América do Sul

Irregulares e campeões

A máxima dos pontos corridos é sempre aquela: o formato do torneio premia as equipes mais regulares. No último final de semana a decisão dos campeonatos uruguaio e chileno, no entanto, serviram para desabonar um pouco essa tese. Defensor Sporting e Universidad Católica não foram lá tão regulares quanto poderia se imaginar de dois campeões nacionais, alternando sequências até certo ponto extensas de resultados negativos com um verdadeiro sprint vencedor na reta final.

O Defensor começou o Apertura marcando apenas quatro pontos nas primeiras quatro rodadas, período em que teve que administrar o campeonato com a disputa da Copa Sul-Americana. Mesmo jogando duas competições, La Violeta emendou três triunfos consecutivos a partir da quinta rodada, ante Cerro, Miramar e El Tanque Sisley, com atuações destacadas do atacante Rodrigo Mora.

Um empate contra o Danubio na semana intermediária entre o primeiro e o segundo confronto diante do Independiente pela Sul-Americana, porém, parecia enterrar as chances de título do Defensor em um campeonato tiro curto como é o Apertura. Mas, assim como a equipe de Montevidéu, os outros grandes do país seguiram tropeçando e mantendo a disputa aberta. Na semana seguinte, já eliminado da competição continental, o time dirigido por Pablo Repetto descontou nos adversários a sua frustração. Goleou Rampla Juniors, Fénix e Racing, contando outra vez com ótimas atuações de Mora, do meia Diego de Souza e também de seu setor defensivo, com destaque para Ibáñez e Mario Risso.

Outra igualdade, diante do Central Español, colocou novamente em dúvida o postulante ao título do campeonato, mas o triunfo diante do Peñarol, logo em seguida, fez com que o Defensor chegasse à penúltima rodada dependendo de uma vitória para soltar o grito de campeão. O Nacional, no entanto, venceu o jogo e se colocou a apenas um ponto de La Violeta na última rodada. Mesmo com a tensão de quatro times disputarem o título no último domingo, a equipe violeta manteve a calma e venceu seu jogo, podendo enfim comemorar uma conquista que chegou a ficar bastante longe de suas mãos.

Já em terras chilenas, a Universidad Católica realizou dois campeonatos nacionais dentro de uma mesma edição. Irônico por ser o único ano em tempos recentes em que o futebol do Chile disputou um campeonato de todos contra todos em dois turnos e não dois torneios distintos. Na primeira parte, antes da Copa, La U foi terrível. Além de maus resultados dentro de campo, atos de indisciplina dos jogadores transformaram a vida do técnico Marco Antonio Figueroa em um grande inferno. Pressionado pela torcida, Figueroa acabou sendo demitido logo antes da parada para o Mundial da África do Sul.

Para recomeçar o trabalho e tentar ainda lutar pelo título, a direção da Católica optou por contratar como gerente de futebol um dos ídolos da história do clube: José María Buljubasich. Mesmo com tempo limitado para reformular as bases do trabalho feito até então, o dirigente trouxe o técnico Juan Antonio Pizzi, ex-Santiago Morning, e tratou de contratar jogadores para reforçar o elenco.

Na volta do recesso da Copa, a Católica se encontrava cinco pontos atrás do Colo-Colo, mas ainda tinha a chance de faturar a Libertadores. Com a eliminação diante do Chivas, a tensão rondou novamente o estádio San Carlos de Apoquindo, sobretudo depois de novos tropeços no campeonato. Ainda assim, Pizzi segurou a bronca, mesmo depois de perder por duas vezes a chance de assumir a liderança do campeonato, graças aos tropeços constantes do Cacique.

Quando foi derrotado pelo Colo-Colo, no confronto direto pela liderança, a própria torcida se voltou contra o técnico e pediu sua cabeça. Afinal de contas, a equipe estava sete pontos atrás dos rivais, com sete rodadas faltando e sem mais a possibilidade de tirar a diferença no confronto direto. O imponderável, no entanto, novamente aconteceu no futebol e, na penúltima rodada, após vitória dramática por 3 a 2 ante o Cobreloa fora de casa e mais um tropeço do Colo-Colo, a Católica assumiu a ponta e confirmou o título na rodada seguinte, encerrando um jejum de nove anos sem conquistas nacionais. Méritos para Pizzi e para peças-chave do elenco, como o jovem goleiro Toselli, o meia e capitão do time Mirosevic e o goleador Roberto Gutierrez.

Duas vezes mais o campeonato de pontos corridos premiou seus melhores competidores. Mas, tanto no Chile quanto no Uruguai, o campeão foi, digamos, o menos irregular…

Copa Libertadores da América

Com grande parte dos times já definida, podemos projetar algumas situações na competição de 2011 para os times abordados nesta coluna. O Nacional do Uruguai, por exemplo, terá vida complicadíssima em um grupo com Fluminense, Argentinos Juniors e América do México.

Dificuldades imensas também para o Guarani do Paraguai, que enfrentará Cruzeiro, Estudiantes ou Vélez e provavelmente ainda o Corinthians. A coluna fará uma análise bem mais aprofundada e menos “achista” tão logo tenhamos todos os classificados para a competição continental.

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Equipe Trivela

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