48 anos após título de 1976, Cruzeiro volta a ter lateral-artilheiro como protagonista
No dia 30 de julho de 1976, o Cruzeiro ganhava sua primeira Copa Libertadores, marcada por esquadrão lendário do futebol brasileiro
O Cruzeiro comemora, nesta terça-feira (30), o aniversário de 48 anos da conquista da Copa Libertadores de 1976, a primeira de sua história e um dos títulos mais emblemáticos do futebol brasileiro.
Foi em 30 de julho daquele ano que o ponta Joãozinho, o “Bailarino”, tomou a frente de Nelinho, um dos maiores experts em bolas paradas de todos os tempos, e surpreendendo a todos — jogadores, comissão técnica, adversários, torcedores e imprensa —, acertou o ângulo do goleiro Luis Landaburu, do River Plate (ARG), dando o troféu inédito ao estado de Minas Gerais.
O lance ocorreu no final do terceiro jogo da decisão, disputado no Estádio Nacional, localizado em Santiago, no Chile, e decretou o placar de 3 a 2.
A primeira partida, jogada no Mineirão, acabou com uma impressionante goleada de 4 a 1 para o Cruzeiro. Na volta, o River ganhou por 2 a 1 no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, Argentina.
Como até aquele momento não existia o “placar agregado”, fez-se necessário um terceiro jogo na disputa.
A cobrança de falta de Joãozinho, além de selar a vitória derradeira da Libertadores de 1976, resultou em uma das narrações mais icônicas do futebol brasileiro, na voz do saudoso Vilibaldo Alves. Assista:
Joãozinho coroou, mas Nelinho fez chover
Que o nome de Joãozinho é até hoje o mais relacionado com a conquista de 1976, é inegável, mas a campanha do Cruzeiro teve outros grandes personagens.
O prodígio Roberto Batata, que faleceu durante a competição e se tornou um símbolo daquela jornada, a dupla Palhinha e Jairzinho, craques que marcaram 13 gols em 11 jogos e 12 gols em 12 jogos, respectivamente, e Nelinho.
Apesar de ser um lateral-direito, Nelinho foi um grande artilheiro, com 105 gols marcados com a camisa do Cruzeiro, sendo o 13º na lista de maiores goleadores da história da Raposa.
Craque das bolas paradas, o lateral também chegava bem à frente com a redonda rolando e foi uma das grandes armas celestes durante o período em que esteve no clube, de 1973 a 1982.
Dos gols marcados pelo time estrelado, 19 foram de falta e 34 de pênalti. Os dados são da Cruzeiropédia.
Na Libertadores de 1976, Nelinho fez chover. Mesmo sendo um defensor, anotou seis gols em 13 partidas. Dois deles nas finais, um no primeiro jogo e um no terceiro. Decisivo.
Há quem garanta que se ele batesse a falta no minuto final da partida contra o River Plate, o desfecho seria o mesmo, mas quis o destino — e os brincalhões deuses da bola — que a travessura de Joãozinho marcasse a conquista do troféu.
Ainda assim, é impossível reduzir o impacto de Nelinho, vice-artilheiro da decisão, atrás de Palhinha, que fez três gols, e ao lado do atacante argentino Oscar Antonio Más.
E além de “apenas” balançar as redes, o lateral foi decisivo ao abrir o placar do primeiro e do terceiro jogo, pavimentando o caminho das vitórias cruzeirenses.
Há exatos 48 anos, o Cruzeiro conquistava o seu primeiro título da Libertadores em 1976! 🏆
No terceiro jogo da final contra o River Plate, vencemos por 3 a 2, com gols de Nelinho, Eduardo e Joãozinho. ⚽ #LaBestiaNegra pic.twitter.com/K5azeDrLD6
— Cruzeiro 🦊 (@Cruzeiro) July 30, 2024
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Quase cinco décadas depois, lateral-direito encanta no Cruzeiro
Na data de comemoração do título da Copa Libertadores de 1976, o Cruzeiro também pode se orgulhar do seu atual lateral-direito, que assim como Nelinho, tem sido um artilheiro e peça chave no funcionamento da equipe.
