Libertadores

A atuação contra o River Plate evidenciou um pouco mais a diferença que Luiz Adriano faz ao Palmeiras

Quando o Palmeiras anunciou a contratação de Luiz Adriano, parecia fazer um ótimo negócio. Os alviverdes garantiam a presença de um centroavante típico, algo raro de se encontrar no futebol brasileiro durante os últimos anos, e tentavam solucionar um problema interno após seguidas apostas frustradas na posição. O gaúcho não precisou de muito tempo para provar seu valor e se transformar em um dos principais jogadores do time, mesmo quando não havia um coletivo para favorecê-lo. Contudo, nas últimas semanas, Luiz Adriano elevou ainda mais sua importância. Mostra-se uma liderança além da bola e resolve, com uma atuação excelente na instantaneamente histórica vitória sobre o River Plate na semifinal da Libertadores.

Luiz Adriano chegou ao Palmeiras moldado em grandes competições. Logo no início da carreira, cabe lembrar, o garoto brilhou na semifinal do Mundial de Clubes com o Internacional em 2006. Pelo Shakhtar Donetsk, conquistou a Copa da Uefa com gol na decisão e ótimas atuações nos mata-matas, além de colecionar aparições pela Champions League – chegando a balançar as redes cinco vezes numa mesma partida, feito restrito a ele e a Lionel Messi na fase moderna na competição. Mesmo no Spartak Moscou, voltou a ser campeão e disputou as competições continentais. Faltou apenas emplacar no Milan, na maior oportunidade de sua carreira. Mas não vingar num clube tradicional bagunçado não pode servir de porém à experiência adquirida pelo gaúcho.

No Palmeiras, Luiz Adriano foi (brevemente) importante com Felipão e seguiu importante com Luxemburgo, mesmo que as lesões atrapalhassem sua sequência no clube. Com Abel Ferreira, o centroavante passou a contar com um time capaz de beneficiá-lo, que não se limitaria às bolas longas para o homem de frente resolver. E isso se reafirma com gols vitais. No Brasileirão, a subida de produção desde os tempos de Andrey Lopes teve participação de Luiz Adriano. Na Copa do Brasil, a vaga na final ficaria na conta do artilheiro. Por fim, a Libertadores evidencia mais ainda este papel central do gaúcho.

Luiz Adriano anotou quatro gols nos dois primeiros jogos do Palmeiras na Libertadores, mas viu sua participação no torneio limitada pelas contusões. Não pôde enfrentar Delfín ou Libertad, fazendo sua estreia nos mata-matas exatamente contra o River Plate. E a referência do centroavante seria clara ao longo da noite. Mesmo com participações pontuais, o camisa 10 contribuiu no primeiro tempo. Ajudou a pressionar sem a bola e se movimentou para dar opções nos contra-ataques, sobretudo servindo passes. Combinou-se muito bem com Rony, que o substituiu com competência durante a última lesão, mostrando agora que ambos podem se alavancar. Uma pena que a belíssima jogada de armador de Luiz Adriano ao gol de Gustavo Scarpa tenha sido anulada por impedimento. Mas a segunda etapa precisaria de poucos minutos para que o artilheiro acabasse exaltado.

A jogada do segundo gol do Palmeiras é toda especial, pela maneira como o time recuperou a bola e ligou o ataque com muita rapidez, entre os toques de primeira. De qualquer maneira, o gol só se tornou possível pela habilidade de Luiz Adriano em seu ofício. O camisa 10 colocou Robert Rojas no bolso, ao esperar a enfiada de bola de Danilo e fazer a proteção perfeita, num giro que tirou o zagueiro da jogada. Com o caminho livre, o veterano arrancou e finalizou com frieza na saída de Franco Armani. Dá gosto de ver um centroavante que domina os fundamentos necessários à posição. Luiz Adriano faz isso como poucos que pintaram no futebol brasileiro durante os últimos anos.

Luiz Adriano ainda participaria de mais alguns lances na sequência da partida, contribuindo à segurança do Palmeiras e à mentalidade imposta pelo time no segundo tempo. O centroavante seria protagonista até pelas orientações dadas aos companheiros, contribuindo ao acerto tático e à intensidade imposta. Saiu aos 32 minutos com a missão cumprida. Aos 33 anos, o gaúcho tem uma bagagem que nenhum outro companheiro em campo nesta terça possuía. E com um senso de responsabilidade que beneficia os palmeirenses, especialmente por desequilibrar em um momento tão grande.

O Palmeiras conta com ótimos nomes em diferentes setores. Weverton, Gustavo Gómez e Matías Viña estão entre os melhores da posição no país. Luiz Adriano, ainda assim, se sobressai. Além de ser um dos principais centroavantes em atividade no Brasil, também resolve jogos como poucos. Mesmo sem ter conquistado um grande título com a camisa alviverde além do Paulista, já faz o suficiente para ser tratado com carinho pela torcida. E, com seus gols, o time fica cada vez mais próximo de reerguer taças – agora com a possibilidade concreta da disputar uma final de Libertadores após duas décadas de espera.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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