América do Sul

Leoz deixou a Fifa e deve deixar também a Conmebol

Mais um tubarão deixou a Fifa. Desta vez, foi o presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, que deixou o seu cargo no Comitê Executivo da Fifa. A alegação é que a saúde do paraguaio o impede de cumprir os compromissos que o cargo exige. Impossível saber se essa é a única razão. O fato é que Leoz está envolvido em diversas acusações de corrupção, assim como Ricardo Teixeira. E assim como o dirigente brasileiro, o paraguaio deixa o cargo alegando problemas de saúde. Outra semelhança pode estar por vir: não se descarta que Leoz deixe também o seu cargo na Conmebol.

O jornal ABC Color, do Paraguai, conversou com pessoas próximas ao dirigente. Segundo essas pessoas, os médicos recomendaram que Leoz não viaje mais para fora do país. E Leoz não descarta renunciar à presidência da Conmebol, da qual é presidente desde 1986, e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014. Para que Leoz deixe a Conmebol, é preciso convocar uma reunião com os presidentes das dez confederações sul-americanas para poder explicar a situação.

Leoz é acusado de receber dinheiro da mesma instituição que pagou Ricardo Teixeira e João Havelange: a empresa de marketing esportivo ISL, durante os anos 1990. A empresa faliu, mas foi responsável pela venda de direitos de TV da Copa do Mundo. As suspeitas são que essa preferência foi ganha foi ganha com esses pagamentos a diversos dirigentes da Fifa. A venda de direitos de TV da Copa é um dos negócios mais lucrativos e a empresa ficava com parte do bolo, como comissão.

Segundo o programa Panorama, da BBC, Leoz recebeu US$ 730 mil da ISL, em um pagamento de US$ 130 mil e outros três de US$ 200 mil. As acusações do programa britânico surgiram em 2010. Em 2011, o presidente da candidatura inglesa à Copa de 2018, Lord Triesman, acusou Jack Warner, Nicolás Leoz, Ricardo Teixeira e Worawi Makudi de “conduta imprópria e antiética”. Os dirigentes eram acusados de corrupção relativa às candidaturas para sediar aquele mundial.

Os concorrentes eram Espanha/Portugal, Bélgica/Holanda e Rússia. O último candidato venceu, mesmo sem ser o favorito. Triesman afirmou que Leoz pediu para ganhar o título de Sir, ser cavaleiro da Rainha, em troca do voto. Ricardo Teixeira pediu “o que você tem para mim” e Makudi teria pedido dinheiro, diretamente. Os quatro foram inocentados de qualquer acusação pela Fifa, dias depois, em declaração do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke.

A saída de Leoz pode ser estratégia. O dirigente, de 85 anos, pode estar com a saúde frágil. Frágil está também a sua imagem, diante de acusações que possuem provas. Ricardo Teixeira levou muito mais dinheiro e teve seu nome muito mais ameaçado, mas os arquivos da ISL já derrubaram Teixeira. Podem fazer o mesmo com Leoz em pouco tempo. Jack Warner viveu situação parecida, com acusações que o fizeram sair de seu cargo na Fifa e na Concacaf – e assim evitar uma investigação da Fifa que o expusesse.  Para a Fifa, é bom que esses personagens peçam para sair antes de serem acusados formalmente. São figuras que podem derrubar mais gente dentro da entidade.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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