William, que está em sua segunda temporada pelo clube celeste, vive ano mágico, após um 2023 já muito positivo.
Ano passado, o jogador de 29 anos disputou 40 jogos, marcando um gol e dando quatro assistências.
Seu desempenho rendeu muitos elogios, principalmente porque ele vinha de um período de dois anos sem atuar, por seguidas lesões, até chegar ao Cruzeiro, onde se recuperou e foi recuperado. Mas o melhor ainda estava por vir.
Em 2024, William já entrou em campo 37 vezes, marcando cinco gols e dando nove assistências.
Segundo a plataforma Sofascore, dentre todos os laterais do Brasileirão, William é o primeiro em:
- Gols (4)
- Assistências (5)
- Grandes chances criadas (7)
- Duelos ganhos (94)
- Desarmes (65)
- Bolas recuperadas (104)
- Posses ganhas no ataque (12)
William entre todos os laterais do @Brasileirao 2024:
1º em gols (4)
1º em assistências (5)
1º em grandes chances criadas (7)
1º em duelos ganhos (94)
1º em desarmes (65)
1º em bolas recuperadas (104)
1º em posses ganhas no ataque (12)
1º em Nota Sofascore (7.49)— Sofascore Brasil (@SofascoreBR) July 29, 2024
O jogador tem sido peça-chave na grande campanha do Cruzeiro de Fernando Seabra no Campeonato Brasileiro e é muito cotado para uma convocação para a Seleção Brasileira, o que o faria retomar o nível internacional alcançado antes das lesões que tanto prejudicaram sua carreira.
Para se ter ideia do grande momento de William, ele marcou quatro gols e deu três assistências nos últimos dez jogos. Foram sete vitórias e três derrotas do Cruzeiro no período.
O que falta para William?
Esse texto não é uma comparação, visto que Nelinho é uma das maiores lendas da história do Cruzeiro e William ainda trilha seu caminho.
O jogador já é um favorito da torcida, mas, para alcançar o status de ídolo, alguns degraus ainda precisam ser galgados.
O camisa 12 ainda não levantou nenhuma taça pelo clube, algo que Nelinho se acostumou em seus dez anos de Cruzeiro. Foram sete troféus no período.

Ainda em 2024, William terá a oportunidade de inaugurar sua galeria. O Cruzeiro está na briga pelas primeiras colocações do Campeonato Brasileiro e terá os mata-matas da Copa Sul-Americana a partir de agosto.
Quem sabe William não repita a dose de Nelinho e dê uma taça internacional inédita ao time celeste? O próprio ex-jogador se mostrou empolgado com a possibilidade de uma conquista, até mesmo do Brasileirão.
— O William tem se destacado. Inclusive, segundo opiniões de comentaristas, ele é o melhor lateral do Brasil — apontou Nelinho, com exclusividade à Trivela.
Nelinho também se disse surpreso com o grande momento vivido pelo Cruzeiro e opinou sobre o que pode fazer diferença em prol da Raposa na busca pelo título brasileiro.
— Em relação ao time, estou achando excelente, não esperava tanto. Com a chegada de novos jogadores, eu acredito sim (numa conquista celeste em 2024). Tem um detalhe que é muito importante. O Cruzeiro, que tem tido a melhor atuação dentro de casa, sem perder nenhum jogo, no segundo turno vai encarar todos os times que estão à frente dele, Palmeiras, Flamengo, dentro de Belo Horizonte. É de se esperar que o Cruzeiro consiga subir mais posições e que possa realmente chegar a disputar um título. É difícil? É! Muito difícil. Mas não é impossível — projetou o grande campeão da Copa Libertadores de 1976.
O desfecho dessa história ainda está por vir, mas se depender do futebol jogado pelo lateral-direito, o cruzeirense pode se encher de esperança.
Ao lado de nomes como Matheus Pereira, William tem sido arco e flecha na Raposa e até pênaltis tem batido — como Nelinho.
Esperar que o camisa 12 repita o que fez o ex-jogador pode ser sonhar alto demais, mas se ele tiver um pouco do que o lendário lateral-direito teve com a camisa do Cruzeiro, o sorriso da Nação Azul dificilmente caberá no rosto.



