aposta ofensiva, com o gol aos 12 minutos. Lançado por Alan Bahia, Maciel driblou a marcação de chutou no alto para fazer. Depois disso, os athleticanos correram perigo. Exposto, o time cometeu erros e tomou pressão. Por sorte, a falta de pontaria do Gumarelo evitou um tropeço.

O reencontro em Assunção também seria valioso para o Athletico Paranaense. A vitória por 2 a 1 encaminhou a classificação, assim como manteve o clima positivo no início do trabalho do técnico Edinho. O Gumarelo foi eliminado por aquele resultado. Seriam poucas chances no primeiro tempo, mas duas expulsões, com Alan Bahia e Fidencio Oviedo recebendo o vermelho em lances distintos. Na segunda etapa, o Furacão melhorou e criou bons ataques. Dênis Marques ia perdoando, até que abriu o placar aos 14. Tentou duas vezes e, no rebote do goleiro Cláudio Flores, guardou. Já aos 26, seria a vez do centroavante servir Maciel no segundo tento. Apesar da insistência, somente nos acréscimos os paraguaios descontaram, com Ismael Blanco, sem muita valia.

Aquelas vitórias foram importantes para o Athletico seguir aos mata-matas da Libertadores. E o time, depois dirigido por Antônio Lopes, faria história até a decisão. Chegou a eliminar outro paraguaio na ocasião, superando o Cerro Porteño nas oitavas. Depois de 17 anos, é o Libertad quem ressurge nas oitavas. Demandará cuidados, pelos nomes experientes à disposição e pela animação após a conquista do Apertura no Campeonato Paraguaio. O Furacão, de qualquer forma, também está motivado pelo momento positivo e pela própria oportunidade de MPLIe seus grandes feitos continentais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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