Libertadores

A atuação em Itaquera é mais um tijolo no castelo erguido por Arrascaeta como ídolo do Flamengo

Mesmo com o Flamengo funcionando muito bem no segundo tempo, Arrascaeta conseguiu se destacar como melhor em campo

Dizer que Giorgian de Arrascaeta é craque soa como um óbvio ululante, especialmente aos torcedores do Flamengo. Mas é esse óbvio que os rubro-negros gostam de desfrutar partida depois de partida, quando o uruguaio destila seu talento com tanta frequência. A equipe atravessa um momento excepcional sob as ordens de Dorival Júnior. Arrasca, desequilibrante nas horas boas e também em outras ruins, aproveita para surfar na onda gigante. Se por um lado o coletivo funcionou bem para superar o Corinthians na Neo Química Arena por 2 a 0, sobretudo no segundo tempo, mesmo assim a individualidade do armador fez a diferença.

O Flamengo contou com várias atuações muito boas em Itaquera. Rodinei, quem diria, continua calando os críticos a cada partida. Everton Ribeiro cadenciou o meio-campo, especialmente quando o jogo não tinha se aberto, o que foi muito importante. Mas quase sempre o estalo do time surgia nas jogadas de Arrascaeta. Foi assim que os rubro-negros começaram a quebrar as linhas compactas do Corinthians, com o passe por elevação a Pedro e um chute do uruguaio bem defendido por Cássio.

Qualquer discussão sobre o toque de João Gomes não obstrui os três acertos de Arrascaeta no lance do gol, tudo em poucos segundos. Primeiro na pressão, o que criou o ataque, com o passe bloqueado de Cantillo. Depois pelo domínio rápido já ajeitando a bola e observando o cenário favorável. Depois pelo chute sublime, um tapa colocado daqueles em que a beleza está na trajetória da bola. Subiu venenosa e caiu imparável, com uma curva para fora, tendo ainda o salto em vão de Cássio para complementar o quadro.

O segundo tempo contou com um Flamengo ainda melhor, até pela forma como o Corinthians desmontou seu meio-campo para buscar mais o ataque. Melhor para Arrascaeta, com mais liberdade para encarar os oponentes. Já não existia mais a proteção de Maycon e de Cantillo. O uruguaio flutuava entre as linhas, achava passes, coordenava os movimentos. Não teria influência direta no segundo gol, entre o drible de Rodinei e o arremate cirúrgico de Gabigol. Mas criou mais chances para os rubro-negros, que poderiam ter construído um placar ainda mais confortável em São Paulo. O craque errou só cinco dos 42 passes que tentou na noite.

Ver Arrascaeta fazendo gols ou dando assistências nem é novidade. Não faz nem um mês que ele foi herói em uma classificação de peso, diante do Atlético Mineiro na Copa do Brasil. E o histórico é amplo nessa passagem de quase quatro anos pela Gávea. O lugar dele no panteão está garantido, seja entre os grandes jogadores rubro-negros ou entre os maiores estrangeiros que passaram pelo futebol brasileiro. E cabe mais, com um protagonismo maior num time que vai brigar por mais taças nesta reta final de temporada. É o que mais uma noite de Libertadores, torneio no qual o uruguaio se destaca desde 2014, prova.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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