América do Sul

Jefferson Farfán retorna após 17 anos para tentar tirar o Alianza Lima do buraco

O futebol às vezes se move muito rapidamente. No final de novembro, o Alianza Lima lamentava o seu primeiro rebaixamento em 80 anos à segunda divisão do Campeonato Peruano. Acabou permanecendo na elite no tapetão, graças a uma decisão da Corte Arbitral do Esporte, e ainda nem estreou na nova temporada, mas sua torcida está animada pela volta de um filho pródigo. Após 17 anos no exterior, Jefferson Farfán foi anunciado esta semana para tentar tirar os aliancistas do buraco.

Uma série de decisões erradas nos bastidores e um desempenho terrível em campo decretaram a primeira queda do Alianza Lima no profissionalismo, mas a empreitada jurídica da diretoria foi muito mais bem sucedida do que a esportiva. Primeiro, tentou levar os pontos da rodada final, em que perdeu por 2 a 0 para o Sport Huancayo, alegando que o adversário não havia cumprido os protocolos sanitários. Não rolou.

A segunda tentativa foi denunciar atraso de salários no Carlos Stein, o seu principal adversário na briga contra o rebaixamento, o que violaria o regulamento da Federação Peruana. A entidade, porém, se recusou a punir o Carlos Stein, mas o Alianza Lima estava determinado. Recorreu à Corte Arbitral do Esporte, que lhe deu um parecer favorável. A FPF penalizou o Carlos Stein com a dedução de dois pontos – depois que ele havia estreado na nova temporada, ainda na elite.

Enquanto o imbróglio era resolvido, o Alianza Lima reforçou sua equipe para a estreia, marcada para a próxima terça-feira, contra o Cusco. Nome conhecido do futebol brasileiro, Hernán Barcos fechou em fevereiro para liderar o ataque aliancista. Agora, chega Jefferson Farfán, veterano de 36 anos e com vasta experiência no futebol europeu e na seleção peruana.

Farfán começou a carreira pelo Alianza Lima em 2001 e, depois de ganhar três vezes o Campeonato Peruano, transferiu-se para o PSV. Mais quatro títulos nacionais na Holanda, 66 gols e 170 jogos depois, foi contratado pelo Schalke 04, clube que mais defenderia em sua carreira. Participou da campanha que levou o clube de Gelsenkirchen às semifinais da Champions League em 2010/11, marcando dois gols na vitória decisiva sobre o Valencia por 3 a 1 no jogo de volta das oitavas de final.

Pela seleção peruana, disputou quatro edições da Copa América, 94 partidas e o retorno do país à Copa do Mundo, em 2018. Teve uma passagem pelo Al-Jazira e mais três anos no Lokomotiv Moscou antes de ficar sem contrato em agosto do ano passado. Acertou com o Alianza Lima por duas temporadas e tem chance de pelo menos ficar no banco de reservas contra o Cusco, na próxima terça-feira.

Na entrevista coletiva, prometeu que “arrastará pelos cabelos” Paolo Guerrero, atacante do Internacional que fez as categorias de base no Alianza Lima, e prometeu brigar pelo título. “Não tenho palavras para agradecer por este momento que estou vivendo. Apenas direi a todos os torcedores e aos que me ajudaram a crescer que vou desfrutar ao máximo. Eu me aposentarei no Alianza Lima”, afirmou.

Aposentar-se no Alianza Lima tudo bem, mas o rebaixamento, revertido na Justiça, não aconteceu por acaso. Os aliancistas perderam dez das últimas 12 rodadas do Campeonato Peruano, com apenas uma vitória em 13 jogos. Ganhar o título exigirá bastante esforço de Farfán e seus companheiros.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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