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Libertadores: Muita raça, pouca técnica

Quem viu ao duelo entre Palmeiras x Sporting Cristal pela Libertadores, deve ter visto claramente que coragem não vai faltar ao elenco alviverde. Foi a qualidade que ficou mais clara no decorrer dos 90 minutos iniciais desta campanha, contra um adversário não tão duro assim e que a todo custo procurou sair de São Paulo com um empate.

Na atual conjuntura palmeirense, qualquer adversário que esteja disposto a se fechar defensivamente vai sim parecer muito mais complicado do que na realidade. Com o apoio da torcida, a adaptação às dimensões do Pacaembu e a motivação de retornar à Libertadores após quatro anos de ausência deveriam ter elevado um pouco mais o nível do duelo, mas na prática, vimos outro panorama.

O Palmeiras procurou durante todo o tempo estar presente no ataque, apertando a defesa peruana. Com Vinícius e Patrick Vieira no ataque, a formação de Kleina perdeu uma referência lá na frente. Vinícius sempre ficava escondido na marcação e Patrick não conseguia driblar como faz normalmente. O jeito era uma aproximação de Souza e Wesley. Na contenção, Marcio Araújo e Vílson, que apenas no segundo tempo conseguiu entender o tempo da bola.

Wesley não estava à vontade no primeiro tempo e errava muito. Araújo nem apareceu e Souza teve de jogar por dois na cobertura da faixa que ia do círculo central até a boca da área do Sporting. Sem espaço para conseguir arrematar ao gol de Penny, que mal trabalhou. Aos 40, Henrique subiu de cabeça num escanteio para marcar o primeiro tento palmeirense na competição. No lance seguinte, Souza pegou rebote e virou um voleio, quase ampliando e animando a torcida, que compareceu em bom número. Cerca de 17 mil pessoas estiveram nas arquibancadas, mesmo na fase complicada em que o alviverde se encontra.

Após o retorno do intervalo, os peruanos entraram com uma vocação mais ofensiva. Calcaterra entrou na vaga de Sheput e mudou o jogo do lado do Cristal. Na sua primeira jogada, armou o contragolpe que originou o pênalti em cima de Lobatón. O próprio Lobatón converteu e silenciou a torcida por dois segundos. Mais consciente e colocando a bola no chão, o time da casa utilizou Souza como o homem da criação, sendo acudido por Wesley, que teve atuação irrepreensível nos 45 minutos finais. Encontrando buracos pelos flancos, o Palmeiras explorou o mapa da mina.

Marcelo Oliveira, que atuou como homem de ligação no segundo tempo (esteve como lateral esquerdo), apareceu bem para fazer a parede e distribuir a bola pela ponta, especialmente no lance com Patrick Vieira aos 22, quando Caio fez o pivô e rolou para o garoto chutar alto: 2 a 1. Muita festa e muitos sustos, mas no fim deu tudo certo para os mandantes.

Futuro na competição

O balanço geral que fica sobre a vitória, que quase deixou de acontecer em falhas gritantes da defesa do Palmeiras, é que mesmo desmontado, não faltou garra. Se no papel o elenco não desperta o mínimo temor nos adversários ou ânimo nos seus torcedores, em campo valeu a máxima do sangue, suor e lágrimas. Se quiser passar de fase, terá de manter esse espírito.

Terá pela frente o Tigre, que apresenta aspectos bem parecidos aos do time de Kleina e o Libertad, que tem experiência internacional e chega forte em 2013. Acima de tudo, a palavra de ordem é paciência, pois vem chumbo grosso pela frente.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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